12 de março, de 2011 | 00:01

Lojistas estão otimistas em 2011

Sondagem do Sindcomércio mostra como está o ânimo dos comerciantes do Vale do Aço em relação às vendas

FABRICIANO – Os lojistas do Vale do Aço estão otimistas com relação às vendas em 2011. É o que mostra uma pesquisa de opinião feita pelo Sindicato do Comércio do Vale do aço e Federação do Comércio de Minas Gerais, para verificar a opinião dos empresários do Vale do Aço neste início de 2011, no momento em que as projeções de mercado apontam para inflação acima da meta, 5,8% do IPCA, crescimento econômico de 4,3% para uma taxa de juros Selic de 12,5% ao ano. O objetivo é criar indicadores de percepção empresariais sobre o mercado e conjuntura econômica. A partir daí, pode-se traçar um desenho estratégico para o comércio varejista.
Levantamento abrangeu os principais segmentos do comércio varejista: Informática, Telefonia, Eletro-Eletrônicos, Móveis e Decoração, Tecidos e Artigos de Cama, Mesa e Manho, Instrumentos Musicais, Livrarias e Papelarias, Discos, CDs, DVDs e Fitas, Material Esportivo, Perfumarias, Óticas, Vestuário e Acessórios, Calçados e Artigos de Viagem e Jóias e Relógios. Foram entrevistados 61 lojistas em fevereiro de 2011.
Análise
Na avaliação dos técnicos do Departamento de Economia da Fecomércio, o ambiente econômico de 2011 está marcado pelos efeitos das medidas monetárias prudenciais adotadas no fim de 2010, com o aumento do depósito compulsório bancário, alinhadas com a estratégia coordenada para reduzir as despesas públicas correntes e elevação da taxa Selic, cujo patamar atual é de 11,75% ao ano. A combinação dessa estratégia econômica atinge diretamente a oferta de crédito para pessoas físicas e jurídicas. Os efeitos serão sentidos nos segmentos mais dependentes de financiamentos, tais como, eletrodomésticos, móveis e automotivos, mas, de certa, todas as categorias serão atingidas. Hoje, o mercado de consumo é alavancado pela ampla oferta de crédito a prazos dilatados, portanto, o desafio está em adequar-se a essa nova realidade econômica.
Otimismo
Em relação às vendas, do total de entrevistados, 88,5% estão otimistas em 2011. O empresário aposta no comportamento da demanda. Indicador positivo, pois poderá refletir em novas encomendas, novos investimentos e futuras contratações. Tudo isso envolve a força multiplicadora da atividade varejista.
Em relação ao primeiro trimestre de 2011, a posição é mais conservadora, haja vista que apenas 13,6% apostam em vendas melhores. A falta de datas comemorativas, o peso da agenda tributária, o marasmo pós-Natal, o efeito do alto endividamento do fim de ano na renda, o temor de mudanças mais drásticas da política econômica no novo governo, a pressão de aumentos de preços sazonais (transporte, serviços domésticos, educação) no poder de compra real, podem ser citados para justificar a atitude conservadora. 39% acreditam que irão repetir o desempenho de igual período de 2010. Já 47,5% estimam vendas piores.

GRÁFICO LOJISTAS 1

Preocupação
A maior preocupação dos comerciantes é com a carga tributária, líder das respostas com 30,1%. Em seguida, a incerteza em relação ao novo governo com 15,1%, o alto endividamento das pessoas com 14%, os juros elevados com 12,9% e falta de trabalho qualificado.
Na opinião dos empresários do Vale do Aço, o aumento dos custos fixos (energia, aluguel) é o principal fator de preocupação com 33% das respostas, pois podem afetar negativamente a saúde financeira da empresa. Em seguida, a inadimplência com 23,9%. A concorrência desleal com 11,4% e a falta de capital de giro com 9,1% também são considerados problemas que podem penalizar o ritmo da gestão dos negócios.

GRÁFICO LOJISTAS 2

Estabilidade
Os condicionantes mais dinamizadores para os negócios varejistas são a estabilidade monetária com 18,6%%, os novos investimentos a serem realizados pelo governo com 16,7%, o aumento do emprego formal também com 16,7% e a confiança das pessoas na economia com 14,7%. Nota-se que todos estão diretamente relacionados com a condução da política econômica. Isso reforça a necessidade de uma maior interação do governo com os agentes da economia real.
De certa forma, todos os fatores citados de ordem microeconômico ou macroeconômico merecem atenção na composição da agenda de trabalho dos empresarial, pois estão relacionados a regulação do cartão de crédito, com o crédito subsidiado e cadastro positivo;

GRAFICO LOJISTAS 3

Qualidade é estratégia
Comercializar mercadorias de qualidade é o principal foco da gestão em 2011, com 20,9% das respostas. Em seguida, foram citados como estratégia precípua a formação de estoques mais ágeis/diversificados com 16,5% e a formação e capacitação da equipe com 15,7%.
A precificação eficiente, dentro das características impostas por um mercado competitivo, mereceu 13,9% das respostas.
A promoção de liquidações mereceu a liderança das ferramentas para estimular as compras neste inicio de ano com 34,6% das respostas. Essa ação é tradicional no calendário de inicio do ano do comércio varejista, atuando como uma data comemorativa estendida. O atendimento diferenciado, potencializando de forma positiva a experiência de compra, foi a segunda ação mais citada com 15%.
Trabalhar com preços menores com 13,1% e aumentar os prazos dos parcelamentos com 12,1% também devem constar no mercado do Vale do Aço.
Em relação ao novo governo, 65% do total de entrevistados estão otimistas, pois acreditam que a política econômica deverá priorizar o crescimento da economia em 2011. Já para 30% a postura é de indiferença, enquanto apenas 5% acreditam na piora do ambiente econômico.
 

 
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