11 de março, de 2011 | 00:01

Etanol sobe 17,5% e assusta consumidor

Em dois meses, o preço do litro sobe mais de R$ 0,30 e combustível fica inviável

Victor Tancredo


PREÇO ALCOOL

IPATINGA – O etanol sofre aumentos sucessivos desde o começo deste ano e fica praticamente inviável o seu uso. Em 20 de janeiro de 2011, a média dos valores pagos pelo álcool combustível nos postos ipatinguenses era de R$ 1,89.
Passados dois meses já há postos revendendo o combustível a R$ 2,22, um aumento de 17,5%. O encarecimento do combustível está na contramão do que se esperava e não é condizente com a redução das alíquotas do Imposto sobre Operações relativas ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Prestação de Serviços de Transporte Interestadual, Intermunicipal e de Comunicação (ICMS) para o etanol.
A diminuição do tributo em 3%, no dia 1º de janeiro de 2011, atendeu a uma reivindicação dos produtores de cana-de-açúcar.
 
O diretor adjunto do Sindicato do Comércio Varejista de Derivados do Petróleo do Estado de Minas Gerais (Minaspetro), Gustavo de Souza, disse que os principais responsáveis pelo aumento nos preços são: o período de entressafra e as chuvas que vem assolando São Paulo, estado onde se concentram os maiores produtores de cana-de-açúcar.
Além disso, o preço do etanol depende do valor do açúcar, uma commodity cuja cotação é regulada conforme o mercado mundial. Como o açúcar está em alta, o preço do álcool também sobe.
 
O aumento no preço do Etanol refletiu também no preço da gasolina, uma vez que o combustível tem 25% de álcool em sua composição. Em janeiro, a média de preço cobrada em Ipatinga pelo produto derivado do petróleo era de R$ 2,59; hoje, já tem postos cobrando R$ 2,72 o litro.
Gustavo de Souza, que administra uma rede com 11 postos de combustíveis no Vale do Aço, contou que percebeu uma redução significativa do consumo.
“Com o aumento do preço do etanol, os proprietários de veículos flex têm preferido abastecer com gasolina. O consumo do álcool tem sido feito mesmo é por aqueles motoristas que tem veículos mais antigos, que só aceitam álcool. Mais raramente, tem os casos de pessoas que gostam de abastecer com o álcool, pelo maior rendimento que proporciona ao veículo”, pontuou.
 
Esse é o caso do estudante universitário Vinícius Falcão, que possui uma camionete com sistema flex, mas prefere abastecer com álcool. “Eu percebo que meu carro ganha em potência com o álcool. Se comparar com a gasolina, o consumo do álcool é mais rápido, mas não abro mão do torque que ganho”, disse.
 
No entanto, a reportagem do DIÁRIO DO AÇO percebeu que esse é um caso peculiar. Dos condutores de veículos flex consultados, o estudante foi o único que considera melhor abastecer com álcool. As outras pessoas avaliam que, como o preço aumentou e o etanol queima mais rápido, não estaria compensando.
 
“Eu estava abastecendo sempre com álcool até o fim do ano passado. Com o aumento do preço esse ano prefiro usar gasolina, porque não compensa mais. Com o álcool o consumo é mais rápido”, avalia o técnico agrícola, Wander Pires.
 
Estudos consideram que, para valer a pena, o preço do álcool por litro tem que representar, no máximo, 70% do valor pago pelo litro da gasolina. Para saber com qual combustível compensa abastecer, basta pegar o preço da gasolina no posto e multiplicar por 70%. O resultado é o preço máximo que deve pagar pelo litro de álcool. Se o etanol estiver com um valor acima do resultado final, não compensa.
 
Fazendo esses cálculos, levando em consideração os preços cobrados pelos combustíveis em Ipatinga (R$ 2,72 pela gasolina e R$ 2,22 pelo álcool), o valor do etanol considerado ideal seria de R$ 1,90. O valor final do Etanol representa hoje 88,8% do valor da gasolina.

 
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