09 de janeiro, de 2011 | 00:01
Segurança tem desafios para 2011
Drogas, homicídios e crimes contra o patrimônio no topo das preocupações
IPATINGA O tráfico de drogas e as suas implicações com roubos, assaltos à mão armada e homicídios são as maiores preocupações da Polícia Militar em Ipatinga na atualidade. A afirmação é do coronel Geraldo Henrique Guimarães da Silva, comandante da 12ª Região da Polícia Militar (RPM), sediada em Ipatinga e com jurisdição sobre 97 municípios, com uma população que passa de 1,8 milhão de habitantes.
Enquanto na Zona da Mata (região polo de Manhuaçu) predominam os crimes de roubo de cargas de café e disputas de posse de terra, no Vale do Aço está evidenciado o tráfico de drogas. Mas na região há, ainda, questões pontuais: a falta de um Centro de Internação de Adolescentes, a extensão do Fica Vivo do bairro Bethânia para os bairros Esperança e Bom Jardim e recursos para coibir o avanço de sinal vermelho no trânsito.
Para o coronel Henrique o cenário de drogas cresceu no País como um todo e tornou-se um dos principais problemas de segurança e de saúde pública. Por trás desse fenômeno” está a atuação de uma indústria que movimenta bilhões de reais. Um negócio que estimula o consumo, possui uma logística, comercializa e busca mercados consumidores. É uma empresa, informal, eficiente, mas que vende um produto ilegal. É uma questão transnacional, pois a droga que circula por aqui vem do Paraguai, Bolívia ou Colômbia. Isso exige o envolvimento mais enfático em níveis federal, estadual e municipal”, destaca.
Para o enfrentamento dessa situação, coronel Henrique explica que o consenso entre os profissionais da Segurança Pública é que seja feita uma atuação em três frentes: educação e prevenção, tratamento dos dependentes e a repressão ao tráfico.
Prática
Na educação uma das poucas experiências de sucesso em Minas Gerais neste momento é o Programa de Educação e Resistência às Drogas e a Violência (Proerd), desenvolvimento junto às escolas com crianças de 8 anos. Na outra vertente está o estímulo público às organizações que tratam os dependentes químicos, dando suporte a quem deseja abandonar o vício.
O terceiro fator é a repressão ao tráfico de drogas. Neste último aspecto, o coronel da PM afirma que a Legislação brasileira nem sempre é eficaz. O oficial lembra que todo período após algum crime de grande repercussão há um intenso debate, mas logo depois o assunto cai no esquecimento e nada muda. O que precisamos é de uma política sistemática de segurança pública, com melhoria na legislação, treinamento e qualificação das forças policiais e medidas sustentáveis, com resultados progressivos”, avalia.
Na repressão, um balanço parcial de 2010 mostra a apreensão de 3.850 pedras de crack, 7kg de cocaína, 628 papelotes de cocaína, 73 kg de maconha, 1.860 buchas de maconha e 76 cigarros de maconha prontos para consumo.
Questionado se as apreensões e prisões envolvendo o tráfico de drogas estão dentro do esperado, o comandante da 12ª RPM afirmou que é difícil mensurar essa atuação, mas destacou que a polícia tem atuado conforme surgem os casos. Neste sentido, só no Vale do Aço a PM efetuou 1.776 prisões até a primeira semana de dezembro, relativas ao tráfico de drogas.
Homicídios
O comandante da 12ª RPM também manifestou sua preocupação com o número crescente de homicídios no Vale do Aço. O balanço de 2010 ainda será fechado pelo 14º Batalhão da Polícia Militar. Mas só em dezembro foram onze mortes violentas. Nos primeiros cinco dias de janeiro de 2010 já são cinco homicídios. Embora o homicídio seja o crime mais grave é também um dos mais difíceis de prevenir. Entre as medidas possíveis, a polícia trabalha na apreensão de armas. Só em 2010 foram apreendidas 463 armas de fogo, fora a entrega voluntária.
Efetivo
Embora destaque que os quatro anos anteriores foram marcados por investimentos na segurança pública, com treinamento de pessoal, armamento, equipamentos, viaturas, o comandante da 12ª RPM admite que ainda haja carência no efetivo. No início de abril próximo serão formados mais 136 policiais no 14º BPM, mas a demanda de presença de real de polícia nas ruas é crescente. Entre os fatores está a evasão por aposentadoria.
No fim de dezembro, o claro” no efetivo, só no Vale do Aço, passava de 60 policiais, entre soldados, cabos e oficiais.
Em uma medida de caráter interno, o coronel Henrique também explica que tem procurado valorizar os bons policiais e adotado rigor no desvio de conduta. É corrupto? Abrimos processo e investigamos. Confirmado? Demissão sumária é o que tem ocorrido. Tudo isso para termos credibilidade”, assinala.
Crimes contra o patrimônio e homicídios
Entre os crimes contra o patrimônio no Vale do Aço destacam-se os assaltos a postos de combustíveis. Só no mês de novembro foram registrados 14, entre eles, 13 em Ipatinga e um em Timóteo. No mês de dezembro foram 14 assaltos, dos quais 10 em Ipatinga, um em Iapu e dois em Coronel Fabriciano e outro em Antonio Dias.
Questionado sobre o quadro, o comandante da 12ª RPM, Geraldo Henrique, explicou que os assaltos são sazonais. Lembrou que no primeiro semestre bastou que uma reportagem fosse veiculada por uma rede de televisão, mostrando que as joias eram de fácil aceitação do mercado de tráfico de drogas, para que se espalhasse em todo o país uma onda de assaltos a joalherias, atingindo também o Vale do Aço.
Mas de onde vêm os assaltantes que se arriscam em troca de valores de R$ 70 a R$ 200? Na avaliação do coronel Henrique o aumento nas transações comerciais via cartões reduziu o volume de dinheiro no comércio. Com isso, os assaltantes passaram a encontrar cada vez menos valores em cada assalto e cometem vários roubos até conseguir quantias suficientes para, por exemplo, pagar dívidas com o tráfico de drogas.
O oficial explica que ao concentrar esforços para coibir assaltos a postos, os assaltantes vão para as padarias, o mesmo ocorre neste setor quando aumenta o policiamento nas proximidades e o ciclo se repete com as farmácias e postos de combustíveis. A saída são as medidas de auto-proteção, tratadas em reuniões com os representantes de cada segmento atingido.
Inovação
Sobre as saidinhas de banco, outro crime com grande incidência em 2010, com diversas ocorrências, o coronel Henrique avalia que é uma modalidade recente que só será reduzida na medida em que as pessoas tomarem mais cuidado e pararem de transitar com quantias elevadas de dinheiro nas ruas. Cheques, transferência eletrônica, pagamentos dos cartões, de débito ou de cheque, estão entre as alternativas. Essa é uma luta permanente. Enquanto nós tentamos evitar o crime, o marginal sempre estuda uma nova forma de atuação”, afirma.
Manutenção da frota terceirizada em 2011
Um dos projetos em andamento na área do 14º Batalhão da Polícia Militar em Ipatinga é a terceirização da manutenção da frota de viaturas. Atualmente a manutenção é feita na oficina do próprio 14º Batalhão e o governo estadual decidiu licitar o serviço. Vinte viaturas que circulam em Ipatinga passam a ter manutenção terceirizada. Se o veículo estragar, em 24h tem que haver a reposição. Esperamos uma maior agilidade no reparo dos veículos baixados”, concluiu.
Apesar do custo, Olho Vivo compensa”
A implantação do Olho Vivo, com redução de 62% no índice de crimes nas áreas sob fiscalização é apontada pelo coronel Geraldo Henrique como um importante avanço em Ipatinga. Sobre o elevado custo de instalação e manutenção do sistema, que em Ipatinga chega a R$ 215 mil/mês, um valor impraticável para muitos municípios, o oficial avalia que o investimento compensa porque o custo do crime também é alto.
Se você evita um crime com lesão, evita custos para o Sistema Único de Saúde, por exemplo. Deixa de ter perdas de produtividade com pessoas que não vão ao trabalho, traumatizadas por um assalto e até evita o pânico da comunidade. Há uma série de fatores a ser considerada”, explicou.
O que precisamos é de uma política sistemática de segurança pública,
com melhoria na legislação, treinamento e qualificação das forças policiais”
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