08 de janeiro, de 2011 | 00:00
Família questiona versão de acidente que matou motociclista
Parentes reconhecem imprudência de motociclista, mas culpam motorista pela alta velocidade
IPATINGA Familiares de Edsom Botelho da Silva, de 36 anos, estão inconformados com o acidente que o vitimou no fim da tarde de 31 de dezembro passado.
Ontem completou sete dias do acidente. À noite os parentes realizaram um culto em sua memória. O acidente aconteceu na BR-381, entre os bairros Veneza e Jardim Panorama.
Informações de testemunhas deram conta de que o motociclista cruzou bruscamente a via para ultrapassar o canteiro que separa as duas pistas da rodovia, quando foi colhido por um Ford Focus.
A moto e o motociclista foram arremessados contra uma palmeira. Com o impacto a árvore partiu-se ao meio. A moto foi parar do outro lado da pista da BR-381 e o corpo do condutor arremessado a uma distância de quase 150 metros.
A mãe da vítima, Maria de Lima Botelho, 56 anos, contou à reportagem do DIÁRIO DO AÇO, que até às 16h daquela sexta-feira (31) Edsom estava em casa e saiu logo depois que um amigo o chamou. Ela disse que sempre pedia para o filho vendesse a motocicleta, pois temia que algo de ruim pudesse acontecer.
Na versão da mãe, o amigo que estaria em outra motocicleta ultrapassou o local proibido, mas na vez do filho houve a batida. Pelo que me contaram a roda da frente já estava fora da pista, foi quando o motorista do carro atingiu a moto. Queremos justiça porque senão esse motorista pode causar outra tragédia. Que tristeza no coração, meu filho saiu de casa e não voltou”, lamenta.
Tio do rapaz, o motorista Vander Reis, de 55 anos, conta que ficou bastante chocado com o acidente e não acreditou que o sobrinho havia falecido.
Para ele, Edsom estava errado ao realizar a manobra em um local proibido e arriscado, mas acredita que se o motorista do Focus estivesse na velocidade permitida para a via (60km/h), o estrago teria sido menor.
Os dois estavam errados, mas o motorista estava mais porque pelo estrago ele deveria estar correndo muito”, desabafou.
Questionamento
A tia de Edsom, Maria Aparecida Botelho de Arruda Oliveira, questiona a velocidade em que o Focus era conduzido. Em sua teoria, ele alega que os dois airbags foram acionados devido a velocidade em que o carro estava na hora da colisão.
Estes equipamentos foram fabricados para serem acionados quando o carro estiver a mais de 120Km/h e bater em alguma coisa. Mas, o motorista tirou a vida de um pai de família e ainda derrubou três palmeiras no canteiro central. Como um corpo é arremessado 150m à 60Km/h?”, questiona.
A reportagem ouviu técnicos especializados no assunto e obteve a informação de que não importa a velocidade do veículo para que seja acionado o airbag. Esse acionamento tanto pode ocorrer com a batida a 40km/h ou a 120km/h.
Por exemplo, se o veículo bater e parar de imediato o airbag é acionado quando a colisão é forte. Se bater em uma árvore, o sistema também vai acionar. Já quando ocorre uma colisão e o veículo para aos poucos, o airbag não será ativado. Neste caso, a frenagem ajuda na absorção da batida”, explica José Luciano de Sá, encarregado de garantia de uma concessionário do município que trabalha com venda de airbags.
As versões sobre o acidente ainda estão sob apuração da Polícia Civil. Assim que o delegado responsável requerer o laudo pericial, o perito tem até 30 dias para fornecer o documento. A perícia é quem poderá determinar a que velocidade estava o Focus quando atingiu a moto em que estava Edsom Botelho.
Lado
A reportagem do DIÁRIO DO AÇO foi até à residência de Robson Oliveira Marciano, de 19 anos, condutor do Focus, em uma tentativa de ouvir a outra versão, mas ninguém foi encontrado para comentar o assunto.
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O QUE JÁ FOI PUBLICADO:
Acidente mata motociclista na BR-381 - 31/12/2010
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