18 de setembro, de 2010 | 20:00
Seca dobra preço do feijão
Produto pode atingir nível histórico nos próximos meses
FABRICIANO Os apreciadores do feijão podem preparar o bolso para os próximos meses. O produto teve alta brusca de mais de 50% nos últimos dias, e há possibilidade de que haja novos aumentos nas próximas semanas.
Segundo o administrador Clemar Moraes, da Feijão Supang, em Coronel Fabriciano, a alta é atribuída principalmente ao longo período de seca nas regiões produtoras no país.
Por conta da seca, o alimento ficou escasso entre os produtores de Minas Gerais. Quando isso acontece, costumamos buscar as sacas no Paraná. Ocorre que o feijão que deveria ter sido plantado no final de julho e colhido agora no mês de setembro, não foi plantado em decorrências das condições climáticas. Isso fez com que os produtores paranaenses elevassem o preço em média 50%”, esclareceu.
O administrador afirma que o maior impacto na região tem sido em torno do feijão carioquinha, o tipo mais procurado em Minas. O pacote de um quilo, encontrado anteriormente por pouco mais de R$ 2,50, agora está sendo vendido por cerca de R$ 5. Já no Rio de Janeiro e no Espírito Santo, a alta maior atingiu o feijão preto.
Na compras realizadas neste sábado (18), os consumidores já estranharam o novo preço. O aposentado Vanderley Gomes, morador do Ideal, em Ipatinga, acredita que o aumento pode pesar bastante no orçamento de muitas famílias, principalmente as mais numerosas. Infelizmente, este é um alimento que não pode faltar”, observa.
A agente de viagens Silvana Souza, moradora do bairro Iguaçu, também não deixou de colocar no carrinho os pacotes de feijão, apesar da alta. Tenho filho pequeno que precisa do alimento, por isso não posso deixar de comprar. Mas espero que o preço volte logo ao normal. Está bem caro”, considerou.
No mesmo time, está a dona de casa Maria Lage, que torce para que a chuva venha rápido. O feijão é um alimento básico. Se aumentar mais, vai ficar complicado”, declarou.
Valores
A saca de feijão de melhor qualidade chegou a R$ 200 esta semana e pode superar o recorde histórico de R$ 300 ocorrido no início de 2008, segundo avaliação do Instituto Brasileiro do Feijão (Ibrafe). Na época, o quilo do produto chegou a quase R$ 7.
O presidente do instituto, Marcelo Eduardo Lüders, acredita ainda que nova alta ao consumidor deve chegar rápido porque, ao perceber o aumento de preço no campo, o varejo antecipa o reajuste de preços até para o produto adquirido com valores menores.
De acordo com o instituto, a oferta de produto não acompanhou a demanda e deverá haver déficit de 13 a 14 milhões de sacas no mercado. Desse volume, entre 3 milhões e 4 milhões de sacas terão de ser importadas. Parte do déficit vai ser compensada via preços.
Importações
O Brasil deve iniciar uma nova rota de importação do feijão, trazendo o produto do Canadá e Estados Unidos a partir de outubro, para suprir a possível falta do produto na safra 2010/2011. Geralmente, o país já compra da Bolívia e da Argentina e, em algumas situações, da China.
A entrada desses dois novos países no caminho brasileiro é em função de fenômenos climáticos como o La Niña, que será intenso.
Segundo previsões do presidente do conselho de administração do Ibrafe, o país deve comprar dos Estados Unidos e Canadá entre 80 mil a 90 mil toneladas da leguminosa. Os estoques de feijão do governo, ainda de acordo com Lüders, não são suficientes para atender à forte demanda interna.
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