29 de abril, de 2010 | 22:00
TAC da construção já está em vigor
Ajuste evita colapso na construção civil após oito anos de indefinição
IPATINGA O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) firmado entre o município de Ipatinga e a Promotoria Especializada na Defesa do Meio Ambiente e Urbanismo já muda a retomada dos procedimentos de concessão de licenças para construções. Pouco antes de deixar o cargo na quarta-feira (28), o procurador jurídico do município, José Geraldo Nunes, explicou que a assinatura do acordo poderia representar um marco para a construção civil no município. A questão do Plano Diretor passou por dois governos anteriores, sem solução”, resumiu.
Por causa da indefinição das leis complementares, inclusive a da Ocupação e Uso do Solo, em dezembro do ano passado o Ministério Público ingressou com uma ação contra o município e conseguiu uma liminar na Justiça para impedir a concessão de alvarás para construções acima de dois pavimentos até que fossem acertadas as leis complementares ao plano.
Com a assinatura do TAC, está previsto agora um calendário para a discussão pública e implementação das leis complementares. Para evitar o colapso no setor, até que sejam aprovadas as mudanças legais os alvarás a serem concedidos a partir de 27 de abril deverão atender ao TAC em vigor desde quarta-feira.
O ex-procurador José Geraldo Nunes explicou que o acordo só foi celebrado com o Ministério Público com a concordância dos empresários da construção civil e técnicos da área que, desde a expedição da liminar em dezembro de 2009, participaram ativamente do processo de negociação. O TAC define um cronograma de 14 meses de trabalho para elaboração das leis complementares ao Plano Diretor. Apesar da participação de representantes do setor da construção civil, os engenheiros, arquitetos e urbanistas poderão esclarecer dúvidas com os técnicos da Prefeitura, que estão todos orientados sobre os novos procedimentos”, destacou.
Insalubres
O documento que resultou no acordo destaca que as vistorias em diversos bairros de Ipatinga apontaram para uma prática construtiva que tem como resultado espaços precários do ponto de vista urbanístico e arquitetônico”. Isso acarreta espaços de moradia insalubres que não atendem às necessidades do cidadão para morar e usufruir da cidade com qualidade de vida”. A partir dessas observações, ficou estabelecido, entre muitos outros pontos, que os novos projetos em Ipatinga não poderão mais ocupar a linha de divisa entre os lotes.
As construções deverão obedecer a uma distância de 2,5 metros das divisas, para evitar o emparelhamento de prédios. Também acabam os fossos, comuns nos prédios com mais de dois pavimentos. A partir de agora, os prédios serão construídos em blocos separados, com distância mínima de 2,5 metros entre eles.
A decisão foi tomada porque os prédios colados” uns nos outros, dotados apenas de fossos, não garantem a necessária iluminação, ventilação de ambientes e até a privacidade em quartos e salas, tornadas insalubres por causa do clima quente de Ipatinga somado à poluição industrial em vários bairros.
Para MP, interesse público prevaleceu
O promotor de Justiça Walter Freitas de Moraes Júnior afirma que, embora a negociação em torno do Ajustamento de Conduta tenha sido aberta ao conhecimento e participação de setores da sociedade, inclusive aos diretamente interessados, da construção civil, o TAC preservou o interesse público na solução dos danos urbanísticos verificados na cidade. Cita como exemplo a definição de parâmetros de recuos, afastamentos, altura máxima de construção por tamanho de lote, índice de aproveitamento e taxa de ocupação, de forma a garantir a necessária circulação de ar, incidência de raios solares e salubridade das edificações.
Outros pontos mencionados pelo promotor referem-se à garantia da privacidade das edificações vizinhas, limitação do número de pavimentos em construções em lotes de 240, 360 e 540 m2, eliminação das taxas de ocupação e índice de aproveitamento diferenciado para construções de uso misto. A definição do número mínimo de vagas de estacionamento em razão da área das construções, bem como da área permeável mínima para se evitar a impermeabilização do solo urbano, como forma de prevenir as enchentes urbanas, e estímulo à soluções arquitetônicas visando o conforto e salubridade das edificações, também foram destacados por Walter Freitas como avanços incluídos no TAC.
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