10 de abril, de 2010 | 21:43
Luta contra o sofrimento mental
Avanços dependem de ações intersetoriais, aponta Conferência
IPATINGA O sofrimento mental, que é um dos grandes desafios da sociedade na atualidade, foi tema de um encontro que reuniu diversos profissionais no 7º andar do prédio da Prefeitura durante todo o dia de ontem. Além de apresentar um panorama sobre os avanços e desafios da saúde mental em Ipatinga e no Estado, a I Conferência Municipal de Saúde Mental Intersetorial traçou diretrizes para a resolução dos principais problemas relacionados ao sofrimento mental no município.
Diante de um público atento, a especialista em saúde mental e assessora da Coordenação Estadual de Saúde Mental SESMG, Lourdes Aparecida Machado, lembrou que os transtornos da mente não representam um problema de apenas um grupo social. O sofrimento mental não escolhe idade, classe social, gênero ou qualquer outra categoria. Ele está presente de forma difusa em toda a sociedade, e nós devemos estar preparados para acolher as vítimas desse problema”, destacou.
Segundo ela, a saúde mental é um direito de todos e compromisso de toda a sociedade. Os transtornos não são apenas um problema do campo da saúde, mas de todos os setores. Por isso, é imprescindível a participação de toda a sociedade na busca por soluções”, reiterou.
Transtornos
Os tipos de sofrimento mental, segundo a especialista, incluem desde os transtornos de ansiedade e depressão até as psicoses, como a esquizofrenia, e outras neuroses graves. Em todos estes casos, a pessoa deve ser encaminhada para um serviço de saúde de referência, onde será acompanhada por uma equipe multiprofissional.
Em Ipatinga, além dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps) existem 14 psicólogos espalhados pelos postos de saúde, a fim de atender a essa demanda, informou a coordenadora da Clínica Psicossocial (Clips), Maria Aline Gomes Barboza. É para a Clips, situada no bairro Cidade Nobre, que são levados os casos mais graves e de maior urgência. Na clínica, os usuários do serviço municipal recebem tratamento intensivo.
Desafios
De acordo com Lourdes Aparecida Machado, entre os principais desafios da sociedade atualmente figuram o atendimento à população de rua com transtornos mentais, os idosos, crianças e adolescentes em situação de abandono, a violência intrafamiliar, a prescrição indiscriminada de medicamentos para os transtornos e os pacientes comprometidos em suas habilidades, internados ou egressos de hospitais psiquiátricos.
A especialista lembra que alguns portadores de sofrimento mental chegam a ficar trinta anos internados em hospitais psiquiátricos e saem incapazes de diferenciar cores. A nossa bandeira é também pela reforma psiquiátrica antimanicomial. É preciso oferecer aos portadores de sofrimento mental alternativas contrárias ao isolamento. Temos uma dívida com essas pessoas que, por muitos anos, receberam tratamento desumano nos manicômios”, ressaltou.
Além da assessora da Coordenação Estadual de Saúde Mental e da coordenadora da Clips compuseram a mesa a coordenadora municipal do Programa de Saúde Mental, Cristina Abrantes, a coordenadora da Associação Loucos por você!”, Cirlene Ornelas de Godoy, e a juíza da Vara de Execução Criminal da Comarca de Ipatinga, Marli Maria Braga. O secretário de Saúde, Juliano Nogueira, e o prefeito Robson Gomes participaram da abertura do evento.
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