09 de março, de 2010 | 20:22
Profissões esquecidas
Com a modernidade e a tecnologia, várias profissões ficaram pra trás. Para alguns o jeito foi inovar
IPATINGA Com o mercado de trabalho em constante transformação e o avanço da tecnologia, várias profissões perderam espaço. Além disso, fatores culturais e a dinâmica social também são responsáveis pelas mudanças.
Nesta reportagem relembramos algumas ocupações que já tiveram relevância no dia a dia, mas que hoje estão em fase de extinção. Os mais novos sabem dizer qual a função de um datilógrafo? Antes da difusão dos computadores e da impressão a laser, os textos eram formatados em máquina de escrever; muito usada também por contabilistas para o preenchimento de formulário.
A profissão exigia técnica e preparação. Apesar das máquinas terem evoluído com o passar do tempo, ela acabou perdendo espaço para os computadores e notebooks. Mesmo em extinção, a profissão é ganha pão” do datilógrafo José Marcos Silva, 34, que há vários anos presta serviço na porta da agência dos Correios no centro da cidade.
Ele é um dos poucos sobreviventes da profissão. Com uma mesinha e uma máquina Olivetti, ele acaba exercendo a função de despachante. Depois de trabalhar em um escritório de contabilidade, José resolveu atuar por conta própria com uma máquina de datilografia, isto há 17 anos.
Por cada serviço, ele cobra de R$ 15 a R$ 20. Com a declaração de renda, José Marcos disse ganhar um pouco mais. Muitos preferem meu serviço porque é mais barato e já confiam em mim. Tenho clientes de mais de 8 anos. Mas, sei que meus dias estão contados. Para você ver não há mais ninguém aqui nesta área”, disse à reportagem.
Alfaiate, onde?
Houve uma época em que não existia outra forma de se vestir senão encomendando roupas junto a um alfaiate. Numa época em que não existia a massificação de consumo; o pronto para vestir”, ele era a salvação.
Hoje, ao andar pelas ruas, é comum observamos a seguinte situação: lojas de fábrica com bela aparência, muitos funcionários, bons preços e serviços modernizados. Mas, ainda é possível se deparar com ambientes simples, pequenos, com a infraestrutura mínima.
São, as pequenas alfaiatarias, que funcionam em uma portinha, onde o alfaiate espera por seus fiéis clientes. Essas pequenas lojas acabam perdendo seu poder ao lado dos grandes comércios da cidade e acabam por pegar serviços simples como pequenos reparos.
A facilidade e a rapidez de comprar na loja abafou o status” e a elegância de ter um terno exclusivo. O alfaiate Nelcy Vargas, 73, pretende fechar a alfaiataria daqui a um mês, depois de 56 anos de trabalho.
Não há mais espaço para mim. Vou sentir saudades daqui, mas, não tenho como continuar, porque não tenho lucro nenhum mais”, disse o aposentado que faz pequenos consertos para complementar a renda do mês.
Sapateiro
Outra profissão também difícil de ser encontrada é a de sapateiro. Na era do comprar tudo pronto” e do descarte” quase imediato, a atividade se resume a poucos consertos de sapatos. Como é caso do sapateiro Raimundo Felipe Alves, 72.
Para encontrá-lo é preciso passar devagarzinho pela avenida Macapá, no bairro Veneza, onde existe uma portinha com a placa Sapataria”. Hoje o que eu tenho mais aqui são consertos de solados e troca de taquinho. Faturo em média R$ 300. Mas, para mim esta profissão acabou por causa da diversidade da indústria”, diz.
O jeito é inovar
Quem nunca viu ali na Praça 1º de Maio, os famosos lambe-lambes”. Antigamente eles usavam uma máquina montada sobre um tripé de madeira ou de metal.
Parte destes profissionais se aproveitava de datas especiais como aniversários, casamentos e pequenos passeios nos parque para registrar tudo em preto e branco. Com um improvisado laboratório, fazia a revelação dos negativos no mesmo local, quando não os levava para casa, a fim de entregar as fotos depois de alguns dias.
Para sobreviver à era da modernidade o jeito que o fotógrafo Pedro Lourenço Policarpo, 45, achou para não sair do mercado foi comprar uma câmera digital e uma impressora. Hoje, o fotógrafo ainda permanece no mercado, com o lucro de fotografias para documentos.
Mas, perdi espaço nos casamentos e aniversários. Meu lucro não é o mesmo de antes, quando eu tinha até três aniversários para fotografar. Para não ficar de fora tive que acompanhar a evolução”, afirma com resignação.
A salgadeira Mara das Graças Martins, 49, disse que prefere tirar retratos na praça pela confiança que construiu. Há mais de vinte anos eu venho aqui. Já conheço o trabalho do Pedro e não vejo problema nenhum em sentar aqui e tirar foto”, disse.
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