16 de maio, de 2009 | 00:00
Heróis da limpeza urbana
Garis percorrem de 7 a 15 km por dia para deixar a cidade limpa
Sérgio Roberto
Apesar da importância de seu trabalho, os garis passam despercebidos na ruas, na maioria das vezes
IPATINGA Eles são os guardiões da limpeza. Com vassouras, pás e caminhões de coleta, os garis são responsáveis por retirar os rastros de sujeira deixados na cidade em função do consumismo da modernidade. Em sua rotina de trabalho, eles passam despercebidos enquanto varrem ruas ou catam os sacos de lixos. Mas basta a sujeira se acumular um pouco que eles são os primeiros a serem lembrados. Hoje é dia de lembrar desses profissionais, que mesmo sem o reconhecimento profissional devido se orgulham da prestação de serviço que exercem para a comunidade. Há 15 anos na profissão, a gari Zenaide de Souza, 45, acredita que os garis já conquistaram muita coisa. Mas ainda temos muito o que conquistar”, comentou. Entre as conquistas listadas por ela, está a colaboração da comunidade com o zelo pela limpeza. Um clamor que é comum na categoria. Zenaide contou que, mesmo passando nas mesmas ruas todos os dias, alguns moradores reclamam. Trabalhamos com mapa. Então, se limpamos um lugar que fica sujo logo em seguida, não voltamos. Só na outra semana. Por isso as pessoas devem colaborar com a limpeza, cuidar das calçadas e não jogar lixo nas bocas-de-lobo. Ouvimos muita reclamação, mas sempre levo tudo na esportiva”, declarou a gari. Esforço físico Zenaide de Souza revelou que cada gari varre em média 7 km por dia, em oito horas de trabalho. Eles são divididos em dez equipes, sendo que cada rua é atendida por três varredores. Dá para ficar em forma com esse trabalho. Perdemos muita caloria”, afirmou.Para se proteger do sol, os garis usam protetor solar oferecido pela empresa. Temos obrigação de usá-lo três vezes ao dia e tomar muito liquido”, destacou. Apesar da falta de reconhecimento, Zenaide se declara orgulhosa com sua profissão. Num dia como hoje, de comemoração, ganhamos até presentes nas ruas onde trabalhamos. É bom ver que algumas pessoas reconhecem o nosso trabalho e esforço”, frisou.Vaidade A gari Luciana Gonçalves Teixeira, 29, trocou a arrumação doméstica pela limpeza urbana e garante que está gostando da experiência. Trabalhar como gari me dá mais segurança do que como doméstica”, salientou.Sol, chuva, poeira e trânsito são apontados como os principais desafios da profissão, na opinião de Luciana. Faça sol ou chuva estamos na rua para a limpeza. O trânsito é muito perigoso. Pedimos aos motoristas para terem mais cuidado quando nos verem na rua”, destacou. De acordo com ela, a carga de trabalho força a mulher a deixar a vaidade um pouco de lado. O trabalho é tanto que nem dá para se produzir muito”, brincou.
Polliane Torres
Homenagem lúdicaEm homenagem ao Dia Nacional dos Garis, os alunos da escola infantilInterativa tiveram um encontro com três profissionais, na tarde deontem. As crianças tiveram oportunidade de tirar dúvidas sobre otrabalho de limpeza urbana e fizeram duas encenações teatrais. Segundoa diretora da escola, Carla Pinheiro, o trabalho é parte do projeto deeducação ambiental Pequenos e grande defensores da natureza”. Ainfância é a fase de construção da personalidade. Agora é a hora deensiná-los a ter uma consciência sobre a importância da preservação domeio ambiente”, afirmou a diretora.Perigo nos caminhões de coletaO perigo também ronda os garis em sua rotina de trabalho. Principalmente para o pessoal que trabalha nos caminhões de coleta nas ruas, que circulam em média 15 km por dia, durante seis horas. É o que conta o gari Edson Paulo Fernandes, 35, que trabalha há oito anos na área. Segundo ele, o grande vilão são os cacos de vidro e seringas mal acondicionados, além dos cachorros soltos nas ruas, que reviram o lixo e correm atrás dos garis.Já me machuquei duas vezes com vidro. Apesar de usarmos a luva protetora, tem morador que não embala o vidro com cuidado, e nos cortamos”, pontuou. Apesar de tudo, Edson define seu trabalho como divertido”. A gente corre, pula e se vira para pegar o lixo. Tentamos fazer isso sempre com muito bom humor”, garantiu. 740 toneladas de lixo por diaDe acordo com a assistente administrativa da Vital Engenharia, responsável pelo serviço de limpeza urbana de Ipatinga, Marlene Maria de Souza, por dia são recolhidos cerca de 740 toneladas de lixo na cidade. São cerca de 140 toneladas de lixo doméstico e 600 de resíduos inertes, ou entulhos”, detalhou. A empresa dispõe de 300 funcionários no setor operacional e 11 caminhões coletores, entre outros equipamentos. Conforme a Vital, os bairros que produzem mais lixo são o Bom Jardim e Bethânia, também os mais populosos do município.Polliane Torres
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