Coelho não é animal de estimação

Nesta Páscoa, Aspan sugere que as famílias adotem cães ou gatos para as crianças

02/04/2009 às 00:00
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IPATINGA - De olhos vermelhos e pelos branquinhos, os fofos coelhos são os animais mais comprados e presenteados no período da Páscoa. Mas por causa de certos hábitos desses animais, a maioria, pouco tempo depois, é facilmente encontrada solta pelas ruas, entregue ao abandono. É que os coelhos não são animais de estimação, como explica o médico-veterinário Lélio Costa e Silva, que também é membro da Associação de Proteção aos Animais Francisco de Assis do Vale do Aço (Aspan/Bicho Bom).

“Coelhos são animais domésticos, e assim como as vacas, por exemplo, são criados com fins econômicos. Animais de estimação são aqueles que criam um laço afetivo com o ser humano e gostam de colo e de carinho”, diferencia Lélio.

E colo é tudo o que o coelho não gosta, garante o veterinário. “Eles não são apropriados para serem carregados, mimados ou acariciados. Os coelhos se assustam com muita facilidade e ao serem levados ao colo por uma criança podem arranhá-la ou mordê-la para se defender”, alerta o médico.

Estresse
A reação agressiva pode fazer com que a criança solte o animal bruscamente. E aí vem mais um problema. “Os coelhos sentem dores pela queda e podem até sofrer fraturas. Situações estressantes podem levá-los ainda a ter ataques cardíacos”, adverte Lélio, destacando também que os coelhos detestam ser segurados pelas orelhas, o que lhes causa muita dor e agitação. “Se precisar carregar um coelho, é melhor envolvê-lo numa toalha”, aconselha.

Há ainda os riscos de os coelhos transmitirem algumas doenças aos seres humanos. “A sarna sarcóptica, as micoses da pele do coelho, a febre maculosa e a tularemia, um outro tipo de febre do animal causada pela bactéria Francisella tularensis, podem ser transmitidas ao homem”, acrescenta Lélio Costa e Silva.

Adoção requer cuidados para nova ‘relação’

Animais de estimação que gostam de mimos, colo e cafuné, só mesmo os cães e os gatos. Há vários destes, de cores e de portes variados, sob a responsabilidade da Aspan/Bicho Bom para adoção, capazes de estabelecer uma relação de afeto com os donos.
“Mas é preciso lembrar que, ao serem adotados, estes animais vão levar um tempo para se adaptar à nova vida”, ressalta Lélio Costa e Silva. É da natureza desses animais disputar a liderança do grupo e delimitar o território com hábitos como urinar por determinados locais da casa. Eles podem também não se adaptar à comida oferecida inicialmente e estranhar o contato com crianças.

“Com carinho e paciência, tudo se ajeita. Todos os dias é preciso ensiná-los onde devem fazer suas necessidades e quais são os limites que devem ser respeitados. Em aproximadamente um mês, o novo bichinho de estimação se sentirá em casa”, afirma o veterinário.

Campanha
Nesta Páscoa, para agradar aos que planejavam adquirir um coelhinho, a Aspan/Bicho Bom está promovendo uma campanha de adoção. Os interessados devem enviar um e-mail para [email protected] e a entidade todas as informações necessárias. Mais informações sobre trabalho podem ser obtidas no site www.aspan-mg.org.

Espécie reproduz até 70 filhotes por ano

Os coelhos, de nome científico Oryctolagus cuniculus, são animais que vivem de cinco a 10 anos, podem pesar até quatro quilos, atingir 30 centímetros e reproduzir até 70 filhotes por ano. Apesar da aparência fofa e dócil, não são adequados para dentro de casa ou apartamentos. “São animais que precisam de espaço para se movimentar, normalmente seis metros quadrados”, observa o veterinário Lélio Costa e Silva.

O veterinário lembra ainda que, em gaiolas, os coelhos ficam com os músculos enfraquecidos porque não podem pular e escavar, hábitos característicos da espécie. “O melhor para satisfazer suas necessidades é acomodá-los em grupos, porque eles precisam de animais da mesma espécie para se sentirem bem, e em grandes viveiros, para que possam se movimentar livremente”, recomenda o veterinário.

E nada de alimentá-los somente com cenoura e alface. A alimentação dos coelhos precisa ser rica em vegetais frescos, fibras variadas e ramos para roer e desgastar os dentes.
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