21 de janeiro, de 2009 | 00:00

Passes de ônibus com dias contados

Vale transporte em papel terá fim definitivo na sexta-feira

Alex Ferreira


Vale transporte e vale estudantil só valem até sexta-feira
IPATINGA – Termina nesta sexta-feira (23) o prazo de validade do vale transporte de R$ 2 e do passe estudantil de R$ 1,76. Até lá, quem ainda possui os passes de papel poderá trocá-los na sede da Autotrans, concessionária do transporte coletivo (rua Caetés, bairro Iguaçu), mediante apresentação de Carteira de Identidade e recibo de compra. A partir do próximo sábado (24), os trocadores não aceitarão mais os vales de papel nos ônibus.Essa medida está prevista na Lei Municipal 2.207/2006, que estabelece o fim da validade dos passes 30 dias após a entrada em vigor do aumento do valor da tarifa urbana. Com a medida, a concessionária adota definitivamente o cartão magnético instituído com a bilhetagem eletrônica, em setembro do ano passado.O gerente da Autotrans, Anivair Dutra, está de férias e não há outro representante da empresa autorizado a dar entrevista com explicações sobre o que será feito nos casos das pessoas que mantêm em casa as cartelas de passes que perderão a validade a partir de sexta-feira. Um comunicado afixado nos ônibus, no entanto, deixa claro que a troca dos passes por cartão só poderá ser feita com o recibo de compra. Acontece que somente a empresa que adquiriu os passes possui o documento. Quem comprou as passagens no mercado paralelo e, portanto, não possui recibo da concessionária, terá que arcar com o prejuízo.“Sobreviventes”Atualmente os vendedores de passes mantem a atividade com alguns passes de papel, que permanecem no mercado e com os passes intermunicipais. “Para muitos trabalhadores de baixa renda o vale transporte era usado como complemento de renda. Isso acabou agora e o benefício foi só da empresa de ônibus”, reclama o vendedor Ronaldo Fernandes.Em 2007, o próprio Fernandes chegou a fundar a Associação dos Revendedores de Passes do Vale do Aço, entidade que, admite, só existiu no papel por fala da união dos envolvidos na atividade. “Calculamos que o Vale do Aço tinha, no mínimo, 300 vendedores de passes nas ruas. Esse número caiu, mas não foi tanto assim não”, garante.Mercado paralelo se adequa ao sistema com ‘jeitinho’A adoção da bilhetagem eletrônica reduziu, mas ainda não acabou com o mercado paralelo de passes de ônibus em Ipatinga. As passagens eram vendidas por trabalhadores que pegavam o vale transporte mas não usavam o benefício, repassado por um preço abaixo do oficial no mercado paralelo.A reportagem do DIÁRIO DO AÇO verificou, no entanto, que o cartão magnético já é comercializado no mercado paralelo também. “Mas tem que ser na confiança. O beneficiado entrega o cartão para outra pessoa usar e somente no fim do mês recebe o dinheiro. Acho isso arriscado, mas tem muita gente que faz”, explica um vendedor de passes que pede para não ser identificado por temer retaliação.SigiloEmpregado de uma empreiteira da Usiminas, um metalúrgico ofereceu um cartão que, segundo ele, tinha R$ 380 acumulados em créditos de passagens. Quando percebeu a reportagem, saiu apressado, sem falar mais nada. Tanto sigilo não é por menos. Os Tribunais do Trabalho têm entendido que constitui ato de improbidade, passível de demissão por justa causa, o empregado requerer e receber vale transporte mas destinar o benefício para outros fins e fazer uso de veículo próprio para se deslocar para o trabalho.Alex Ferreira
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Envie seu Comentário