07 de janeiro, de 2009 | 00:00
2009 será de muita turbulência
Economista dá dicas para administrar finanças no momento atual de crise
Wôlmer Ezequiel
Fábio Mussi afirma que é preciso ter cautela diante das incertezas do ano que se inicia
FABRICIANO Depois da comemoração das festas de fim de ano vem a ressaca das contas, impostos e gastos extras, como compra de material escolar. A crise financeira mundial traz o perigo do desemprego, tornando a situação ainda mais delicada nesse início de 2009. Alguns conseguiram fazer uma reserva para o primeiro semestre, mas outros não resistiram aos apelos comerciais do Natal e já entraram o ano novo endividados.Para não passar 2009 no vermelho, o economista Fábio Mussi, formado pela Universidade Federal de Viçosa (UFV), segue a tendência dos especialistas: não se endividar. As pessoas devem fazer uma reserva porque estamos em um período de incertezas muito grande”, alertou. Na opinião do economista, o embate entre Banco Central e Ministério da Fazenda tende a desacelerar o crescimento do Brasil. O BC está partindo para uma direção mais de contração e o Ministério quer expansão. Em algum ponto eles vão divergir e, como o que prevalece é o Banco Central, então realmente estamos retraindo. O crescimento em 2009 vai ser menor e o desemprego vai aumentar”, avaliou.Diante disso, é preciso estar preparado para arcar com a sobrecarga de gastos deste mês. Janeiro tem uma carga tributária maior, com o IPVA e a compra de material escolar, por exemplo. As pessoas acham que o 13° é um valor extra, mas em geral ele já vem comprometido com o início do ano”, orientou. Cartão de crédito Com a popularização do cartão de crédito, cada vez mais o recurso é utilizado na hora de jogar as contas para a frente. No entanto, essa forma de pagamento é a mais perigosa por praticar juros de 13% ao mês. Para Fábio Mussi, o cartão deve ser usado com controle. Cartão de crédito é um falso dinheiro, pois a compra só será paga no próximo mês. O problema está nos juros, que são os maiores do mercado. Só para se ter noção, a poupança rende 0,7% ao mês”, comparou.Mas se a dívida já está feita e a fatura não couber no orçamento, uma das alternativas é buscar empréstimos a juros menores para quitar o débito com o cartão integralmente. Mas não adianta pegar empréstimo a juro menor e continuar comprando pelo cartão. Senão a coisa vira uma bola de neve”, frisou o economista. Como poupar? As duas opções mais seguras de aplicação sem prejuízos são a poupança e o CDB e CDI, que oferecem rendimentos maiores que os da poupança. Mas antes de fazer a escolha é preciso procurar uma instituição financeira. A pessoa interessada não deve ir somente onde possui conta corrente. É como comprar uma camisa: escolha a melhor opção, pois é possível conseguir taxas melhores em outros bancos”, afirmou.Conforme o economista, o investimento mais seguro é a poupança, mas se o investidor tiver disponível um valor mais elevado há outras opções mais lucrativas no mercado financeiro. Então, é preciso fazer as contas junto com o gerente para ver se vale a pena”, orientou Fábio Mussi, enfatizando que no atual momento de crise internacional os investimentos na bolsa de valores não são aconselháveis.Previsões otimistas só no ano que vemNa opinião do economista Fábio Mussi, a crise financeira deve melhorar só no ano que vem. Para ele, os reflexos negativos atingirão diretamente o Vale do Aço. A região também será afetada pelo desemprego. A Usiminas vai continuar o plano de expansão, mas talvez não seja como estava previsto, o que reflete no comércio e na geração de empregos”, avaliou. Mesmo diante de um cenário pessimista, Fábio Mussi acredita que o Brasil vai ser um dos países menos afetados pela crise. Atualmente, o Banco Central e governo não estão repetindo o erro da época da crise do petróleo, quando foi jogado muito dinheiro no mercado e os reflexos vieram na década de 80. Agora o país está mais controlado, mas 2009 ainda será muito turbulento. Não devemos ser muito otimistas”, concluiu o economista.Hora certa de pechincharPara quem pretende comprar um imóvel ou um automóvel neste ano é preciso pechinchar ainda mais. Segundo Fábio Mussi, o momento de incerteza pode causar queda no mercado imobiliário, como já vem acontecendo com as taxas de financiamento de carros. A primeira orientação é verificar se as parcelas cabem no orçamento. Os bancos estão com muito dinheiro para emprestar neste ano, mas é preciso haver a redução das taxas de juros”, salientou.Conforme o economista, um dos reflexos da crise financeiro mundial é o aumento de juros nos bancos. Os bancos fazem isso porque também estão com muita incerteza. Se a pessoa pega um investimento e fica desempregado, a instituição toma prejuízo. Então, o banco aumenta os juros porque, se isso acontecer, um cliente cobre o prejuízo do outro”, comentou.Com o mercado imobiliário na região muito elevado, Fábio Mussi acredita que os valores não subirão mais. Na hora de comprar um imóvel, é preciso achar um preço razoável e nunca esperar ganhar na venda”, afirmou.Para quem planeja obter um automóvel o momento é bom. Com o incentivo do governo, o preço está melhor do que antes. Mesmo assim, é bom verificar a taxa de juros e se as parcelas comportam no orçamento”, orientou.
Polliane Torres
O eletricista José Júnior: compras à vista e pechincha
Consumidores apreensivosNas ruas de Ipatinga, os consumidores demonstram estar a par das principais orientações dos especialistas veiculadas pela mídia. O eletricista José Júnior, 26 anos, e sua esposa, Juliana Soares, estão procurando por alguns móveis e eletrodomésticos nas liquidações dessa época. Na hora de fazer a compra, eles pechincham e preferem pagar à vista. Vamos em várias lojas. E preferimos juntar dinheiro aos poucos ao invés de parcelar, ainda mais com essa alta dos juros”, disseram.José Júnior contou que está com planos de aumentar a casa e, apesar da crise, o projeto será executado em 2009. O casal, que tem uma filha de 5 anos, afirmou que gasta muito com alimentos e vestuário. Nossa compra que antes era R$ 300 agora é R$ 450. O preço da comida subiu muito, e de roupa também”, declarou o eletricista. O metalúrgico Adenilson Lopes também segue a estratégia de evitar o parcelamento das compras. Só compramos o que podemos pagar à vista. Fazemos as coisas com cautela, dando um passo de cada vez”, comentou. Mas alguns planos da família de Lopes tiveram que ser adiados. A crise está afetando meu trabalho, e isso gera alguma incerteza. Então algumas coisas vão ter que esperar”, ponderou. Polliane Torres
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