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02 de novembro, de 2008 | 00:00

Impactos antecipados em Revés do Belém

Anúncio de aeroporto causa impactos antecipados em Bom Jesus do Galho

[imagem1106REVÉS DO BELÉM – Quando ouviu falar a primeira vez que seria construído um aeroporto nas proximidades do distrito onde mora, o comerciante Adão Correia inicialmente pensou que o empreendimento traria grande desenvolvimento para Revés do Belém. Sua mulher, a também comerciante Neuza Eli Marquiole, confirma que ainda espera a chegada de um novo período de desenvolvimento para o lugar onde o casal possui um bar e mercearia há 16 anos. Mas, antes mesmo de o projeto do aeroporto sair do papel, os moradores de Revés do Belém já enfrentam as conseqüências negativas que todo grande empreendimento gera ao lado dos resultados bons. O lugar começou a ser freqüentado por desconhecidos, curiosos com o local onde será construído o grande aeroporto. Na verdade, a área fica a 14 quilômetros de distância em estrada de terra por onde pode se encontrar a todo instante com grandes carretas carregadas com toras de eucalipto da Cenibra. Além da invasão de forasteiros, Revés do Belém também passou a enfrentar a exploração imobiliária. “Uma casa dessas simples, que já custava em torno de R$ 25 mil, hoje você não compra nem por R$ 70 mil. Há quem queira comprar, mas ninguém quer vender e os preços só sobem”, afirma Adão.Conforme mostrou uma série de reportagens recentes do DIÁRIO DO AÇO, o distrito, que já enfrentava crescimento da população e de invasões de áreas públicas, teve uma onda de ocupações também de áreas particulares. Pelo menos 250 famílias demarcaram lotes em áreas invadidas ao redor do distrito. O caos que ameaça se espalhar vai demandar uma ação eficiente de políticas públicas, mas o próprio prefeito, Aníbal Borges, já afirmou que a tarefa ficará para o próximo prefeito.   IpatingaRevés do Belém começou como acampamento de carvoeiros da antiga Companhia Aços Especiais Itabira (hoje ArcelorMittal Inox). Por isso, grande parte dos antigos moradores é de Timóteo, sede da empresa. Atualmente, os seus habitantes são idosos e filhos de carvoeiros que chegaram ao local nas décadas de 60 e 70 para trabalhar nos fornos que abasteciam a siderurgia. Como o acesso mais fácil ao acampamento sempre foi via Ipatinga, o acampamento tornou-se uma vila com ligações estreitas com a cidade e nenhuma ligação com a sede do município, Bom Jesus do Galho.A atividade carvoeira acabou no fim dos anos 80, mas o acampamento nunca foi desmontado. Revés do Belém e outros lugares com a mesma origem, como Baixa Verde, Quartel do Sacramento e Cava Grande, acabaram consolidados como vilas, povoados e distritos que subsistiram em meio à falta de saneamento, precariedade na infra-estrutura urbana e, não raramente, prostituição, alcoolismo, violência e desemprego. No caso de Revés, a mão-de-obra ficou dividida entre poucos empregos gerados no reflorestamento de eucalipto e a maioria foi para Ipatinga, forçada a enfrentar diariamente 21 quilômetros de estrada de terra.  Agora, Revés do Belém se vê diante da esperança da virada de tudo isso, se a administração municipal de Bom Jesus do Galho destinar para o lugar os impostos que irá arrecadar com o novo aeroporto da Usiminas. Quanto será arrecadado é uma previsão que nem os técnicos da empresa sabem calcular no momento.

Braz: Roça de milho cresce, como a preocupação com o acesso que será cortado pela construção do aeroporto
“Ilhado” por aeroporto não sabe para onde iráProprietário de uma área de 4,5 hectares de terra às margens do rio Doce, Braz de Assis Pereira mostra os marcos fincados na área onde será construído o novo aeroporto da Usiminas. Ele disse que ainda não foi procurado por ninguém e não sabe até quando continuará com sua roça, onde planta banana, milho e feijão. Pelo projeto apresentado pela Usiminas, as terras que ficam às margens do rio Doce na divisa com a área do aeroporto, em um local conhecido como Barrinha, serão todas transformadas em região de amortecimento de impactos ambientais, com um plano de reflorestamento com espécies nativas. Esse projeto será necessário para reduzir os impactos do aeroporto na reserva do Parque Estadual do Rio Doce, que fica do outro lado do rio.“Aqui, eu colho 20 carros de milho. É uma área de alta produtividade. Toda a margem do rio Doce é de terras muito férteis”, conta Braz. No local, podiam ser vistos no chão milhares de pequenos buracos. Braz explicou que na tarde anterior houvera uma revoada de tanajuras e os tatus saíram à procura dos insetos, que cavam a terra assim que pousam. Teiús enormes, capivaras, pacas, jacus e tantos outros animais que habitam a Mata Atlântica encontraram na roça de Braz uma grande fonte de alimentos. “Mas eu não caço nada. Respeito a lei e aqui ninguém entra para caçar. Acho que todos já entenderam que isso dá cadeia”, conclui o roceiro Braz de Assis Pereira, enquanto oferece acerolas colhidas no pomar e reclama do atraso na chuva que prejudica a recente plantação de milho que, mesmo na seca, insistia em crescer.   Alex Ferreira
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