29 de julho, de 2008 | 00:00
Reabilitação diferenciada
Associação Reviver inaugura unidade para tratamento de mulheres
Fotos: Wôlmer Ezequiel
A “Unidade II - Feminina” tem capacidade para receber 14 mulheres e possui oito cômodos
IPATINGA A crescente demanda de mulheres dependentes químicas que buscam reabilitação na região começará a ser suprida pela Associação Reviver de Assistência e Reintegração Social a Toxicômanos e Alcoólatras de Ipatinga, que inaugurou, na tarde de ontem, a Unidade II - Feminina”. A primeira sede voltada para este público na cidade tem capacidade para receber 14 mulheres e possui oito cômodos. A nova unidade fica na rua Von Goethe, 232, no bairro Cidade Nobre. A Associação já trabalha há 13 anos com o público masculino, em uma outra casa situada no nº 32 da mesma rua e que atualmente abriga 32 homens.O coordenador administrativo da Associação, Adair Ferreira de Freitas, disse que a decisão de abrir uma casa para atender o público feminino foi motivada pelo crescimento da procura. Nós tivemos uma demanda muito grande para atender o público feminino. Percebemos também uma grande discriminação em relação às mulheres e decidimos abrir a casa com o apoio dos nossos colaboradores, do Conselho Municipal de Entorpecentes (Comen) e Conselho Municipal de Assistência Social”, disse. Adair informou que nove candidatas já estão fazendo exames periódicos para a internação. A expectativa é de que, na próxima semana, a unidade receba as primeiras internas. Seleção Adair informou que, antes de conseguir uma vaga na unidade, a mulher precisa passar por um rigoroso processo de seleção. Começa com uma entrevista com a dependente e seus familiares. Após esse procedimento, realizamos uma triagem e exames de sangue, fezes, urina e teste de gravidez. A triagem é o momento certo para a pessoa pensar se é isso mesmo o que quer. Passadas essas etapas, é feita a internação, que pode variar de 9 meses a 1 ano. A avaliação do momento certo de saída da casa será definido por uma equipe interdisciplinar de profissionais composta por psicólogos e neurologistas, além das coordenadoras”, explicou. Diferenciação A Unidade II - Feminina será coordenada por Liliane Aparecida Silva e Fátima Margarida de Almeida. De acordo com Liliane, o tratamento das internas será personalizado. O tratamento para mulheres é diferente até mesmo pela sua sensibilidade. Procuramos resgatar na vida delas a valorização como pessoa, mãe e mulher. São pessoas diferentes, com sentimentos diferentes e necessidades diferentes. Essas coisas são abordadas no processo que começa com a desintoxicação e passa pela adaptação e reintegração. Mas teremos homens envolvidos no processo também. Queremos oferecer a elas atividades como artesanato para tornar a internação mais produtiva”, esclareceu.Para Liliane, o preconceito ainda é latente. Tem mulher que se sente inferior ao homem, apesar das recentes conquistas. Quando as mulheres estão no auge da droga elas se sentem menores, mas estamos preparadas para atender a qualquer faixa etária após a maioridade”, garante.
O tratamento das dependentes será coordenado por Liliane Aparecida da Silva e Fátima Margarida de Almeida
Abordagem diferente e índices animadoresLiliane é de João Monlevade e contou que está sóbria há 13 anos. Desde então, trabalha na reabilitação de mulheres. Com a experiência acumulada nesses anos, Liliane falou sobre algumas características peculiares às mulheres em situação de dependência química. Segundo ela, é comum que as dependentes busquem tratamento fora de sua cidade. Por isso, Liliane acredita que a nova unidade receberá um público expressivo de outros municípios. Às vezes, as mulheres preferem fazer tratamento em outro centro, porque a família não quer que ela fique no mesmo ambiente. A mulher gosta de ir pra longe para voltar mais renovada. Tem toda uma estratégia nesse trabalho”, frisou. A coordenadora informou que a proporção de mulheres envolvidas com drogas em relação aos homens vem se igualando cada vez mais. Há cinco anos, era uma mulher para cada cinco homens. Hoje, temos uma mulher nessa situação a cada dois”, comparou. Liliane acredita que as mulheres estão perdendo a vergonha de procurar ajuda, mas muitas vezes isso acontece tardiamente. O que acontece é que, quando elas percebem a gravidade do envolvimento com tóxico ou álcool, já estão em idade avançada e aí é mais difícil aceitar as normas que impomos porque, durante a internação, resgatamos o limite”, salientou.Por outro lado, segundo Liliane o índice de recuperação de mulheres em relação aos homens é maior. A mulher tem muita dificuldade de pedir ajuda, mas quando se submete ao tratamento é colocada de pé novamente, apresentando um índice de recuperação maior que o do homem”, constatou. O telefone de contato da Associação é 3822-9269. Polliane Torres
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