24 de julho, de 2008 | 00:00
Exigências mantêm embargo ao mel
Aapivale continua sem exportar para países da União Européia
IPATINGA - Apesar de a União Européia (UE) ter reabilitado, no início de 2008, as importações do mel brasileiro, as encomendas do produto continuam irrisórias. Apesar do fim do embargo imposto em nome da obrigatoriedade da apresentação do registro do entreposto (empresa exportadora) e a comprovação das boas práticas de fabricação, a determinação de novos critérios continua inibindo a comercialização do mel brasileiro para a Europa.Segundo o gerente administrativo da Associação Regional de Apicultores e Exportadores do Vale do Aço (Aapivale), Antônio Rolla, o desembargo” na verdade escondia uma série de novas exigências por parte dos países pertencentes ao bloco da UE. Para Rolla, uma das exigências mais descabidas obriga aos produtores de mel, ou seja, donos de apiário e trabalhadores ligados diretamente à sua captação, possuírem estabelecimentos com registro no Sistema de Inspeção Federal (SIF). A partir de agora, a UE só recebe mel procedente de produtores registrados no SIF. Com isso, a Aapivale logicamente só poderá exportar o mel advindo de propriedades incluídas neste sistema. A meu ver, é uma exigência desnecessária, uma vez que a nossa produção já é acompanhada e fiscalizada por uma certificadora da Alemanha, um dos países mais representativos da própria UE”, pontua o gerente administrativo da Aapivale. No seu entendimento, os apicultores associados à entidade já dispõem do mínimo para dar vazão à produção - salas azulejadas, com equipamentos em aço inox. Ele também informa que esta estrutura é suficiente para condicionar o produto, exemplificando que os Estados Unidos não fazem concessões e exigências tão severas quanto às determinações européias. Prova disso é que os estadunidenses tornaram-se os principais consumidores do mel brasileiro desde o embargo da UE. Antes da interdição, o produto era consumido principalmente pelos países do Velho Mundo, principalmente a Alemanha. Mercado externoNo pátio da sede da Aapivale, localizada no bairro Forquilha, as novas regras para a exportação de mel para a Europa e as dificuldades para os produtores se adaptarem às novas normas são facilmente percebidas. No local, os tambores de mel destinados à Europa estão separados à parte. Apesar de corresponderem a um montante expressivo - 80 toneladas -, a mercadoria está parada no pátio da entidade desde março. Os produtores de lá foram confiantes em relação ao fim do embargo e investiram no mel daqui. Mas as novas exigências impediram que essas 80 toneladas fossem encaminhadas aos contêineres e enviadas à Alemanha, país que havia solicitado o produto”, explica Rolla.Por sua vez, o mel destinado aos Estados Unidos ocupa a maior parte do pátio. Desde o início do ano, os EUA já receberam 140 toneladas de mel produzido no Vale do Aço. Este montante supera em 75% o volume de exportações registrado no mesmo período de 2007.Nossas expectativas em relação à Europa não são otimistas, no que diz respeito à adaptação dos apicultores às novas exigências. Não dá para fazer previsões de quando estaremos novamente aptos a exportar para os países da UE. Nossas atenções estão voltadas para os Estados Unidos, cuja demanda pelo mel impediu que a entidade interrompesse suas atividades”, conclui Antônio Rolla. Leia mais:Fim do embargo gera otimismo
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