Fechamento de graxaria gera crise

Sem recolhimento de subprodutos, supermercados enfrentam dificuldades

Wôlmer Ezequiel


Acúmulo de ossadas nos açougues preocupa gerentes de supermercados

IPATINGA – Gerentes de supermercados e açougues do Vale do Aço estão preocupados com a paralisação temporária das atividades da graxaria do Frigolima, localizada no bairro Limoeiro, em Ipatinga. A medida foi adotada por técnicos da Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam), porque a empresa operava sem licença ambiental. A determinação da Feam é que a graxaria suspenda suas atividades até a renovação do documento. No entanto, se o estabelecimento não obedecer às determinações impostas pela fundação, terá de encerrar as atividades de graxaria definitivamente. Como efeito da decisão, supermercados, açougues e estabelecimentos de abate estão sem um local para o recolhimento das ossadas e subprodutos oriundos da atividade.

Em Timóteo, o gerente do Supermercado Brasil, no bairro Timirim, Cléber Oliveira, considera preocupante a situação que enfrenta com o fechamento da graxaria no Limoeiro. A empresa recolhia ossadas e subprodutos diariamente e, sem a retirada de ontem, a situação já começa a ficar complicada. “Só o supermercado do Timirim gera, por dia, uma média de 150 a 200 quilos de subprodutos e ossadas de frigoríficos”, conta o gerente.

Por enquanto, Cléber pretende colocar os resíduos dentro de uma das duas câmaras frigoríficas, mas admite que consegue manter a situação sob controle por, no máximo, quatro dias. “No começo do mês, como estamos agora, o volume de vendas aumenta muito e aí fica complicado enfrentar isso”.
 
O gerente, que acaba de retornar de férias, admite que tem um grande problema pela frente e espera que seja resolvido logo o impasse entre a graxaria em Ipatinga e os órgãos ambientais. Como não há outra empresa para fazer o recolhimento das ossadas, o gerente informa que discute o assunto com os fornecedores e ainda não há uma conclusão.

Acúmulo de ossadas
Em Ipatinga, o gerente do Supermercado Garcia, no Canaã, Marcelo Magno dos Reis Horta, também confirma que a situação é crítica. A graxaria fazia o recolhimento de ossadas diariamente em seu estabelecimento, na avenida Selim José de Sales entre os dias 1º e 10 de cada mês. Após o dia 10, conta o gerente, o recolhimento era de dois em dois dias. Com a paralisação das atividades da graxaria, ontem não houve recolhimento e a câmara frigorífica do supermercado começa a ficar cheia de ossos.

“E o pior é que ainda não encontrei uma alternativa. Não agüento nem mais um dia, porque as pessoas já receberam os salários e começam a fazer as compras do mês. Com isso, aumenta a venda de carne e, na mesma proporção, o acúmulo de ossadas”, afirma o gerente.

Marcelo Magno afirma que, sem o resfriamento, as ossadas começam a exalar mau cheiro em dois dias e, como não pode jogar o material nas ruas, tem que encontrar uma solução rápida para destinação das sobras. A sua expectativa é que consiga negociar com a empresa proprietária do aterro sanitário particular em Santana do Paraíso uma saída para a crise até que seja reaberta a graxaria no Limoeiro. O problema visto pelos gerentes de supermercados é que, para isso, terão que pagar à empresa pelo serviço. No caso da graxaria, o recolhimento era feito gratuitamente.

Poluição
A polêmica que envolve a graxaria do Frigolima se agravou em 12 dezembro de 2006, quando o Ministério Público propôs um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para que a empresa instalasse filtros e adotasse uma série de medidas para reduzir os impactos ambientais de sua atividade. A ação do MP foi provocada pela manifestação dos moradores do bairro Limoeiro, incomodados com o mau cheiro gerado pela manipulação de ossadas e subprodutos de origem animal. Também em assembléia geral no dia 3 de julho, o Conselho de Defesa do Meio Ambiente (Codema) deliberou pelo fechamento da empresa, por entender que a atividade industrial desenvolvida na Frigolima é incompatível com a área urbana.

A decisão foi tomada pelo órgão enquanto, segundo o proprietário, Jorge Andrade de Souza Lima, eram feitos investimentos para atender ao TAC assinado no MP. O empresário conta que, há quatro meses aproximadamente, foi concluída a primeira parte do projeto que previa a instalação do filtro para tratamento de gases. O projeto foi executado por uma empresa de Belo Horizonte, especializada em graxarias. “Como previsto no TAC, o tratamento de gases está em funcionamento desde 28 de junho, que era o prazo final acordado”, explica Lima. A graxaria do Frigolima é a única em um raio de 200 quilômetros a partir de Ipatinga, que faz a coleta de subprodutos de frigoríficos.

O material, após ser “cozido” em digestores é processado e transformado em sebo e em farelo de osso e carne para ração animal.
Em Belo Horizonte, a assessoria da Feam informou que o caso da graxaria do Frigolima está sob análise. A decisão partiu da Superintendência Regional em Governador Valadares, de onde é feito todo o acompanhamento do caso. 

Ossadas começam a aparecer em lixeiras

Na Vital Engenharia, empresa que opera o aterro sanitário em Santana do Paraíso, o gerente Lélis Antônio Carlos confirma que o equipamento é licenciado para receber matérias orgânicas, como os restos animais. “Tudo o que é orgânico pode ser destinado ao nosso aterro. Como os restos dos açougues não são um resíduo público, não recolhemos porque não está no contrato de concessão. Mas podemos destinar um veículo específico e fechar contratos de coleta com as empresas interessadas. Esse contrato pode ser pelo tempo que os supermercados e açougues necessitarem”, informa o gerente.

Lélis também confirma que, desde segunda-feira, o pessoal do recolhimento do lixo doméstico e comercial tem percebido a presença de ossadas espalhadas em tambores de lixo em vários pontos da cidade. “Isso acaba por nos penalizar porque, se está na rua, temos que recolher. Esperamos que essa situação da graxaria se resolva o mais rápido possível”, conclui Lélis Antônio Carlos.

Alex Ferreira
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