Poluição visual: um problema crônico no Centro Comercial

Lojistas de Timóteo pedem providências aos órgãos públicos

Fotos: Augusto Pascoal


Poluição visual e vendas irregulares são apenas alguns dos problemas existentes na área

TIMÓTEO - O Centro Comercial há anos sofre com a poluição visual causada pelo uso indiscriminado de marquises e postes como expositores de cartazes e panfletos publicitários. Um dos pontos mais afetados por essa prática é o complexo de lojas situado na Alameda 31 de outubro, na quadra 17, onde hoje funciona a farmácia Associa, assim como prédio do antigo cinema Marabá.

As marquises externas dos prédios estão constantemente cobertas por cartazes e panfletos de eventos e promoções do comércio. Com a aproximação das eleições municipais em outubro, o quadro tende a piorar. O artigo 157 da lei 49.674 sobre Patrimônio Histórico Cultural prevê multa para os infratores. São cobradas três UFIRs (Unidade Fiscal de Referência) por cada cartaz anexado em qualquer estrutura de propriedade pública, como no caso das marquises localizadas no Centro Comercial. Cada UFIR está avaliada hoje em R$ 2,0623 no município. A multa pode ser evitada caso o autor da infração faça a limpeza do local.

“A fiscalização toma atitudes a partir de denúncias da população, pois não podemos estar em todos os lugares ao mesmo tempo, considerando que a incidência desse tipo de prática é grande. Realizamos limpezas regulares, porém, a situação é de difícil solução, pois quando voltamos ao local há outros cartazes”, explica Ulisses Valverde, coordenador da Divisão de Fiscalização da Secretaria de Planejamento.

Ambulantes prejudicam o comércio

A poluição visual é apenas uns dos problemas relativos às marquises dos complexos de lojas. Paulo Guerra, da Drogaria Associa, diz que o comércio é prejudicado também pela presença de vendedores autônomos que instalam barracas nos arredores do complexo e dificultam a entrada dos clientes nas lojas.

A secretária de Planejamento, Rosane de Sousa Abreu Costa, alega que poderia acionar a Polícia Militar para retirar os ambulantes. Porém, há uma preocupação social. “Agindo dessa forma estaria impedindo, talvez, a única forma de sustento familiar dessas pessoas, o que não resolveria o problema como um todo”, argumenta a secretaria. O assunto é mais complexo na opinião na opinião do diretor de Assuntos Públicos e Municipais da Aciati/CDL (Associação Comercial e Câmara de Dirigentes Lojistas), Flávio Gonçalves Leal. Ele diz que possui fotografias de placas de automóveis comprovando que grande parte dos comerciantes de calçadas é de municípios vizinhos, absorvendo a demanda do comércio em Timóteo. “Uma das fotografias mostra ambulantes entrando em uma caminhonete de alto valor, o que sugere um status financeiro considerável”, observa Flávio Leal.


Em várias ocasiões, a retirada dos cartazes sobra para os proprietários dos comércios
Comerciantes querem área coberta fechada

A Associação Comercial e Câmara de Dirigentes Lojistas e proprietários de lojas do prédio 135 da Alameda 31 de outubro sugeriram à Secretaria de Planejamento da Prefeitura o fechamento da área coberta ao redor do prédio. Contudo, não tiveram permissão. A responsável pela pasta, secretaria Rosane Abreu, esclareceu que a solicitação alteraria toda a fachada do prédio, desrespeitando a regularização da área como de domínio público.

Ao efetuar a venda das lojas, a Acesita (hoje Arcelor Mittal), cedeu a área externa para Prefeitura. “Devemos procurar realizar ações de parceira entre os proprietários e as diversas secretarias da PMT que são envolvidas diretamente na questão”, sugere Rosane Abreu.

Bruno Reis Alcântara, arquiteto da Secretaria de Planejamento e presidente do Conselho do Patrimônio Cultural, afirma que a intervenção foge às normas, considerando que se trata de um prédio histórico para a cidade. “A construção, da década de 50, com características neo-modernistas, é um patrimônio ímpar e faz parte do inventário da Prefeitura que visa à restauração de pontos históricos de Timóteo”, diz.  

Mau cheiro e medo rondam proximidades

O empresário Wagner Arcioni, da Promover Desenvolvimento de Recursos Humanos, afirma que outros aspectos como a constante presença de moradores de rua sob as marquises traz uma série de problemas. “Eles fazem suas necessidades fisiológicas nos arredores. Alguns usam bebidas alcoólicas e drogas, deixam papelão espalhado pela calçada e até mantêm relação sexual no espaço público durante a noite”, denuncia Arcioni.

O mau cheiro provocado pela urina no local é constante. Além disso, Arcioni alerta para a questão de segurança. “Durante a madrugada em que realizamos testes psicológicos na empresa, nossa segurança fica comprometida. Já encontrei uma faca ensangüentada enrolada em um pano quando cheguei à empresa pela manhã”, informa o empresário. Ele salienta que a Polícia Militar tem procurado cooperar fazendo rondas no setor, mas lamenta o fato de a segurança não ser permanente.

A Divisão de Assistência Social da Prefeitura assegura ter realizado há alguns meses visitas de identificação e aconselhamento aos moradores de rua da região Centro-Norte. Atestaram que, com algumas exceções, eles possuem referência familiar. Boa parte reside em Timóteo e mora na rua por opção. O Albergue mais próximo fica em Ipatinga, mas poucos se adaptam às regras da instituição.

Augusto Pascoal
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