Sexo frágil que nada

Meninas predominam na 1ª turma de construção civil do Senai

Fotos: Alex Ferreira


Rudeza do cimento não espanta meninas, que são maioria em curso de construção civil

IPATINGA – No pátio, um conjunto de pequenas casas de alvenaria e, ao redor delas, um grupo de jovens anda de lado para outro, apressado, a fazer medições, revirar massas, assentar tijolos e acertar o desnível de vigas nos vãos de portas e janelas. É uma turma de pedreiros? Mas a maioria é de meninas.

Bem, na verdade estamos no pátio de aulas práticas do curso de aprendiz na área de construção civil. No total, são 16 alunos que iniciaram as aulas em 11 de fevereiro e vão encerrar o curso em 11 de julho. Esta é a primeira turma do curso de construção civil do Senai Ipatinga.

O instrutor de Formação Profissional na Área de Construção Civil, Walter de Souza Reis, explica que os alunos vão sair do Senai como pedreiros de alvenaria, embora estejam preparados para todas as áreas, desde a locação até o acabamento, instalação hidráulica, ferragens e outros conhecimentos.

Interesse
O fato que mais chama a atenção no curso é que, do total de 16 alunos, 13 são jovens do sexo feminino, na faixa de 16 anos, e apenas três são do sexo masculino. A jovem Geovanine Silva Gomes disse que se interessou pelo curso de formação em construção civil por gostar da área. Além disso, pretende cursar Engenharia Civil quando tiver 18 anos e quer chegar à faculdade já conhecedora da base da profissão.

Em meio às colegas, todas jovens da mesma faixa etária, que resistem à rudeza dos equipamentos e ao cheiro ácido da massa de cimento, Geovanine termina a entrevista e se ocupa logo com um prumo, com o qual confere a verticalidade da parede que tinha acabado de levantar. Ela faz parte do grupo meninas que foi aprovado entre os inscritos para a primeira turma da formação profissional em construção civil.

Surpresa
O professor Walter de Souza Reis diz ter ficado surpreso com o desenvolvimento da turma. Depois de passarem pelas aulas teóricas, os alunos tiveram que colocar a mão na massa. “O pessoal aprende, nesta etapa, fazer locação, prumadas e entijolamento, como se fosse uma casa”, explica.

Em relação à situação das meninas, que formam maioria no curso de Construção Civil, o professor explica que elas se saíram muito bem. “Poderia dizer que, pela aplicação e dedicação, se saíram até melhor do que muitos marmanjos”, salienta o instrutor.

Motivação
Alan Vinícius Ferreira Rocha, 16 anos, é um dos três rapazes que integram a primeira turma de Construção Civil do Senai Ipatinga. Aprendeu a gostar da profissão com o seu pai, também pedreiro. Mas Alan pretende ir além, e consta dos seus planos o curso superior em Engenharia. “Por enquanto não encontrei nenhuma dificuldade. Aprendo tudo o que ensinam”, conclui.

Na mesma situação, Mateus Vilela diz gostar de desenho de planta de casas e acredita que o curso do Senai vai levá-lo pelo caminho certo. “O Walter, que é um ótimo professor, sempre nos dá dicas e temos aprendido de tudo com ele”, afirma.


Walter Bernardes: mercado aquecido e escassez deixa valorizada mão de obra
Pedreiro pode chegar a receber R$ 60 por dia

A depender do mercado local, os alunos do curso de Construção Civil do Senai terão emprego garantido em curto prazo. O instrutor de formação profissional do Senai, Walter de Souza Reis, afirma que a procura é muito grande pela mão-de-obra qualificada de pedreiro. “Ipatinga tem importado mão-de-obra por causa da escassez do profissional dessa área. Eles são atraídos principalmente pelos salários pagos pelo setor de construção civil”, esclarece.
Segundo Walter Bernardes, um bom pedreiro no mercado hoje não ganha menos do que R$ 50 por dia. “O mais valorizado é o pedreiro de acabamento. Dificilmente você encontraria hoje por menos de R$ 60 por dia”, acrescenta. 

Boom na construção civil atende demanda reprimida

Além de atribuir às grandes obras em Minas Gerais, o presidente do Sindicato da Indústria da Construção Civil em Minas Gerais, Walter Bernardes de Castro, explica que desde 2007 o setor não pára de crescer por causa do crescimento das construções de residências. “Havia uma demanda reprimida, que agora começa a ser atendida”, justifica. 

Walter Castro também lembra que a maior parte do déficit de 8 milhões de moradias no Brasil está concentrada na camada da população de baixa renda e as empresas, aos poucos, acordam para a potencialidade que esse mercado representa.

Para o presidente do Sinduscon, com o alongamento dos prazos de financiamento imobiliário, muitas famílias que estavam fora da possibilidade de conseguir uma linha de crédito passou a conseguir o recurso. Além disso, os bancos privados atentaram para esse nicho do mercado. “Os bancos privados passaram a atuar de maneira muito agressiva e, na concorrência, passaram a oferecer cada vez mais vantagens aos mutuários. Toda essa conjuntura leva a essa explosão do crescimento imobiliário”, observa.

Alex Ferreira
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