Comércio fechado divide opiniões

Fotos: Roberto Sôlha


Miriam: empregados não podem ficar privados dos feriados

IPATINGA - Para evitar que os hipermercados interrompam suas atividades no feriado de Corpus Christi, comemorado no próximo dia 22, o Sindicato do Comércio do Vale do Aço (Sindicomércio) irá impetrar recurso no Tribunal Regional do Trabalho (TRT-MG) para derrubar liminar expedida pelo juiz da Primeira Vara de Trabalho de Coronel Fabriciano, Jonatas Rodrigues de Freitas.

No último dia 26, o juiz acatou o pedido de liminar do Sindicato dos Empregados do Comércio de Ipatinga (Seci) para que a classe patronal liberasse seus funcionários em datas especiais. A sentença baseia-se na Lei Federal nº 11.603, de dezembro de 2007, e determina que o trabalho no comércio nos dias feriados, inclusive em lojas de shopping, supermercados e varejões, só pode acontecer se houver acordo com o sindicato dos trabalhadores.

No entendimento do Sindicomércio, a proibição afeta a prestação de serviços à população e causa prejuízos de ordem econômica, além de outros transtornos. “No início da semana, a mesma liminar foi concedida ao Sindicato dos Empregados do Comércio de Timóteo e Coronel Fabriciano (Secteo-CF). A medida irá causar impactos sociais negativos em todo o âmbito regional e pode abrir precedentes para outros segmentos comerciais fecharem suas portas durante o feriado. Imagina se as farmácias, por exemplo, também passem a interromper suas atividades?”, questionou o presidente do Sindicomércio, José Maria Facundes.

Prejuízos
Em função da possibilidade de outros setores do comércio fecharem suas portas em datas especiais, a entidade decidiu recorrer aos meios jurídicos para garantir o funcionamento de estabelecimentos que não abrem mão de trabalhar nos feriados. Na avaliação de Facundes, especialmente esta semana foi prejudicial para os consumidores do Vale do Aço, que tiveram que se apressar em função da comemoração de dois feriados e do conseqüente fechamento dos hipermercados. Segundo ele, na próxima semana o Seci e Secteo-CF irão apresentar uma proposta de benefícios a serem concedidos aos empregados que trabalharem em datas especiais.


Adilson e Tarcisio: o trabalho não deve ser interrompido
Correria
Para evitar passar o feriado de hoje sem os produtos básicos, a população lotou os grandes supermercados da região durante todo o dia de ontem. Para os gerentes dos estabelecimentos, a movimentação também foi intensificada pelo fato de ser início de mês, ou seja, época de pagamento. Apesar da correria e dos caixas cheios, alguns consumidores consideram a interrupção das atividades uma medida correta. “Os feriados são esporádicos e quem trabalha no comércio também precisa descansar. Só sairão prejudicados os desavisados que deixarem para fazer suas compras na última hora”, disse a dona-de-casa Miriam da Silva Andrade.

Já o motorista Maurício José da Silva considera que as empresas que funcionam nos feriados garantem benefícios aos funcionários, como folgas e horas-extras. “Por isso, não acho errado os supermercados continuarem atendendo”, avaliou, após ficar cerca de uma hora para conseguir fazer uma compra, quando normalmente levaria 20 minutos.

A mesma opinião é compartilhada por Adilson Mattos e o seu filho, Tarcísio Quaresma, que preferiram se precaver de qualquer eventualidade e foram ao supermercado ontem. Para eles, o fato da região possuir estabelecimentos que funcionam em datas especiais significa um avanço, principalmente no que diz respeito à economia e ao nível de empregabilidade da região. “Isso demonstra que a máquina está funcionando, que as pessoas estão trabalhando. Nas cidades mais avançadas do país, a coisa funciona da mesma maneira”, disse Adilson.
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