A lição da gestão compartilhada

Projetos diferenciam escola pública no bairro Bela Vista, em Ipatinga

Fotos: Alex Ferreira


Rosimeire comprova que é possível fazer escola pública de qualidade

IPATINGA – A diretoria da Escola Estadual Maurílio Albanese Novaes, que funciona no bairro Bela Vista desde 1980, tem um grande desafio pela frente: retomar o nome do estabelecimento como escola que presta um serviço público de educação de qualidade. A escola já foi considerada uma das melhores de Ipatinga, mas o tempo, a rebeldia inerente à faixa etária do público, a mudança de comportamento social e outros fatores se incumbiram de atrapalhar o curso dessa história. Agora, a diretora Rosimeire de Oliveira Grossi Faria incentiva a luta para que o educandário melhore e readquira esse reconhecimento.

A escola Maurílio Albanese conta com um quadro de 50 professores e cerca de mil estudantes distribuídos em turmas dos ensinos fundamental e médio, divididos nos turnos da manhã e tarde. A diretora Rosimeire Grossi relata que, entre as ações práticas para consertar a escola, chamou os pais, a comunidade do entorno, reuniu professores, colaboradores, mostrou os limites para os alunos (o uso de MP3 e celular no ambiente da escola estão proibidos) e conscientizou a todos de que há condições de fazer tudo melhor. “Principalmente pela estrutura, começa o diferencial dessa escola, construída pela Usiminas com um modelo arquitetônico adequado”, destaca Rosimeire, que se lembra ainda da primeira diretora a passar pelo estabelecimento, Conceição Soares, esposa do presidente da Usiminas, Rinaldo Campos Soares.

Diante de uma sociedade que se acostumou a classificar a escola pública como um serviço ruim, “que não tem jeito”, Rosimeire não tem medo de dizer o contrário, que há formas de ajeitar as coisas e mostrar que é possível fazer a escola pública de qualidade.

Projetos
De ação em ação, a escola comemora conquistas. Atualmente, tem aprovados pela Secretaria de Estado da Educação cinco projetos: Profissões; Carrossel das Letras; Protagonistas das Ciências, do professor João Paulo de Castro; Encontro Multifocais, coordenado pela professora Patrícia Rodrigues Lima Rabelo (voltado para atualização dos processos de educação); e Ambientar, um projeto coordenado pelo professor Jorge Luiz dos Santos, direcionado ao ensino de química, biologia e ciências.  A escola também conseguiu a terceira melhor colocação entre as escolas em Ipatinga nas provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e, pelos projetos desenvolvidos, uma verba do Estado no valor de R$ 150 mil para a cobertura da quadra poliesportiva.  Recentemente, teve montados dois laboratórios de informática que vão receber duas turmas de 40 alunos ainda neste semestre. “Até 2009, a disciplina prática de informática entra definitivamente para o currículo das escolas”, justifica.


O professor José Martins coordena um dos cinco projetos vencedores da escola Maurílio Albanese
Projetos cidadãos fazem a diferença

Entre os cinco projetos que diferenciam a Escola Estadual Maurílio Albanese, dois chamam a atenção por tratarem de questões práticas da cidadania. Um exemplo é o projeto “Profissões”. Coordenado pelo professor de matemática, José Martins Silva Júnior, fornece subsídios aos alunos na orientação profissional. O professor conta que o projeto nasceu diante das dificuldades que os alunos do 3° ano do ensino médio apresentavam na escolha de uma atividade profissional ou o que cursar no ensino superior. “É uma forma de ajudar o estudante a se encontrar, a escolher uma profissão frente ao mercado de trabalho”. O Profissões conseguiu, em 2008, pela quarta vez, aprovação para receber recursos da Secretaria de Estado da Educação. “Uma verba de R$ 6 mil para trabalharmos o projeto, inclusive viagens para fora do município”, explica.

Diante de um mercado de trabalho onde faltam técnicos e profissionais em diversas áreas e sobram em outras, José Martins Silva Júnior considera um desafio mostrar os caminhos profissionais que os jovens podem seguir. Alguns dos temas abordados nas palestras são o êxito profissional e o retorno financeiro. “Seria ideal se as duas coisas chegassem juntas, mas não é bem assim, e sempre ministramos esse tipo de conversa. Essa é uma realidade para a qual preparamos nossos alunos”, conclui Júnior.

Outro projeto ligado ao exercício da cidadania, o Carrossel das Letras, é coordenado por Cleonice Rodrigues Laignier e trabalha o letramento e a alfabetização. O trabalho é desenvolvido desde 2004 e também tem aprovação orçamentária pela Secretaria de Educação. O projeto trata de aspectos contextualizados da vida cotidiana, na interpretação de mapas, contas, contratos, leis, interpretação crítica de notícias publicadas em jornais, revistas e internet, além de informações técnicas em rótulos. Envolve estudantes dos ensinos fundamental e médio. A professora afirma que é gratificante ver resultados do trabalho que tem o empenho de cada integrante da equipe e que forma cidadãos críticos, capazes de conhecer e reivindicar os seus direitos.


Revisão para a prova de biologia ao lar livre anima estudantes do 1º ano do ensino médio
Modelo de escola viva

Em uma manhã nublada, andar pelo pátio da Escola Maurílio Albanese é ver uma escola viva. A reportagem encontra em uma quadra alunos a jogar vôlei. Outros, reunidos em torno de tabuleiros de xadrez, e ainda há aqueles que conversam animadamente com a professora. Debaixo de uma árvore, um grupo silencioso fazia a revisão para a prova de biologia, que teria a seguir. A professora tira dúvidas na hora. Henrique Celestino, do 1º ano, diz que a opção de fazer a revisão nessa circunstância é melhor, porque “do lado de fora” há mais tranqüilidade.

A colega Samira Teixeira gosta da dinâmica do estudo em grupo e Brenda Kelly afirma que a forma “diferente” de estudo ajuda a evitar o clima repetitivo da sala de aula. Em comum, todos ali reunidos se mostram preocupados com o vestibular que deverão enfrentar dentro de dois anos e meio, quando concluem o ensino médio. Ainda no pátio, encontramos o estudante Hernane de Freitas Martins, 17 anos, concluinte do terceiro ano. Ele acompanha a vida da escola há sete anos e afirma que é das melhores de Ipatinga. Lamenta ter que deixar a escola no fim de 2008, mas tem que cuidar da seqüência dos estudos. Hernane pretende disputar vagas na Federal e já se prepara.
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