Fim do embargo gera otimismo

Apicultores aguardam liberação para abastecer o mercado alemão

Roberto Sôlha


Antônio Rolla prevê a comercialização de 500 toneladas do mel produzido pelos apicultores da Aapivale

IPATINGA - Depois de uma fase próspera, nos últimos dois anos a Associação Regional de Apicultores e Exportadores do Vale do Aço (Aapivale) sofreu a pior crise de sua história. A exemplo de outras entidades de apicultores do país, a associação sentiu o impacto do embargo da União Européia (UE) à importação de mel produzido no Brasil. Antes da proibição, os apiários nacionais exportavam de 70% a 80% de sua fabricação para o mercado europeu. Nesses dois últimos anos, empresários do setor estimam que 20% dos entrepostos e 15% dos criadores faliram por falta de comprador. Para a Aapivale, sobreviver em meio a essa crise foi desafiador.

Conforme o gerente administrativo da associação, Antônio Rolla, o fato da Aapivale ser impedida de exportar para a Europa, especificamente para a Alemanha, levou à uma reavaliação dos trabalhos e à abertura de novos mercados consumidores. “O embargo teve início em fevereiro 2006. Antes, exportávamos a maior parte de nossa produção para a Alemanha, país considerado o maior importador de mel do mundo. Por sua vez, os países que compõem a União Européia correspondem aos maiores consumidores. Estas informações já ilustram as dificuldades para sobreviver durante esses dois anos de embargo. Sem vender para esses mercados, automaticamente tivemos uma estagnação na produção brasileira”, explica Rolla.

Os impactos causados pelo embargo induziram a busca por outras alternativas. No caso da Aapivale, uma das soluções para dar vazão à produção foi se voltar ao mercado interno e à exportação para os Estados Unidos. Nesse ínterim, os apicultores buscaram se adaptar às novas regras impostas pelos europeus, como a obrigatoriedade da comprovação de registro do entreposto (empresa exportadora) e a comprovação das boas práticas de fabricação.

“A distribuição para o mercado interno é feita com uma logística mais ágil, porque não envolve as mesmas obrigações que o Ministério da Agricultura exige para as exportações. Por sua vez, o mercado externo envolve transporte marítimo e uma série de providências ligadas à área de saúde e veterinária. Então, as soluções encontradas foram redistribuir o produto para o Brasil e para os Estados Unidos. Eles já eram importadores antes do embargo, mas em menor escala. No entanto, a desvalorização do dólar também acabou afetando o preço do mel e reduzindo os lucros dos apicultores”, explica.

Em 2003, a Aapivale obteve o melhor desempenho de sua história, exportando 500 toneladas de mel somente para a Europa. Em 2004, em função de fatores climáticos e da alta incidência de chuvas, este volume foi reduzido para 260 toneladas. “No ano seguinte, a produção começou a se estagnar, como se os produtores já estivessem prevendo o embargo que viria a acontecer em 2006”, conta.

Impactos negativos

Conforme o gerente administrativo da Aapivale, em 2003 a tonelada de mel era vendida em média por U$ 3 mil, valor que caiu à metade após o embargo. Com a baixa cotação da moeda norte-americana, muitos apicultores associados decidiram interromper suas atividades. Antes do embargo, a associação contava com 119 associados. Desde 2006, mais de 60 se desligaram da Aapivale por não terem conseguido se adaptar à nova realidade do mercado de produção e exportação de mel.

“Quando o dólar estava bem cotado e as exportações estavam atingindo seu auge, muitos produtores investiram alto na aquisição de colméias, na compra de automóveis e de equipamentos. Foi um golpe duro que eles sofreram, porque houve muitos transtornos. Entretanto, atualmente vários destes apicultores desistentes estão retomando suas atividades aos poucos, porque há um otimismo em função do fim do embargo. Para 2008, a previsão é de produzirmos de 300 a 350 toneladas de mel orgânico. Esse volume, somado ao mel convencional, vai possibilitar a meta de comercializar 500 toneladas de mel este ano”, prevê o gerente administrativo da Aapivale.

Apesar de os apicultores terem se adequado às normas exigidas pelos europeus, ainda não há previsão de quando o mel produzido no Brasil voltará a ser exportado para a UE. Atualmente, o Ministério da Agricultura está cuidando do processo de homologação pelo fim do embargo. Somente após este trâmite o produto poderá ser comercializado novamente na Europa.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: falecomoeditor@diariodoaco.com.br

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

ENVIE O SEU COMENTÁRIO