Radares móveis estão de volta

Punição a infratores considerada medida viável para diminuir acidentes

Fotos: Wôlmer Ezequiel


Para o major Jesimiel Macedo, a presença de radares móveis vai coibir bastante o elevado número de acidentes

IPATINGA - Em diversos pontos do Vale do Aço outdoors recomendam: “Imprudência, pára com isso”, “Paz no trânsito”, “Se beber, não dirija”, “Consciência”. Essas mensagens repetem apelos de campanhas institucionais do governo, mas na prática são ignoradas pelos motoristas, conforme demonstram as estatísticas de ocorrências policiais.

Dados da 12ª Companhia Independente de Meio Ambiente e Trânsito Rodoviário revelam que, em janeiro deste ano, ocorreram 58 acidentes nas rodovias que cortam a região, resultando em três mortes e ferimentos em 42 pessoas. Ainda em relação ao primeiro mês de 2008, 429 autuações foram aplicadas. “Certamente, com mais fiscalização diminuem os índices de acidentes. Seja pela velocidade elevada, a falta de habilitação que gera a imperícia, e alguns outros casos, a presença dos patrulheiros nas rodovias faz cair os índices”, diz o major Jesimiel Macedo da Silva, comandante da 12ª Companhia Independente.

As três mortes apenas em janeiro aumentam a preocupação das autoridades de trânsito na região, haja vista que, no ano passado, foram sete óbitos. “É uma incidência bastante elevada, resultado da forma inconseqüente com que muitos motoristas assumem a direção do veículo”, acredita o major. Em relação aos números de 2007 no trecho do Vale do Aço das BR-381 e 458, no trecho compreendido entre o distrito de Cachoeira do Vale, em Timóteo, até a saída para Caratinga, foram 629 acidentes. Nas 321 ocorrências com vítimas, em 244 acidentes motoristas e passageiros ficaram em estado grave. “E sete pessoas perderam a vida de maneira banal. A imprudência de muitos condutores de veículos, o uso de bebidas alcoólicas são as principais causas desse problema”, afirma Jesimiel.

Na tentativa de conter essa escalada, haverá mais rigor na fiscalização para evitar os abusos nas rodovias, com a aplicação de multas a quem infringir as leis de trânsito. “Aumentar a fiscalização é uma necessidade. E a possibilidade de sentir no bolso o peso de uma transgressão levará muitos motoristas a guiar com mais prudência”, salienta o oficial.

Radares móveis para reduzir perigo

Na manhã do último dia 13, o aposentado José Domingos de Sá, 63, morreu ao ser atropelado por um Santana Quantum quando atravessava a avenida Tancredo Neves (BR-381), próximo ao trevo de Fabriciano, no bairro Bom Jesus. De acordo com informações do condutor do veículo, o aposentado atravessou a pista sem se preocupar com o trânsito. O ponto é considerado pela PM de trânsito como o trecho mais crítico da BR-381 no Vale do Aço.

A situação levou as autoridades a refletirem sobre as medidas mais adequadas para ao menos diminuir os índices de acidentes. De imediato, instalação de radares e aumento do patrulhamento nas rodovias. “Temos como meta para 2008 a diminuição dos acidentes em 30%. O aumento da fiscalização, aliado à presença mais constante de patrulheiros nas rodovias é a forma mais eficiente que encontramos nesse momento. Nesse sentido, vamos receber radares móveis para atuarmos com mais rigor”, admite o major Jesimiel Macedo da Silva.

Para o prefeito Chico Simões, os radares móveis podem ser a garantia da vida de pedestres, ciclistas e motoristas. Ele defende a instalação destes dispositivos sem a necessidade de aviso prévio. “O motorista seria apenas avisado por placas sobre a presença de radares móveis no trecho. Não vejo isso como atitude arrecadatória, mas uma forma responsável de se evitar que vidas continuem a ser ceifadas impunemente”, diz Simões.

Municipalização
A Prefeitura de Fabriciano não tem autorização para mexer em nenhum trecho da rodovia. Simões adiantou que, concluídas as obras de drenagem no Caladinho, pedirá a municipalização da avenida Tancredo Neves. “A instalação de dispositivos eletrônicos vai ser imediata, pela eficácia no combate à negligência no trânsito”, espera.

Mudança cultural é demorada

Na avaliação do prefeito de Coronel Fabriciano, Chico Simões (PT), ações efetivas para conter o avanço da violência no trânsito devem estar ligadas à punição. “Pelo menos de imediato. A médio e longo prazo, é possível trabalhar a educação dos condutores, especialmente dos mais jovens. O que acontece hoje é que a juventude transporta para as ruas todo o espírito de competição comum da idade, mas não pode ser assim”, acredita o prefeito.

Simões faz alusão também à resolução do Contran que, na semana passada, autorizou as escolas de ensino médio a oferecerem aulas de legislação. Com isso, alunos que cursarem 75% da carga horária ficam aptos a fazerem a prova do Detran. “Isso é muito importante, especialmente se começarem com essa noção desde o ciclo básico. Nas escolas da rede municipal em Fabriciano isso já é uma realidade. Mas devemos levar em consideração o fato de qualquer mudança cultural na sociedade demorar de 20 a 25 anos para ser absorvida. Então, até lá, é preciso aumentar a punição a quem comete qualquer tipo de irregularidade no trânsito”, completa Simões.


José Carlos: instalação de radares em trechos perigosos da 381 é uma solução viável
Ciclovia é pouco utilizada em trecho perigoso da 381

A escassez de recursos é um obstáculo à instalação de passarelas na avenida Tancredo Neves (BR-381), especialmente nos trechos mais críticos. Esse é outro fator que reforça a importância de criar mecanismos para limitar a velocidade.
Para José Carlos Soares, 34, vendedor de uma loja de autopeças localizada em frente à garagem da empresa de transportes Rio Doce, além dos radares eletrônicos, a instalação de passarelas facilitaria a vida de muitos pedestres. “É uma BR, mas o trecho em área urbana se assemelha a uma avenida e isso potencializa o perigo. As pessoas perdem a noção de espaço e são atropeladas ao menor descuido”, diz.

Segundo ele, o desrespeito não é exclusividade dos motoristas. Muitas pessoas não utilizam a ciclovia. Já os ciclistas teimam em disputar  espaço com os carros na rodovia”, critica. José Carlos ressalta ainda a necessidade de as pessoas se conscientizarem sobre os cuidados que devem ter no controle de uma direção. “Não se deve colocar a vida de ninguém em risco”, pontua. Em relação aos radares, José Carlos é taxativo ao mencionar que é a favor, na expectativa de que o valor da multa vai estimular um comportamento mais civilizado ao volante.

Roberto Bertozi
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