Bombeiros redobram alerta

Polícia Ambiental intensifica vistoria em áreas sensíveis a queimadas

Wellington Fred


Um incêndio criminoso destruiu uma casa no bairro Iguaçu, em Ipatinga, na última quarta-feira

IPATINGA - O intenso período de seca deixa em alerta o Corpo de Bombeiros e a Polícia Ambiental no Vale do Aço. No período de 2 de julho até a última sexta-feira, 24, a Polícia Ambiental havia registrado 39 ocorrências de queimadas na região, incluindo a prática criminosa de incêndio.

No bairro Iguaçu, por exemplo, duas casas foram atingidas quase simultaneamente por incêndios criminosos que tiveram origem no mato seco. O caso mais recente ocorreu na quarta-feira, 22, na rua Pérola, na região conhecida como Game, onde uma casa de madeira ficou completamente destruída pelas chamas. Não havia ninguém na residência no momento do incidente. O outro caso aconteceu dois dias antes, na rua Araribóia, no alto do Iguaçu, onde a casa do catador de recicláveis José Balbino de Oliveira, 63, também ficou destruída pelo fogo. Em ambos os casos, a polícia não identificou os autores do incêndio criminoso.

Conforme o sargento José Carlos, da 12ª Companhia de Meio Ambiente e Trânsito, desde o dia 2 de julho a corporação começou a executar uma ordem de serviço de prevenção contra o incêndio florestal, que segue até outubro. Ao todo, foram aplicados R$ 2.244,13 de multa. Até o momento, foram feitas sete notificações de incêndios, mas apenas quatro autos de infrações foram lavrados. “Nem sempre é possível localizar o infrator, o que dificulta a apuração das causas das queimadas”, diz José Carlos, informando que a Polícia Ambiental vistoriou desde julho 24 propriedades urbanas e rurais propícias aos incêndios.

De acordo com José Carlos, o Parque Estadual do Rio do Doce, que abrange boa parte de Timóteo, tem sido um dos locais mais vistoriados pela Polícia Ambiental. “A área da reserva é muito sensível às queimadas, especialmente nesta época do ano, por isso intensificamos a inspeção”, pontua.

Punições
No Brasil, provocar incêndio é crime, previsto na Lei Federal nº 9.605/98, no Decreto Estadual nº 44.309/2006 e na Lei contra Incêndios Florestais, nº 10.312. Mesmo assim, são registrados mais de 200 mil incêndios por ano. Conforme o sargento José Carlos, os infratores estão sujeitos a várias sanções. “A lei proíbe a prática de incêndio em florestas ou demais vegetações. O autor de crime de incêndio é autuado e multado. Em caso de flagrante, é preso e conduzido à Delegacia de Polícia”, informa.

José Carlos lembra que o incêndio controlado é permitido, mas desde que seja liberado por algum órgão ambiental, por exemplo, o Instituto Estadual de Florestas (IEF). “A queimada controlada é permitida, mas se ela não for liberada por órgão ambiental, a pessoa será punida mesmo se ela tomar as precauções corretas para sua realização”, adverte.

Prejuízos ao ecossistema
Não é apenas a vegetação que é prejudicada com as queimadas. O solo e todos os seus organismos vivos ficam comprometidos. Segundo o sargento José Carlos, da 12ª Companhia de Meio Ambiente e Trânsito, algumas áreas atingidas sofrem danos de diversas naturezas. “Algumas áreas atingidas às vezes demoram anos para se formar, mas às vezes o fogo as destrói em poucos minutos. Além da vegetação, outros elementos do ecossistema, como microorganismos e animais, tornam-se vítimas das chamas. Enfim, todo o ecossistema do ambiente queimado fica comprometido”, observa.

Bruno Jackson


José Carlos diz que a Polícia Ambiental já aplicou R$ 2.244,13 de multa referentes a crimes de incêndio na região

Seis ocorrências por dia

O Corpo de Bombeiros revelou ao DIÁRIO DO AÇO que, em média, são registradas seis ocorrências de incêndio por dia em Ipatinga, Coronel Fabriciano e Timóteo. Na região, na maioria dos casos os incêndios são criminosos, segundo o sargento Gildo dos Santos Silva, da corporação em Ipatinga. “A população deve estar atenta e denunciar à polícia quem ateia fogo criminoso em áreas urbanas e rurais”, completa.

O sargento Gildo revelou à nossa reportagem que, na última quinta-feira, atendeu uma ocorrência de incêndio florestal no bairro Olaria, em Timóteo, em que o estrago foi devastador. “O fogo destruiu cerca de 30 hectares de uma vegetação rasteira, com árvores de médio porte. Não foi possível localizar o autor (ou autores) do crime”, lamenta Gildo, acrescentando que a área atingida é uma reserva municipal.

Orientações
Conforme o sargento Gildo, uma das principais funções do Corpo de Bombeiros é orientar a população sobre os riscos de se fazer queimadas descontroladas ou provocar incêndios, bem como dar dicas de prevenção. Ele afirma que uma medida preventiva fundamental para quem vai realizar uma queimada controlada, por exemplo, seja em propriedades urbanas ou rurais, é providenciar aceiros (corredores isolantes entre um terreno e outro).
 
“Os aceiros evitam que o fogo se alastre para outras áreas. Contudo, há outras orientações que podem ser adotadas pelas pessoas para evitar qualquer tido de incêndio. Por exemplo: não queimar lixo às margens de BRs, não jogar ponta de cigarro em matas, evitar colocar fogo em lixo ou folhas das árvores dos quintais ou das ruas, que devem ser recolhidos pela equipe da prefeitura, entre outras medidas”, orienta o sargento do Corpo de Bombeiros.

Números de “Disque Denúncia” em casos de incêndio:

193 - Corpo de Bombeiros
194 - Polícia Ambiental
0800-283-2323 - Previncêndio

Bruno Jackson
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