Prévia surpreende prefeitos

Dados iniciais de censo do IBGE apontam que a população do Vale do Aço cresceu menos do que o esperado em várias cidades

Wôlmer Ezequiel


Antônio Dias: uma das cidades com redução da população constatada no censo 2007

IPATINGA - Prevista para o dia 25 de agosto, enfrenta atraso a divulgação do resultado oficial do censo 2007 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A coleta iniciada dia 16 de abril aconteceu por meio de duas pesquisas realizadas simultaneamente e de forma integrada – o Censo Agropecuário, em todo o país, e a Contagem da População, nos municípios com até 170 mil habitantes. Segundo o IBGE, é a primeira vez no país que essa operação censitária ocorre de forma totalmente informatizada, com as entrevistas realizadas em computadores de mão equipados com receptores GPS e mapas digitalizados. Com o uso da tecnologia, o IBGE espera fechar todo o trabalho no próximo dia 31. O orçamento previsto para toda a operação é de cerca de R$ 560 milhões.

A contagem da população interessa aos prefeitos de vários municípios, na expectativa de documentar o aumento da população. Na prática, os governantes estão de olho na possibilidade de aumento dos repasses federais de dinheiro público. É por meio de dados demográficos que são calculados os repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e verbas para a saúde e educação. Mas os primeiros dados revelam que a realidade é bem diferente da esperada.  

População em queda
Os resultados parciais obtidos em municípios do Vale do Aço e que estão em processamento na sede do IBGE no Rio de Janeiro mostram a necessidade de revisão na estimativa de crescimento da população em várias cidades. O único município da região que teve crescimento populacional dentro da estimativa foi Santana do Paraíso. Conforme se previa, o quarto município da Região Metropolitana do Vale do Aço tinha oficialmente pouco mais de 18 mil habitantes no censo de 2000, agora aparece com 22 mil habitantes. O aumento populacional, no entanto, não interfere no repasse de recursos federais para o município porque, em termos populacionais, permanece com o índice 1.2, por meio do qual são estabelecidas faixas de repasses de recursos federais.

Outra grande expectativa era em relação a Coronel Fabriciano, que esperava pela confirmação de uma população superior a 105 mil pessoas, mas a contagem apontou apenas 99 mil habitantes. O município teve queda no índice de 3.2 para 3.0. Em Timóteo, a expectativa era que a cidade tivesse 79 mil habitantes, mas o censo 2007 comprovou pouco mais de 74 mil habitantes e permanece com o índice 2.2 de repasse do FPM. Em Antônio Dias, a estimativa populacional era para uma população superior a 10 mil habitantes, mas o censo registra queda na população. O município tem hoje, segundo os dados preliminares do censo 2007, cerca de 9.400 habitantes. O índice do FPM de Antônio Dias cai de 0.8 para 0.6. Em Joanésia, a maior queda demográfica na região. A estimativa era de uma população de cerca de 6.400 pessoas, mas o censo 2007 apontou agora 5.600 habitantes. Neste caso, a queda da população é atribuída ao fim das obras da Usina Hidrelétrica de Porto Estrela.

Conseqüências
Em Ipaba, onde a estimativa era de 16 mil habitantes, o censo apurou cerca de 14 mil pessoas. Com isso, o coeficiente do FPM continuará no patamar de 1.0. O prefeito José Vieira de Almeida (PFL) contesta o resultado preliminar do censo 2007 do IBGE. O prefeito afirma que vai esperar a divulgação dos números oficiais para exigir explicações. Vieira diz que outro levantamento, feito pelos agentes do Programa de Saúde da Família (PSF) aponta a existência de 17 mil habitantes em Ipaba.

“Se for o caso, vamos estudar até a possibilidade de questionarmos esse resultado do IBGE na Justiça”, afirma. Segundo o prefeito, a principal conseqüência de ter uma população e receber verbas com uma estimativa demográfica a menos é a dificuldade em arcar com as despesas na saúde, educação, saneamento e outros serviços essenciais. Com o índice de 1.0 Ipaba recebe, segundo o prefeito, entre R$ 450 a R$ 500 mil reais a título de repasse do FPM.

Em Coronel Fabriciano, o secretário de Administração e Finanças, Marcos da Luz, presidente da Comissão Censitária Municipal, afirma que já havia indícios de que o município poderia registrar crescimento abaixo da expectativa. Como essa é uma realidade da maioria dos municípios, o secretário prevê a mobilização dos prefeitos no sentido de enfrentar a nova realidade populacional e evitar queda no repasse dos recursos federais.

Na agência regional do IBGE em Ipatinga, a informação é que equipes de recenseadores faz neste momento a revisão, já programada, do censo em vários municípios. Até o momento, todos os dados levantados pelas primeiras equipes foram confirmados.

A queda demográfica tem várias explicações nos relatórios do IBGE. Uma das mais comuns é que caiu o número de pessoas por residência, com o controle da natalidade. A média no censo 2000 era de cinco pessoas por residência. Agora, esse índice é de 3,5 pessoas por domicílio. Entram para os relatórios os fluxos migratórios em busca de emprego em outros lugares e situações como a de Coronel Fabriciano, onde em um total de 39 mil domicílios, cerca de 4 mil foram encontrados vazios.

Alex Ferreira
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