Reprovado por uma “simples sicose”

Jornaleiro alega ser injusta a desclassificação em concurso da PM

Bruno Jackson


Henrique já não possuiu mais a irritação no rosto, que teria sido a causa de sua desclassificação no concurso da Polícia Militar

IPATINGA - O jornaleiro Henrique Matos Soares, 25 anos, ficou indignado com a sua reprovação no exame médico do concurso público para o Curso Técnico de Segurança Pública (CTSP), da Polícia Militar. Conforme Henrique, sua desclassificado se deu em função de uma sicose (inflamação dos folículos pilosos, causada por bactérias ou fungos, segundo o dicionário Houaiss) na barba. “Considero esse detalhe ‘insuficiente’ para impedir o acesso de candidato ao exame psicológico, a última etapa do concurso”, argumenta. O jornaleiro chegou a entrar com um recurso após sua desclassificação. No último dia 20, entretanto, houve a divulgação do resultado de todos os recursos, e o de Henrique estava entre os pedidos indeferidos.

O exame médico do concurso da PM é dividido em duas fases: preliminares (clínicos) e complementares (laboratoriais). O jornaleiro lamenta o “azar” de fazer a barba no dia do exame complementar, que atestou a sicose. “Pela manhã, no dia do exame, decidi fazer a barba e a pele do meu rosto ficou um pouco irritada. Este foi meu azar, porque normalmente a irritação é mínima, quase imperceptível. Depois que peguei o resultado, percebi que o médico havia diagnosticado minha condição de ‘inapto’ devido à alergia. Fiquei sem entender, já que a irritação é irrisória”, diz. “Creio que se eu não tivesse feito a barba naquele dia, certamente teria sido aprovado e seguiria para a última etapa do concurso. É meio complicado acreditar que fui reprovado por uma simples sicose”, completa Henrique.

Laudo
Antes de entrar com o recurso, Henrique foi orientado a procurar um dermatologista com o objetivo de provar que a sicose não poderia ser um empecilho para sua aprovação no concurso da PM. “Consultei com uma dermatologista e nada de anormal foi constatado além da sicose. Então, anexei o resultado do laudo ao recurso. Infelizmente, não obtive êxito. Um amigo me orientou a entrar com outro recurso, mas sinceramente estou desanimado em retornar ao médico e a mexer com advogado”, comenta.

Impossibilidade
Segundo o tenente-coronel Sebastião Pereira de Siqueira, comandante do 14º Batalhão da Polícia Militar de Minas Gerais, apenas o Centro de Recrutamento e Seleção (CRS), em Belo Horizonte, pode dar explicações específicas sobre o caso de Henrique. Siqueira disse também que qualquer candidato ao concurso de CTSP que considere injusto o resultado de um recurso pode tentar outro pedido. “Todo o exame médico de concursos da PM é avaliado por uma junta de médicos de Belo Horizonte. Qualquer pedido de informação ou reclamação específica tem de ser dirigida ao CRS. Mas é importante ressaltar que toda a seleção do concurso da Polícia Militar é feita com critérios rigorosos. Além disso, no edital do concurso constam todas as informações de forma clara”, salienta.

Ao contrário do que sugere o comandante Sebastião Pereira de Siqueira, o CRS informou ao DIÁRIO DO AÇO que não há a possibilidade de um segundo recurso no caso de Henrique. “O candidato tem dois dias para entrar com o recurso após a veiculação do resultado de qualquer etapa do concurso. No entanto, o recurso possui instância única”, informou o subchefe do CRS-BH, major Francisco de Assis Leal.
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