22 de agosto, de 2007 | 00:00
A vez da campanha água e sabão”
Urologistas intensificam esforço para alertar sobre câncer de pênis
Alex Ferreira
Belizário: “sabão e água são amigos do homem na luta contra o câncer peniano”
IPATINGA O urologista Belizário Pereira afirma que é preocupante” o quadro de câncer peniano no Brasil. Segundo o médico, a doença atinge homens principalmente nas regiões mais pobres, embora não sejam incomuns em lugares como o Vale do Aço, onde há casos da doença, inclusive com a medida mais radical: a amputação do órgão. Já operei vários casos aqui. Já fiz amputação parcial e amputação total”.Segundo o urologista, normalmente o câncer de pênis começa com uma ferida, em uma área de vermelhidão. Atinge principalmente as pessoas que têm um excesso de pele, conhecida como fimose. Por isso é que a cirurgia de fimose é como se fosse um tratamento preventivo. Aquela espécie de sebo, acumulado debaixo da pele, é uma substância irritativa e provoca um processo inflamatório crônico, fator que favorece o aparecimento e o desenvolvimento do câncer de pênis”, explica.O mais importante, acrescenta o urologista, é que as pessoas entendam tratar-se de um tumor do qual se pode facilmente prevenir, com educação, água e sabão. O pessoal não gosta de construir escola nesse país, nossos dirigentes só querem resolver os problemas deles, não querem resolver os problemas dos pobres. Então, problemas como o câncer de pênis é uma doença de pobre e de pessoa mal informada, que não pratica corretamente a higiene”, dispara o médico.O urologista explica que a campanha, em âmbito nacional, é desenvolvida pela Sociedade Brasileira de Urologia (SBU), com o propósito de alertar a população que o Brasil está em terceiro lugar no ranking da doença, perdendo apenas para a Índia e Uganda. A doença, que atinge 2% da população masculina, está associada à infecção pelo HPV, o mesmo vírus que causa câncer de colo de útero nas mulheres. A campanha tem como estrela o ex-jogador Zico, que aparece nas peças segurando um sabão e uma esponja. Em todo o país, a SBU estima que no ano passado tenham sido realizadas cerca de mil amputações penianas. O médico mostra os dados da SBU no primeiro estudo epidemiológico sobre o câncer de pênis: 45% dos 281 casos estudados foram registrados no Nordeste; 85% deles ocorreram em homens brancos, 82% na faixa etária acima de 45 anos e 30% deram positivo para a pesquisa do HPV. Os dados foram coletados durante um ano, desde maio de 2006, por meio de questionários preenchidos por urologistas de todo o Brasil. Em regiões do Nordeste a doença chega a ser mais comum do que o câncer de próstata”, destaca o estudo.
O ex-jogador Zico é o astro da campanha que alerta os homens sobre o câncer de pênis
Metástase e morte rápidasAlém de perder o pênis, os homens atingidos pelo câncer de pênis correm o risco de a doença se espalhar para os linfonodos da região inguinal (localizada entre o pênis e a ossatura da bacia) e causar a morte em três meses. Por causa disso, cerca de 2/3 dos pacientes precisam amputar o órgão. O urologista ipatinguense Belizário Pereira acrescenta ser importante procurar o médico no caso do surgimento de qualquer ferida ou bolha no pênis. Ainda segundo a Sociedade Brasileira de Urologia, vergonha e preconceito são apenas alguns dos fatores. A SBU admite que há também falta de conhecimento sobre esse tumor por parte dos médicos. As feridas malignas podem ser confundidas com outras úlceras venéreas provocadas por doenças como a sífilis, por exemplo. Por isso, é importante que o médico esteja alerta. Se a ferida não sumir depois do tratamento para a sífilis, ele tem de pensar em câncer de pênis, diz o material informativo divulgado pela SBU. Para orientar a população, a SBU desenvolveu uma história em quadrinhos explicando as causas, os sintomas e as formas de prevenção. A amputação do pênis traz graves conseqüências. Alguns pacientes acabam cometendo suicídio. Os médicos explicam que a alternativa é a reconstrução peniana, com tecido de outras partes do corpo. Mas o efeito é apenas estético, não há sensibilidade. Camisinha muda quadro das DSTsMuito comuns até a década de 80, as doenças sexualmente transmissíveis tiveram redução significativa nos dias atuais. Essa situação é atribuída pelo urologista Belizário Pereira ao uso do preservativo, que se popularizou em função das campanhas de prevenção à Aids. Na esteira da Aids, estamos prevenindo uma série de DSTs. Muitas doenças que antigamente eram mais freqüentes, hoje em dia estão com incidência reduzida, de forma significativa. O que o ocorre é o seguinte: essas doenças não matavam. A sífilis, a blenorragia, uretrite por planídia e outras bactérias e fungos, são tratáveis com medicamentos. Agora, com a Aids, não, a doença mata e as pessoas ficaram com medo. Então, o uso do preservativo provocou uma redução na incidência de todas as doenças sexualmente transmissíveis”, explica Belizário Pereira. Mas redução não significa exatamente o fim da ocorrência das DSTs. O médico alerta que todos os cuidados precisam ser adotados para evitar a proliferação. Embora não tenha dados já computados, o serviço de Doenças Sexualmente Transmissíveis e Aids, na rede pública de saúde em Ipatinga, confirma que ainda registra casos de DSTs, inclusive sífilis, comprovando que a campanha pelo uso dos preservativos ainda não convence a todos. Alex Ferreira
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