CCZ já registra 62 pitbulls sacrificados


Anacleto pede aos proprietários de cães que não ajam de maneira precipitada

IPATINGA - A tragédia ocorrida no início do mês envolvendo a morte do pequeno João Gabriel Heringer Rocha, de apenas três meses, ainda está longe de ser esquecida pela população. Prova disso é o grande número de cães que continuam sendo entregues ao Centro de Controle de Zoonoses (CCZ) de Ipatinga. Desde o acidente acontecido no bairro Cariru, em que um pitbull atacou o recém-nascido, vários proprietários de cães dessa raça recorrem ao CCZ para deixar os animais aos cuidados da equipe de veterinários do local. Os pitbulls são sacrificados através da injeção de um anestésico que causa parada cardiorrespiratória em poucos minutos.

Conforme o médico-veterinário Fernando Pires Anacleto, gerente do CCZ, até o momento 62 pitbulls já passaram por esse procedimento, que é chamado de eutanásia pelos profissionais do Centro.

Além dos pitbulls, cachorros de outras raças consideradas perigosas foram entregues ao CCZ. “No total, foram 115 cães até agora. Os donos procuraram o Centro de Controle de Zoonoses por causa da apreensão em virtude do ataque ocorrido no Cariru. Tivemos que sacrificar cerca de 70% desses cães de outras raças”, informa Anacleto. De acordo com o veterinário, parte dos animais encaminhados ao CCZ após a tragédia foi capturada por homens da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros.

“Em virtude do medo de sofrerem ataques semelhantes, muitos dos proprietários têm soltado seus cães pelas ruas da cidade, que eventualmente são capturados por policiais ou bombeiros. Isso acontece por falta de informação ou por eles agirem de maneira precipitada. O correto é acionar a equipe do CCZ”, orienta Anacleto. A tragédia também é motivo de preocupação para pessoas que são vizinhas de casas onde há pitbulls ou outras raças consideradas agressivas. Nas últimas semanas, houve um aumento gradativo no número de cidadãos que ligam para o CCZ para obter informações. As pessoas que desejarem entregar seus animais aos técnicos do Centro de Controle de Zoonoses devem ir até a unidade do CCZ, localizada na avenida Simon Bolívar, nº 719, no Cidade Nobre, ou agendar o recolhimento do animal pelo telefone 3821-8383.

Segurança
Na avaliação do veterinário, o pitbull não é um animal adequado para ser criado em ambientes familiares. Para Anacleto, essa raça deveria ficar restrita às empresas de segurança ou equipes especiais da polícia, como os esquadrões anti-sequestro.

“O histórico da raça demonstra que ele sempre foi agressivo, porque é um cão usado em rinhas na Inglaterra e Estados Unidos. Quem estiver disposto a criar um animal dessa raça sempre deve pedir a opinião de um profissional. Através do conselho de um veterinário, o proprietário poderá avaliar melhor se o seu estilo de vida será condizente aos cuidados necessários que qualquer pitbull dispende”, explica Anacleto. Quanto ao nível de agressividade dos pitbulls, o veterinário explica que cães de outras raças também podem efetuar ataques com conseqüências drásticas. A centelha para despertar a raiva estaria ligada ao sentimento de posse que é característico a qualquer cão.

“Os cachorros demarcam seu território. Quando você chega perto da casinha ou da comida deles, eles já começam a esboçar reações. Como a principal arma desses animais é a mordida, muitos partem para o ataque quando sentem seu espaço ameaçado. Como os pitbulls são cães extremamente fortes, as conseqüências de seus ataques quase sempre são graves ou trágicas”, contextualiza o médico-veterinário.

Para ele, uma medida que ajudaria a garantir mais segurança contra esses ataques seria a implantação de microchips nos pitbulls, como já acontece em Belo Horizonte. Através do dispositivo, é possível levantar todas as informações sobre o cão, como as suas características físicas e a data de vacinação.

“Nós estamos estudando maneiras para que Ipatinga possa acompanhar essa tendência. Também sentimos a necessidade de o município contar com o seu próprio centro para a esterilização de cães e gatos. Dessa maneira, o controle populacional seria mais adequado à realidade do município, que possui hoje 20 mil desses animais cadastrados. Já enviamos o projeto para a criação desse local para o Ministério da Saúde, que por sua vez costuma liberar os recursos após um longo prazo de apreciação desses projetos”, finaliza Fernando Anacleto, adiantando que as obras para a construção de um Centro de Controle de Zoonoses com estrutura para esterilizar cães e gatos estão orçadas em R$ 2 milhões.    

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