24 de dezembro, de 2009 | 14:06

Alto-forno 1 da Usiminas tem o religamento adiado

Siderúrgica fecha o ano com apenas dois altos-fornos ligados

Wôlmer Ezequiel


ALTO-FORNO 1

IPATINGA – A Usina Intendente Câmara está sem previsão do religamento do alto-forno 1. A expectativa inicial era que o equipamento operasse a partir do fim deste ano, mas o desempenho abaixo do esperado do segmento industrial onde a Usiminas é líder levou a um novo adiamento.  O grupo possui em Ipatinga três altos-fornos, dos quais dois estão em operação, o 2 e o 3. Os altos-fornos 1 e 2 foram paralisados no fim de 2008. Em julho deste ano, o alto-forno 2 foi reativado e o 1 permaneceu parado. O alto-forno 3, único mantido em operação no auge da crise financeira internacional, no primeiro semestre de 2009 chegou a operar com a metade de sua capacidade e fecha o ano com a operação normal. No auge da crise, a Usiminas chegou a demitir 1.100 trabalhadores.
Na entrevista à imprensa regional sobre o mercado brasileiro de aço, no dia 5 de dezembro, o presidente da Usiminas, Marco Antônio Castello Branco, manifestou a expectativa de esperar para o primeiro semestre de 2010 uma reação no segmento onde a Usiminas é líder. O executivo explicou que a produção de aços planos deve encerrar 2009 com queda de 17% em relação a 2008.
No primeiro semestre, essa previsão era de queda de 40%. Segundo o presidente, embora tenha havido uma melhoria no consumo brasileiro de aço, esse crescimento não atingiu com tanto impacto os setores onde a Usiminas é líder de mercado.
Isso porque as áreas de bens de capital, principalmente tubos de grande diâmetro, máquinas agrícolas, máquinas rodoviárias e outras que gastam chapas grossas, especialidade da siderúrgica, ainda está com nível de ocupação em torno de 50%, considerado baixo. A reação atingiu, por enquanto, apenas o consumo de aço para automóveis, autopeças e embalagens, que está quase no nível registrado antes da crise do ano passado. Como ainda não veio a reação nos setores dos quais a Usiminas depende mais, como o de bens de capital, o alto-forno 1 permanecerá desligado.

Desoneração
A reação que atingiu alguns dos principais setores industriais brasileiros foi atribuída, principalmente, à desoneração tributária, proporcionada pelo corte do Imposto de Produtos Industrializados (IPI) para os setores automotivo, construção civil e aparelhos da linha branca (fogões, geladeiras e máquinas de lavar), que representam mais de 80% da demanda interna de aço. Os resultados estimularam o discurso daqueles que lutam pela desoneração tributária, considerada fundamental para o desenvolvimento econômico. Esse discurso levou verdadeiro balde de água fria na semana passada, pois o presidente Lula, reunido com empresários, afirmou que não é possível manter a redução tributária para sempre. “O Estado precisa dos impostos para ser fortalecido”, justificou o presidente.
 
Aço para habitação
Também para 2010 há expectativa de atendimento de um novo nicho de mercado pela Usiminas, que pretende disputar espaço no mercado de construção civil, utilizando uma tecnologia desenvolvida em parceria com universidades. A pretensão é fornecer estruturas para construir casas e atender famílias com renda de até três salários mínimos, um dos focos do programa “Minha Casa, Minha Vida”, também chamado de “PAC da Habitação”, do governo federal.
Pelas perspectivas traçadas pela empresa, a entrada no mercado de construção civil deve possibilitar incremento de 50% nas vendas de produtos pela Usiminas, pelos próximos cinco anos. Volta Redonda e Queimados, no Rio de Janeiro, e Uberlândia e Juiz de Fora, em Minas Gerais, estão entre os municípios onde já há projetos desenvolvidos para receber empreendimentos habitacionais com o aço produzido pela siderúrgica.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: [email protected]

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

Envie seu Comentário