12 de fevereiro, de 2016 | 18:57

Estudante de Fisioterapia indiciada por morte e abandono de recém-nascido

Mãe escondeu a gestação e confessou na Delegacia da PC que tramou a morte do filho


IPATINGA - A Delegacia de Investigação de Homicídios de Ipatinga considera concluída a apuração de responsabilidade sobre um bebê recém-nascido, encontrado dia 11 de novembro de 2015, morto, dentro de um banheiro no bloco C do campus do Unileste, no bairro Bom Retiro, em Ipatinga. A informação é do delegado Eduardo Vinícius. A mãe foi identificada como Alícia Lalau Souza, de 19 anos, estudante de Fisioterapia e moradora da cidade de Naque.

Conforme o Diário do Aço havia divulgado no balanço de crimes contra a vida em Ipatinga, no ano de 2015, o caso do bebê era tratado como homicídio, pela Polícia Civil e pelo Ministério Público. O delegado Eduardo Vinícius afirma que as investigações concluíram, a partir de depoimentos, que a jovem premeditou matar o filho desde o início da gravidez.

A família dela não sabia da gestação, escondida por faixas de tecido e roupas largas. Os exames da medicina legal indicam que o bebê nasceu saudável e viveu entre 24 e 48 horas.

Eduardo Vinícius disse que foi exemplar o comportamento da instituição de ensino perante o caso, em não compactuar com qualquer ilícito em suas dependências. As imagens das câmeras de segurança do campus auxiliaram na identificação da autora do abandono do bebê morto. Entre as características, tatuagens nas costas e roupas foram determinantes para que os investigadores chegassem à autora, que foi detida no momento em que chegava para estudar e em seguida levada para a delegacia onde confessou o crime.

"Não foi aborto, porque a necropsia comprovou que o bebê nasceu e viveu entre 24 e 48 horas e o aborto só ocorre quando o bebê nasce sem vida. Também não é o crime de infanticídio, que é admitido quando a mulher acaba de ter um filho, é tomada por um estado emocional fora de controle e acaba por matar o filho. Ela premeditou essa barbárie, desde a gravidez. Para ela era inconveniente, do ponto de vista social e financeiro, e iria atrapalhar na conclusão dos estudos. Confessou isso de uma forma muito fria. Simplesmente decidiu ceifar a vida de uma pessoa sem qualquer possibilidade de defesa", detalhou Eduardo Vinicius. [[##1189##]]

No depoimento, a jovem disse que entrou em trabalho de parto em sua casa, no município de Naque, trouxe o bebê para Ipatinga dentro de uma sacola plástica e o jogou dentro de uma lixeira no banheiro. "O recém-nascido morreu por sufocamento dentro da sacola", afirmou o delegado.

Eduardo Vinícius acrescentou que o inquérito está concluído, inclusive, com depoimento gravado, autorizado por Alícia Lalau Souza, admitindo que premeditou o crime. "Portanto, estamos diante de um homicídio qualificado", explicou o delegado.

Alícia respondeu o inquérito em liberdade. Caberá ao Ministério Público e ao Judiciário decidir se permanecerá em liberdade, aguardando o julgamento.

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