28 de novembro, de 2015 | 19:20
Assustados com assaltos, alguns taxistas querem mudar de profissão
Nem uso de máquinas de cartão, para evitar dinheiro, afastou criminosos dos motoristas
IPATINGA No mês de novembro, uma série de assaltos a taxistas deixou assustados os profissionais que prestam esse tipo de serviço em Ipatinga. Foram quatro assaltos consecutivos. Dois assaltos no dia 12/11, outro no dia 25 e o quarto no dia 27/11. O mais recente ataque ocorreu na manhã de sexta-feira, com a apreensão de dois adolescentes, ambos de 16 anos, em Santana do Paraíso. Com medo da violência, alguns profissionais já procuram outra atividade. Outros rejeitam corridas quando desconfiam do passageiro” interessado no serviço.
No caso mais recente, o taxista J.R.C., de 61 anos relatou para a Polícia Militar que estava no ponto de táxi na Praça Primeiro de Maio, no Centro de Ipatinga, na manhã de sexta-feira, quando dois jovens solicitaram uma corrida até o Residencial Bethânia.
Ao chegar ao endereço indicado, anunciaram o assalto e determinaram que o motorista entrasse no porta-malas do Chevrolet Classic prata placas OQL-2229, de Ipatinga. Um dos bandidos assumiu a direção do veículo e o conduziu em alta velocidade, em direção a Santana do Paraíso.
Ao se aproximarem da praça, no Centro, os criminosos reduziram a velocidade para passar sobre um quebra-molas. Nesse momento, o taxista, que havia conseguido abrir a fechadura, pulou do porta-malas e pediu socorro no 5º Pelotão de Polícia Militar. Uma equipe da PM saiu imediatamente em busca aos assaltantes que foram localizados, abordados e detidos. Os criminosos foram identificados como dois menores de idade, ambos de 16 anos. Com eles também foi recuperado o táxi roubado. Mas nem sempre o caso termina dessa forma.
Risco
A sequência dos assaltos contra os taxistas gera apreensão em quem trabalha com essa atividade. No terminal rodoviário de Ipatinga, poucos são os profissionais que ainda não foram assaltados. Quem ainda não foi, conhece um colega que já foi alvo dos criminosos.
Entre as vítimas, o Diário do Aço conversou com J.A., de 54 anos. Há dois anos ele trabalha como taxista e escapou de um assalto por pouco. J.A conta que recebeu um telefonema com solicitação de táxi na rua Jundiaí, bairro Caravelas, onde duas mulheres entraram e logo o renderam, determinando que seguisse para o bairro Vale do Sol.
No trajeto, falei para elas que o carro era rastreado e que a polícia, àquela altura, já estava na cola. Quando chegamos ao Vale do Sol, tinha outro cara esperando em um carro com os faróis apagados. Elas mandaram parar perto do veículo e já desceram dizendo que tinha sujado. Daí, me deixaram e fugiram. Foi um assalto bem planejado e tudo indica que o outro criminoso iria concluir o roubo”, observa.
J.A. afirma que, apesar das dificuldades em encontrar outro trabalho, por causa da idade, está em busca de outra ocupação. Acredito que 90% mudam de profissão, se encontrarem algo diferente para fazer. Sempre houve assalto a taxista, mas percebo que aumentou nos últimos meses. Esse crime é resultado da impunidade. Nem sempre a polícia pega os bandidos. A saída é todo ponto de táxi ter câmeras e a partir de agora e os carros não poderão circular mais sem rastreadores, como forma de inibir os criminosos”, concluiu.
Vítima
Quando vão falar sobre os assaltos, alguns taxistas são arredios. Sob a condição de não ser identificado, M.S., de 40 anos, relata que foi rendido por dois criminosos, colocado no porta-malas e levado para a BR-381 sentido a Governador Valadares, e depois para a estrada de Ipaba de Santana do Paraíso, onde foi amarrado a uma árvore, no meio de um matagal, e abandonado pelos assaltantes. O carro dele foi encontrado 11 dias depois, em Governador Valadares.
Saio de casa apreensivo, quando embarca um passageiro, não sei quem carrego. Taxista anda, no máximo, com troco para cliente, sempre menos de R$ 100. E muitos já têm máquina de cartão de crédito e débito. No meu caso, eles queriam o carro para vender. Nos últimos assaltos aqui, percebemos que eles queriam somente dinheiro”, conta.
Outro taxista, C.S., de 44 anos, é taxativo: Virou uma profissão de alto risco e gera muito medo. A gente sai de casa para receber pouco dinheiro e não sabe se vai voltar vivo. Sempre teve assalto, mas de um tempo para cá aumentaram os casos. A polícia até se empenha, quando há assaltos, mas é a realidade. Quando entra uma pessoa, tememos o que pode acontecer”, resume.
Já publicdo sobre assaltos a taxistas:
Dupla é flagrada com arma em um táxi, no bairro Iguaçu - 07/11/2015
Trio assalta taxista e planejava atacar casa de comerciante - 25/11/2015
Trio rouba táxi ao fimd e corrida ao Parque Caravelas- 30/09/2015
Outras de polícia no Diário do Aço:
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