25 de agosto, de 2015 | 20:15
"Autores de listas falsas não ficarão impunes"
Delegado da PC em Timóteo alerta que responsáveis por tumulto com listas falsas vão responder criminalmente
TIMÓTEO Uma lista com nomes de pessoas que supostamente seriam assassinadas na cidade tem como autor um adolescente de 17 anos, revoltado com um rival que ficou com sua ex-namorada. A conclusão é da Polícia Militar que, ao investigar uma tentativa de homicídio no bairro João XXIII, dia 15/08, também apurou a origem de uma lista em que nomes eram indicados para morrer por serem namoradores”, ou, popularmente chamados de pé de pano”.
Nos levantamentos, policiais foram à residência do jovem, no bairro John Kennedy que, diante de sua irmã, maior de idade, acompanhou as explicações do adolescente e apanhou um caderno em que estavam as marcas da lista que ele fez.
O caso ainda é investigado. A divulgação da lista, no fim de semana, gerou intranquilidade entre as pessoas. Depois da primeira lista, que tinha apenas alguns nomes, outras listas surgiram, com mais nomes. Uma das mais recentes tinha 50 pessoas relacionadas. Todas as listas eram falsas, mas os autores podem ser punidos.
Punição
O delegado de Polícia Civil, Augusto Drumond, afirmou ao Diário do Aço que já havia uma queixa de ameaça, por parte de uma pessoa que viu o seu nome na suposta lista que circula pelas mídias sociais, sobre os marcados para morrer”. Nos primeiros levantamentos, a Polícia Militar localizou o adolescente suspeito de ser o autor da primeira lista, no bairro John Kennedy.
Apreendido e levado para a delegacia, ele confessou que escreveu os nomes, na companhia de outro menor de idade, de brincadeira, para colocar medo em jovens que mexem com as namoradas dos outros. A lista foi divulgada primeiramente em um grupo do qual o jovem faz parte, mas proliferou rapidamente para outros grupos e virou preocupação”, afirmou o delegado.
Foi instaurado um procedimento por ato infracional praticado pelo autor confesso da lista. Augusto Drumond acrescenta que o outro menor envolvido também já foi identificado, será ouvido e o caso levado para o Ministério Público, para as providências cabíveis.
Logo depois da primeira lista, na forma de uma cópia manuscrita, surgiu outra lista, com mais nomes de pessoas que supostamente estariam marcadas para morrer. A cada vez que a lista circulava, a relação de nomes crescia e, entre os citados, muitos nem sequer tinham passagens pela polícia.
Também estamos investigando. Tenho em mãos a lista original e a vítima do homicídio registrado na cidade, sexta-feira, 21/08, não consta na lista original. Aí, infelizmente as pessoas editaram a lista para incluir o de sexta-feira e causar mais pânico e tumulto”, observou.
O delegado alertou que as pessoas que disseminam as listas cometem crime. Elas são investigadas e serão processadas criminalmente por causar tumulto e pânico entre a população. A atividade é tipificada como falso alarme, contravenção penal, mas não deixa de obrigar o responsável a comparecer perante um juiz, alerta o delegado.
Tanto em relação aos autores dessas listas quanto os envolvidos nos homicídios, a população não deve deixar de informar o que sabe à Polícia Civil ou à Polícia Militar. Muitas vezes as pessoas têm informações e ficam em silêncio, quando na prática existe o sigilo da autoria da denúncia”, concluiu.
Assassinatos
Quantos aos homicídios de João Henrique, o Indinho, ocorrido dia 21/08, e do suspeito do crime, Alan Paranhos, executado no Centro de Coronel Fabriciano, o delegado explicou que as investigações estão em andamento e algumas testemunhas já foram ouvidas, enqunto outras ainda serão chamadas. Alan foi apontado como suspeito da morte da vítima no Alvorada. Testemunhas o viram no local do crime. Há também outra pessoa que conduziu a motocicleta na fuga após o homicídio no bairro Alvorada e estamos em busca da identificação”, explicou o delegado.
Por fim, Augusto Drumond afirmou que a população, preocupada com as listas, deve ter mais cuidado e avaliar melhor o que lê nas redes sociais. Tudo indica que a primeira lista não passou de uma brincadeira de dois adolescentes, que não merecia uma proporção tão grave. Nem tudo o que se posta nas redes é verdade. Por outro lado, as polícias Civil e Militar estão atentas, em busca dos autores para que sejam responsabilizados”, concluiu.
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