22 de agosto, de 2015 | 19:20
Presídio é ampliado em Coronel Fabriciano
Com anexo, presos terão oportunidade para sair do ócio, estudar e trabalhar na cadeia
FABRICIANO - Uma área localizada nos fundos do presídio de Coronel Fabriciano foi transformada em um canteiro de obras. Os próprios presos atuam nos trabalhos da construção civil.
O local, que antes era palco da ociosidade dos reclusos, agora é marcado pela movimentação de terra, areia, brita, ferragens e cimento. Está em construção, na área do presídio, um complexo que vai abrigar salas de aula, oficinas de qualificação profissional e atividades culturais.
O anúncio foi feito pelo diretor do presídio, Edmar Soares. Atualmente, o presídio de Coronel Fabriciano está com 280 pessoas.
O diretor Edmar explica que a construção do complexo era uma vontade antiga. "Estou há seis anos à frente do presídio e, há muitos anos, havia a necessidade da implantação desses cursos aqui. Muitas promessas foram feitas, mas os projetos não andavam. Finalmente deu certo, com apoio do Poder Judiciário, empresas e do pastor Wesler Dias", afirma Edmar Soares.
Quando as instalações estiverem concluídas, vão abrigar cursos profissionalizantes, aulas da educação formal e preparação para as provas do Enem. Por causa da falta do espaço físico muitos projetos deixaram de ser desenvolvidos na unidade prisional.
"São ações que poderiam representar uma chance real para as pessoas retiradas do convívio social pelo cometimento de algum delito", acrescenta o diretor.
Entre os trabalhos que serão retomados está o funcionamento de uma horta do presídio. O espaço teve que ter ser fechado, porque a unidade recebeu uma notificação por consumo elevado de água tratada. Agora, com a construção de um poço artesiano, haverá água suficiente para a irrigação dos canteiros. Além da horta, a água vai permitir a reabertura de uma pocilga.
"Às vezes somos taxados pelo rigor da disciplina. De fato, temos que cumprir a Lei, mas também damos oportunidade àqueles que querem ser ressocializados", acrescenta Edmar Soares.
Dar apoio para cobra ra recuperação
O pastor Wesler Dias, da Igreja Batista Seara, apoia o projeto em andamento no presídio de Coronel Fabriciano e explica que faz parte de uma equipe atuante há 17 anos, ainda na época da extinta cadeinha”, no Centro.
"Acreditamos no arrependimento das pessoas. O homem tem a oportunidade do arrependimento. Precisamos reforçar a palavra que trazemos aqui, com a perspectiva de oportunidades profissionalizantes. Isso significa oferecer uma oportunidade que, talvez, muitas dessas pessoas não tiveram lá fora", detalhou Wesler.
A proposta é que seja oferecida alfabetização a quem ainda não sabe ler e escrever, cursos profissionalizantes para quem não tem uma formação técnica, além de aulas culturais e musicais, já levadas a outras instituições.
Wesler enfatizou que oferecer oportunidade a quem foi preso é um dever da sociedade, que um dia acaba por receber de volta quem ela mandou cumprir uma pena. "É preciso oferecer oportunidade para que, ao término de suas penas eles voltem para a sociedade com uma mente que recebeu, com uma formação nova. Não pode sair daqui, com uma mente vazia, que funciona aqui dentro como 'oficina do diabo', como muitos dizem”, observa o pastor.
Quanto a receptividade dos projetos, o pastor Wesler disse não ter dúvida que a maioria quer uma oportunidade. Ele reconhece que já encontrou aqueles que nascem em 'berço de ouro' e decidiram escolher a vida do crime, mas o oposto também existe.
Pessoas que nunca tiveram oportunidade acabam por delinquir e depois procuraram uma forma de sair do fundo do poço. "O importante é que a maioria quer sim, mudar, e quem ganha é a sociedade", concluiu.
Já publicado sobre o assunto:
Convênio permite uso de mão de obra de presos - 04/08/2015
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