01 de julho, de 2015 | 15:50

Incêndio em serralheria de Ipatinga deixa cinco feridos

Funcionário insatisfeito com acerto invade escritório, derrama gasolina e toca fogo


IPATINGA - Cinco pessoas ficaram feridas em um incêndio ocorrido por volta das 15h, desta tarde, em uma empresa, localizada na rua Guarani, no bairro Iguaçu. As primeiras informações são que uma pessoa chegou a MEC-Service Serralheria, jogou gasolina na sala da gerência e ateou fogo. 

As chamas espalharam-se rapidamente e quatro funcionários mais o próprio autor do incêndio ficaram presas no interior da sala e sofreram sufocamento e queimaduras.

Equipes do Samu e do Corpo de Bombeiros chegaram rapidamente ao local e socorreram as vítimas, que tiveram queimaduras leves. As pessoas foram retiradas da sala pelos colegas da oficina, localizada logo acima e correram para estourar a porta. 

O funcionário que teve o ataque de fúria foi identificado pelos colegas como Rosalvo Alves Pereira, de 48 anos. O Diário do Aço apurou, no local do incêndio, que ele foi preso pela Polícia Militar logo em seguida e está em atendimento no Hospital Márcio Cunha, sob escolta policial. 

Um colega de trabalho, que estava nas proximidades do local informou que Rosalvo chegou, entrou no escritório que faz divisa com a rua Guarani, carregando um galão com cinco litros de gasolina. 

Ele disse que estava insatisfeito com o valor do acerto. Em seguida, derramou a gasolina no escritório. Logo depois as pessoas tentaram retirar Rosalvo do local. Ele resistia em sair. Acendeu uma chama, que o colega não soube dizer se era um isqueiro ou um fósforo e jogou no local onde havia derramado o combustível. 

"Explodiu na hora. Pegou fogo instantaneamente em tudo e foi uma correria. As pessoas passaram correndo no meio do fogo e tiveram roupas e cabelos chamuscados. Alguns se queimaram bastante", relatou o jovem que trabalha há três meses no local e estava assustado com a situação.  Quatro pessoas saíram com queimaduras nas pernas, braços e roupas e cabelos chamuscados. 

Dono de empresa tenta entender o que houve com o funcionário 


Incêndio Serralheria Iguaçu


O proprietário da Mec-Service, Otaviano José Rodrigues, não estava no local, na hora do incidente e alegou desconhecimento dos motivos que levaram o funcionário a provocar o atentado. Otaviano afirma que foi Rosalvo quem pediu para ser demitido, o acerto ocorria dentro do prazo.

“Desde novembro ele pedia para sair. Eu não pude dispensar antes, por causa do dissídio coletivo. A contabilidade conseguiu resolver agora e, na sexta-feira recolhi os encargos e encaminhei a demissão dele. Deveria ter vindo na terça-feira, mas veio nesta quarta-feira. Ele disse que não concorda com o valor e fez tudo isso”, afirmou o empregador.

Otaviano também acrescentou que, anteriormente, o funcionário que tinha três anos na empresa não fizera qualquer reclamação em relação ao acerto. “Estou estranhando porque é uma pessoa boa, tinha excelente relação com todo mundo, inclusive vizinhos da empresa. Não tinha conflito com ninguém e era da minha confiança. Frequentava o meu sítio e convivia com a minha família. Não consigo compreender o que houve com o Rosalvo”, concluiu.

O empreendedor disse não ter ideia da extensão dos prejuízos com o incêndio que atingiu somente o escritório da Mec-Service, que fica distante cerca de 20 metros da oficina. Nenhuma máquina ou produto do estoque foi atingido. “As perdas materiais são o de menos. O pior é o dano causado às pessoas, que estão machucadas. Só gostaria de estar com ele e perguntar onde ele colocou a cabeça. Não o condeno. É uma pessoa boa. Estou há 30 anos nesse meio e nunca tive problemas com funcionários”, destacou Otaviano.

Ação

O atendimento às vítimas do incêndio na tarde desta quarta-feira mobilizou duas equipes do Samu e duas do Corpo de Bombeiros Militares. Todos os atingidos pelo incêndio receberam os primeiros socorros dentro das unidades médicas e foram removidos para hospitais. Inicialmente, nenhum corria risco de morrer.

A versão do funcionário ainda seria ouvida pela equipe da Polícia Militar, responsável pelo registro da ocorrência. Ele poderá responder por lesão corporal grave e tentativa de homicídio. 

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