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19 de junho, de 2015 | 12:46

Passo a passo do julgamento de Pitote

Defesa insistiu em negativa de autoria e Ministério Público confirmou provas "fartas e claras" sobre a autoria


Atualizada às 19h10

IPATINGA - Com o salão do Júri lotado, caminha chegou a nove horas o julgamento de Alessando Neves Augusto, de 34 anos, o Pitote, acusado de ser o executor da morte do repórter Rodrigo Neto de Faria, ocorrida em 8 de março, quando o jornalista foi assassinado a tiros por um homem na garupa de uma moto, na saída de um churrasquinho, no bairro Canaã.

Alessandro Neves Augusto, o Pitote, foi considerado culpado da morte do repórter Rodrigo Neto de Faria pelo Júri Popular da Comarca de Ipatinga. Ele ouviu ainda há pouco o juiz da 2ª Vara Criminal, Antônio Augusto Calaes, anunciar sua sentença: uma pena total de 16 anos de reclusão, em regime fechado. O magistrado que presidiu o júri negou ao réu o direito de recorrer em liberdade.

Da pena, 12 anos foram aplicados pela execução de Rodrigo Neto, em 8 de março de 2013, e 4 anos pela tentativa de homicídio de L.H.O.O, que acompanhava o repórter na hora do crime. A pena anunciada a Pitote pelo assassinato do radialista foi, separadamente, a mesma dada no ano passado ao investigador exonerado da Polícia Civil, Lúcio Lírio Leal.

O promotor Francisco Ângelo afirmou à imprensa que irá recorrer da sentença para aumento da pena. O advogado de defesa, Rodrigo Márcio do Carmo e Silva, por sua vez, considerou a sanção “pesada” ao seu cliente. Iniciada às 9h10 desta sexta-feira, 19, a Sessão do Júri teve 10 horas de duração. 

Como foi o dia

Defesa e acusação travaram uma batalha no Tribunal do Juri desde a volta do almoço, às 12h50, quando foi retomada a sessão em que os representantes da comunidade vão decidir se Alessandro Augusto Neves, o Pitote, 34 anos é inocente ou culpado no assassinato do repórter Rodrigo Neto.

O representante do MP encerrou sua fala, há aproximadamente uma hora, com o pedido para que os jurados condenem o réu, e seja feita justiça diante da morte do repórter policial Rodrigo Neto.

Mais cedo, o advogado de defesa, Rodrigo Márcio do Carmo Silva afirmou que o processo está cheio de contradições.

A defesa – que insiste na versão da participação de um terceiro assassino na história - afirmou que o fotógrafo Walgney Carvalho participou do crime e sabia detalhes dos fatos, antes mesmo da perícia saber.

A defesa insistiu que o réu prestou depoimentos à polícia sem a presença de advogado e sofrendo grande constrangimento.

Mais cedo, o promotor Francisco Ângelo afirmou que os relatórios da investigação indicam que o réu andava na companhia de policiais que integravam um grupo de extermínio no Vale do Aço.

A defesa do réu refutou as acusações e insistiu que a história da existência de grupos de extermínio em Ipatinga não tinha como prosperar.

O assistente da acusação, Délio Gandra, também citou em sua fala a atuação de maus policiais, que acobertavam o trânsito do réu Alessandro Neves nos bastidores policiais e que estavam envolvidos em vários casos de assassinatos na região.

Em Coronel Fabriciano, onde responde pela morte de Walgney Carvalho, ocorrida em 14 de abril de 2013, Alessandro Neves Augusto vai a julgamento no mês de agosto

Delegado do DHPP foi a primeira testemunha

Alex Ferreira


julgamento pitote


O primeiro depoimento do dia foi o do delegado Emerson Morais, do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa. Ele chefiou uma equipe de investigadores que formou uma força-tarefa para apurar o crime entre os meses de abril e julho de 2013, em Ipatinga.

O promotor Francisco Ângelo, que tem como assistente o criminalista Délio Gandra, fez perguntas ao delegado sobre as estratégias de investigação de sua equipe de trabalho. Emerson confirmou as informações constantes do relatório do inquérito policial.

O policial detalhou que uma das linhas da investigação foi em desfavor do fotógrafo Walgney Assis Carvalho, posteriormente assassinado, em 14 de abril, como "queima de arquivo".  A suspeita da participação de Carvalho no crime foi descartada, explicou o delegado.  Várias outras pessoas foram investigadas e enumeradas pelo policial.

Emerson Morais enfatizou não ter dúvidas que o autor da execução de Rodrito Neto foi Alessandro Neves Augusto, o Pitote.

Também reafirmou outra acusação, a de que o réu seria um homicida infiltrado na Delegacia da Polícia Civil de Ipatinga. Questionado pelo advogado de defesa, Rodrigo Márcio do Carmo e Silva, o delegado explicou que há um inquérito policial complementar para apurar o mando e a motivação do crime.  
Wôlmer Ezequiel


julgamento pitote


Emerson Morais lembrou que há provas indicando que Rodrigo Neto e Carvalho foram mortos pela mesma arma, não encontrada pelos investigadores.

O delegado enfatizou que havia muitas pessoas interessadas na morte de Rodrigo Neto, por se sentirem incomodadas pelas reportagens em que Rodrigo Neto fazia cobrando elucidação de crimes impunes, no Vale do Aço.

Dessa forma, Pitote, que não tinha o que fazer e perambulava pelos bastidores das delegacias da PC e o novato investigador, Lúcio Lírio Leal, decidiram dar fim ao repórter como forma de "ganhar moral" tanto dentro da PC quanto dentro da PM e junto a políticos locais.

Pelo crime contra o repórter, o investigador Lúcio Lírio foi exonerado da polícia e o primeiro a ser levado a julgamento, quando foi sentenciado a cumprir 12 anos de reclusão. 

Na hora de prestar depoimento, o réu negou a autoria dos crimes, tanto o homicídio do repórter Rodrigo Neto, quanto a tentativa de homicídio do amigo dele, L.H., que consta no processo como vítima de tentativa de  homicídio por ter sido alvo de tiros que não o acertaram.

Pitote afirma não reconhecer as provas do processo, e alega não saber ao certo por que é acusado.  Ao meio dia, foi iniciado um período de 50 minutos para o almoço.

Veja como foi o começo do julgamento:

Começa o julgamento de Pitote - 19/06/2015

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