17 de junho, de 2015 | 22:58
Esse personagem não é uma ficção”
Advogado apresenta ficha criminal de homem que acusa de ser o verdadeiro assassino de Rodrigo Neto e de Carvalho
IPATINGA O advogado Rodrigo Márcio do Carmo Silva, que nesta sexta-feira entra no Salão do Júri da comarca de Ipatinga para defender o réu Alessandro Neves Augusto, o Pitote, 34 anos, ao lado dos advogados Sheila Santos de Carvalho e Reginaldo Malaquias Silva, afirma que o personagem Sérgio Vieira da Silva, o Serginho, não é uma invenção.
O advogado recebeu a reportagem do DIÁRIO DO AÇO na quarta-feira, 17, para mostrar a folha de antecedentes criminais de Serginho, composta por oito páginas. O advogado insiste que foi esse homem o verdadeiro assassino do repórter Rodrigo Neto de Carvalho, de 38 anos, ocorrido em 8 de março de 2013 e do fotógrafo Walgney Assis Carvalho, 43 anos, assassinado em 14 de abril de 2013. A insistência na versão é o prenúncio de que o Júri de sexta-feira será uma batalha pela derrubada das provas nos autos.
O fotógrafo Carvalho atuava como freelancer do extinto Jornal Vale do Aço e também prestava serviços voluntários para a Perícia da Polícia Civil. Na versão de Rodrigo Márcio, insatisfeito com a contratação do repórter Rodrigo Neto para o jornal em que trabalhava, Carvalho teria tramado com Serginho a morte do radialista e pilotado a motocicleta no dia da execução. Depois, Carvalho foi executado como queima de arquivo”, pois o pistoleiro temia que revelasse o crime.
Serginho morava no bairro Jardim Panorama, em Ipatinga. Assim como Pitote, também trafegava nos bastidores das delegacias policias. Está foragido da Justiça das comarcas de Ipatinga e de Caratinga. Ele já respondeu por crimes como tráfico de entorpecentes, furto; é processado por tentativa de homicídio na comarca de Caratinga e roubo a mão armada em Ipatinga”, explicou o advogado mostrando o relatório de antecedentes.
Rodrigo Márcio refuta as acusações de que Serginho seja um personagem fictício e que sua citação no processo pela defesa de Pitote, acusado de executar a morte de Rodrigo Neto, na Comarca de Ipatinga, e de Carvalho, em Coronel Fabriciano, tenha como objetivo desviar o foco do Corpo de Jurados.
Sergio Vieira da Costa não aparece no resultado da investigação sobre os dois assassinatos sob responsabilidade do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), cuja equipe veio de Belo Horizonte para elucidar o crime.
Nas palavras de Rodrigo Márcio, o DHPP tem equipamentos, pessoal e competência para apurar o que quiser, quando quiser. No caso dos assassinatos de Rodrigo e Carvalho, entretanto, o DHPP deixou a desejar, segundo o advogado.
O que temos hoje é resultado da pressão que enfrentaram os investigadores, que tinham pressa em encerrar o caso. Era ano eleitoral. Teve candidato que afirmou saber quem eram os mandantes e a motivação desses dois crimes, questões até hoje sem conhecimento público, sem apuração. Além disso, havia a pressão da imprensa, com a repercussão internacional desses assassinatos. Serginho era um elemento foragido e Pitote estava ao alcance de todos. Por isso, ele é o réu dessa sexta-feira”, concluiu o advogado.
O julgamento de Pitote está marcado para começar às 9h, no salão do Júri do Fórum Valéria Vieira Alves, que terá esquema especial de segurança e acesso limitado de pessoas para acompanhar o Júri.
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