31 de maio, de 2015 | 00:02

Família denuncia abuso de autoridade

Policiais militares serão alvo de representação no Ministério Público em Ipatinga nesta segunda-feira


IPATINGA - A família do acadêmico de engenharia e músico W.L.S., de 22 anos, pretende entrar nesta segunda-feira com representação no Ministério Público Estadual contra uma equipe de policiais militares, acusada de abuso de autoridade e agressão em uma abordagem realizada ao jovem, por volta das 17h30 de quinta-feira, 28 de maio, na avenida Forquilha, no bairro de mesmo nome.

Os policiais alegaram que W.L. foi alvo de uma denúncia por estar em atitude suspeita, em local ermo e pouco iluminado. O local em questão era uma área em frente a casa do jovem.

Conforme relatório da própria polícia, a equipe responsável pelo policiamento recebeu a ligação de um policial, morador do bairro, informando que havia uma pessoa em atitude suspeita, sentada em uma calçada.

Os policiais foram verificar e encontraram um jovem falando ao telefone celular. A equipe desceu da viatura “sendo dada a ordem legal que ficasse de pé e colocasse a mão sobre a cabeça para que fosse submetido à busca pessoal”. Relatam os policiais que o suspeito resistiu à determinação, desprestigiou a intervenção policial e recusou-se a levantar-se.

Com isso, foi dada voz de prisão ao jovem que, “por estar exaltado”, foi submetido a técnicas de imobilização e algemado. O “suspeito” é um estudante de engenharia e professor de música em uma escola mantida por uma igreja evangélica. A família foi chamada à rua e saiu em socorro a W.L., tentando evitar sua prisão.

O pai, um pastor evangélico e engenheiro civil, E.S., de 46 anos, também recebeu ordem de prisão (por desacato) e foi algemado. Ambos foram colocados no camburão e levados para um posto policial e depois encaminhados para a Delegacia de Polícia Civil, de onde saíram às 22h30 após depoimentos ao delegado de plantão.
No fim da tarde de sexta-feira, a família veio à redação do DIÁRIO DO AÇO, orientada por um advogado. Com lágrimas nos olhos, a mãe explica que o filho saiu de casa para sentar-se na calçada e falar ao telefone com a namorada, que mora em Joanésia, porque dentro de casa o sinal da telefone móvel é insuficiente para fazer uma ligação.

“Todos no bairro conhecem o meu filho, inclusive o policial que eles citam na ocorrência como a pessoa que os acionou por ver um suspeito sentado na calçada. Além disso, como poderia o local estar pouco iluminado, se era 17h30?”, indagou.  
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vitima agressão w.L.


O pai, E.S., disse ter ficado surpreso com a agressividade dos policiais. “Nunca me senti tão humilhado na vida. Eles zombaram das nossas argumentações, vilipendiaram nossa honra. A sensação diante de uma situação dessas é de impotência e revolta. Você cria um filho em uma vida honesta, no caminho certo, sem uma passagem pela polícia e, repentinamente, vê duas, três viaturas paradas na sua porta, com ele algemado e acuado sem nada dever. Nós não estamos em um estado de exceção”, afirma.

O músico W.L., que leciona em uma escola dirigida por um oficial da própria PM, explica que, sentado na calçada, conversava com a namorada, quando viu os policiais descendo da viatura e assim permaneceu. Nunca imaginou o que ocorreria em seguida.

“Quando me mandaram levantar perguntei por qual motivo queriam me revistar. Quis saber quais eram os meus direitos e isso desencadeou toda essa situação. O pior momento foi quando me deram uma gravata (golpe no pescoço). Não conseguia respirar e pensei que fosse desmaiar. Fiquei sem forças e fui arrastado por três policiais, jogado no fundo de um camburão e levei quatro tapas no rosto. O policial que bateu disse que era assim que tratavam bandidos”, detalhou, mostrando o laudo médico e o relatório de ocorrência de sua prisão. 

Procurado pela família, o advogado Natanael Gusmão informou ao DIÁRIO DO AÇO que segunda-feira vai levar o caso ao Ministério Público, a quem caberá ouvir as partes envolvidas e decidir se entra com uma ação contra os policiais que participaram da intervenção. 

Comando defende abordagem, mas não descarta apurar eventuais excessos

O comandante do 14º Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Gregório Lara da Silva, afirmou em nota que toda intervenção policial precisa ser amparada por dispositivos legais e institucionais, para que a medida de restrição do direito de ir e vir, das pessoas envolvidas, seja justificada pela necessidade de segurança e bem estar da coletividade.

“Nenhuma prisão teria ocorrido se, simplesmente, o senhor W.L. atendesse a solicitação inicial para que se identificasse e permitisse a busca pessoal, procedimento padrão e indispensável para garantir a segurança de todas as pessoas presentes no local da ocorrência”, afirma em nota enviada ao DIÁRIO DO AÇO.

O comandante também cita os artigos do Código Penal que asseguram o direito dos policiais em fazer abordagens quando houver fundada suspeita de que a pessoa esteja na posse de arma ou objetos proibidos. Alerta que é crime desobedecer a ordem e desacatar funcionário público no exercício da função ou em razão dela.

“Por fim, frisamos que, caso o senhor W.L. e seu pai entendam que tenha havido algum excesso por parte dos policiais, o 14° Batalhão está de portas abertas para recebê-los na formalização da denúncia, que será objeto de apuração por parte do comando”.
 

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