29 de agosto, de 2014 | 00:05

Condenado por morte de repórter

Ex-policial sentenciado em 12 anos pelo homicídio de Rodrigo Neto


IPATINGA – Após 10 horas de depoimentos, debates e revelações, Lúcio Lírio Leal foi considerado culpado pelo Júri Popular da Comarca de Ipatinga e ouviu o juiz da 2ª Vara Criminal, Antônio Augusto Calaes, anunciar sua sentença. Ele foi condenado, na noite de quinta-feira, a cumprir 12 anos de reclusão pelo assassinato do radialista Rodrigo Neto de Faria, 38 anos, ocorrido em 8 de março de 2013, no bairro Canaã. 

 

A sessão do Júri Popular, que teve início às 9h15, transcorreu sob um forte esquema de segurança e controle das pessoas que entravam no salão do Júri. De um total de oito testemunhas arroladas, apenas duas foram ouvidas. As demais foram dispensadas por decisão da defesa do réu e da acusação.

 

Uma das testemunhas foi um policial que participou das investigações. Ele depôs para destacar que ficou comprovada a participação de Lúcio no crime. E citou que a sustentação da prova são as imagens das câmeras de segurança do comércio nas proximidades do local do delito, que captaram o momento em que os veículos utilizados no homicídio passaram. Além de Lúcio, Alessandro Augusto Neves, o Pitote, responde pelo crime como executor e ainda será levado a Júri Popular. 

 

Réu

Ao ser interrogado, Lúcio Lírio Leal negou participação no crime. Diante do corpo de jurados e de seus familiares, que acompanhavam a sessão, ele insistiu em afirmar que não conhecia Rodrigo Neto e que passou a saber quem era o radialista após a sua morte.

 

Lúcio também falou sobre sua exoneração da Polícia Civil. Ele acredita que foi injustiçado, uma vez que a decisão saiu sem que ele tivesse qualquer outro processo administrativo e antes que ele fosse julgado. 

 

O ex-policial, que entrou no salão do Júri cabisbaixo e com uma pequena bíblia nas mãos, se emocionou durante o depoimento e reclamou de falhas do processo. Lúcio afirmou que há outras linhas de investigação dentro do caso, porém, não foram levadas adiante pelos órgãos responsáveis. Para o réu, as acusações contra ele são injustas. Ao fim do julgamento, no começo da noite passada, a reportagem do DIÁRIO DO AÇO flagrou o momento em que Lúcio Lírio se despedia de seu pai, afirmando: “Fui condenado, mas sou inocente”. 
Wôlmer Ezequiel


júri lúcio lírio


 

Acusação

O Ministério Público, representado pelo promotor Francisco Ângelo, que teve como assistentes os advogados Délio das Graças Gandra e Tatiana Grazziane Gandra. Em um primeiro momento, o promotor falou sobre o choro de Lúcio durante a sessão do júri. Para o representante do MP, as lágrimas, somadas à história contada pelo réu, são táticas utilizadas para comover e convencer o corpo de jurados.

 

O promotor utilizou como provas, além das imagens das câmeras de segurança destacadas pelas testemunhas, as mais de 100 ligações telefônicas feitas entre Lúcio e Pitote, antes e depois do crime. Para o promotor, esses telefonemas, além de evidenciarem o envolvimento dos dois no delito, mostra a relação de amizade e cumplicidade entre eles.

 

O depoimento prestado por um álibi de Lúcio, que teve contradições, também foi usado como prova. O réu, ao ser ouvido em audiência, chegou a afirmar que estava na residência da namorada. Ao ser questionada, a jovem se contradisse quanto ao horário, bem como em relação ao veículo usado por Lúcio naquela data.

 

Francisco Ângelo também revelou que, além do crime contra a vida do radialista, Lúcio responde a um processo de receptação. O Fiat Strada que ele possuía, que também foi usado no crime, é um veículo furtado e com chassi alterado.

 

O promotor destacou o outro réu no processo desmembrado, Pitote, um indivíduo com passagens por crimes contra a vida. Para Francisco Ângelo, um rapaz que se diz um bom policial não deveria ter qualquer relação com um homem que possua extensa ficha criminal.

 

Sobre a afirmação de Lúcio, no que diz respeito às demais linhas de investigação que não foram analisadas, Francisco Ângelo acredita que elas não retiram a culpa do réu. “As outras linhas investigativas, que não foram investigadas, não desmerecem o que se constatou em relação ao Lúcio”, afirmou.  
Wôlmer Ezequiel


júri lúcio lírio


 

Defesa

A defesa de Lúcio foi feita pelos advogados Fábio Silveira, Silvestre Antônio e Vinícius Silva Soalheiro. Em sua defesa, Fábio Silveira voltou em partes do processo e apontou falhas investigativas e retomou o assunto das outras linhas de investigação, interrompidas, inclusive a que envolve um policial militar. Citando o nome do PM, o advogado alegou que o policial fez uma ligação telefônica para Pitote, minutos antes do homicídio. 

 

Esse mesmo policial também era o responsável pelo patrulhamento na avenida Selim José de Sales, local em que ocorreu o crime. Ao receber a informação da Central de Informações da Polícia Militar, dando conta sobre o homicídio, ele teria dito que a informação era falsa e não retornou ao local para verificar os fatos ou procurar possíveis suspeitos. Para o advogado, esse policial também deveria ter sido investigado.

 

Queima de arquivo?

O Caso Rodrigo Neto teve, ainda, outro desdobramento: a execução do repórter fotográfico, freelancer do Jornal Vale do Aço, Walgney Assis Carvalho. O fotógrafo foi executado a tiros, por um homem em uma motocicleta em 14 de abril, 38 dias depois da morte de Rodrigo Neto. Para os investigadores, foi uma “queima de arquivo”, pois Carvalho vivia a dizer que sabia quem tinha matado Rodrigo Neto. O acusado do crime é o falso policial Civil Alessandro Augusto Neves, o Pitote, também acusado de ser o executor de Rodrigo Neto em Ipatinga, com a colaboração de Lúcio Lírio. Pitote responde pelo crime contra Carvalho na comarca de Coronel Fabriciano, sem data prevista para julgamento. Em Ipatinga, ele teve o processo desmembrado e será julgado em outro momento.

 

Advogados avaliam possibilidade de recorrer de sentença 

 

Pouco depois das 19h dessa quinta-feira, o juiz Antônio Augusto Calaes anunciou a sentença que pode ser alvo de recursos. O magistrado informou que o réu foi condenado a 12 anos de reclusão em regime fechado. Foi negado a ele o direito de recorrer. Lúcio cumprirá pena na Casa de Custódia do Policial Civil, uma vez que é ex-investigador da PC.

 

Lúcio também era acusado de tentativa de homicídio contra um jovem que estava com Rodrigo Neto no momento do crime. Lúcio Lírio foi absolvido dessa acusação.

 

O advogado Fábio Silveira afirmou que a defesa irá recorrer. “A condenação se traduziu como uma surpresa. O processo sinalizava para uma absolvição, mas os jurados são soberanos e optaram por condená-lo em um fato e absolvê-lo em outro. A defesa respeita, mas não concorda com a decisão dos jurados. A lei prevê cinco dias para apresentação de recursos do Tribunal do Júri e, certamente, será feito esse processo. Nunca vi, na história do Processo Penal, se julgar um fato em que o homicídio está sendo apurado como é esse caso, em que ainda não temos a motivação e o mandante. A resposta que a sociedade queria ela ainda não tem e isso mostra uma deficiência no veredicto proferido pelo Conselho de Sentença”, pontuou.

 

MP

O promotor Francisco Ângelo afirmou que a condenação de Lúcio evidencia a mudança no senso de Justiça e trabalho de policiais na comarca de Ipatinga. “O MP acredita que a justiça começou a ser feita uma vez que o primeiro autor desse crime foi responsabilizado por ele. Acredito que o Pitote e os demais também o serão. Desde quando ofereci a denúncia eu estava seguro do caso e acredito que o Conselho de Sentença pensou, não decidiu de forma unânime. Justiça se faz aqui nessa casa. Infelizmente, ele não foi condenado pela acusação de tentativa de homicídio, mas ainda vamos analisar a sentença e a possibilidade de recurso. No mais, esse Júri foi um divisor de águas. Acredito que, cada vez mais, as forças policiais vão se consolidar com profissionais íntegros, competentes e que trabalhem com senso de Justiça. Hoje, essa é uma realidade que temos em Ipatinga, e é fruto dessa mudança”, concluiu.


O QUE JÁ FOI PUBLICADO:

Profissão: Repórter acompanha o caso- 28/08/2014

Fila  para   acompanhar   julgamento - 28/08/2014

Ex-policial    é considerado  culpado - 28/08/2014

Radialista é  executado em Ipatinga - 08/03/2013

 




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