06 de julho, de 2014 | 16:12

Adolescentes suspeitos de execução em Ipaba

Vítima já tinha comprado passagens e embarcaria em agosto para trabalhar na Itália


Com atualização às 17h02 de 07/07/2014

IPABA – Luís Gustavo Gomes, de 21 anos, é a mais recente vítima dos crimes violentos contra a vida no Vale do Aço. A família reconheceu o corpo do rapaz no Instituto Médico-Legal, na  tarde de domingo. Ele foi morto a tiros em Ipaba, no sábado (5). O corpo dele foi levado para sepultamento nesta segunda-feira, em Cariacica, na Grande Vitória.

A ocorrência do homicídio foi registrada por volta das 15h na rua dos Imigrantes, bairro Paraíso. Luís foi encontrado atingido por tiros, mas ainda com vida. Socorrido e levado em uma ambulância para o Hospital Márcio Cunha, não resistiu aos ferimentos e morreu. No local foram recolhidos cinco cartuchos calibre 38, utilizados no crime, além do telefone celular da vítima.

Em uma daquelas situações atípicas, outros dois familiares de Luís Gustavo também foram assassinados, no passado. Parentes do rapaz, que estiveram no IML, informaram à reportagem do DIÁRIO DO AÇO que Luís Gustavo tem familiares(avós e tios) em Ipaba, mas morava até um mês atrás em Vitória (ES).

Nos anos anteriores, ele já tinha sobrevivido a duas tentativas de homicídio. A família, então, decidiu que Luís ficaria em Ipaba apenas até completar a documentação que permitisse sua viagem para o exterior.

Havia um mês, apenas, que ele estava em Ipaba e já tinha confirmado o seu embarque para a Itália, no dia 4 de agosto. Não deu tempo. Luís Gustavo foi assassinado com três tiros.

Esse não foi o primeiro membro da família, vítima de crime violento contra a vida. Há alguns anos, a própria mãe de Luís Gustavo foi executada a tiros e, também no passado, o tio dele foi morto em idêntica circunstância.

A Polícia Militar de Ipaba aprendeu três adolescentes (um de 14 anos, outro de 15 e um terceiro de 17 anos) por suspeita de envolvimento na execução de Luís. Os três adolescentes negaram, em entrevista ao DIÁRIO DO AÇO, que tenham participado do assassinato.

“Nem daqui o menino que morreu é e eu nunca vi esse camarada por aqui. A polícia falou que foi eu porque tudo que acontece em Ipaba falam que sou eu, porque tenho guerra com uma galera. Tava bebendo uma pinga quando a polícia chegou. Mas nem passa pela minha cabeça quem fez isso. Se eu for internado, pra mim tá tranquilo, mas quando eu sair também, vou fazer um arraso. Dia 23 eu tenho audiência, você acha que eu ia fazer isso? Não vou pagar o que eu nem fiz”, afirmou o adolescente de 14 anos.

Testemunhas dizem outra coisa. Elas insistem que três menores de idade, todos com passagens anteriores por atos infracionais, foram os autores da execução. Os três são temidos pela frequência de crimes violentos que cometem, e ameaças que fazem sempre afirmando que “com menores de idade nada acontece”. A motivação do crime ainda está em apuração.

Maria de Andrade, avó de Luís Gustavo, informou que o neto saiu de casa para soltar pipa. “Meu neto era tranquilo. Um dos meninos presos, inclusive, saiu pra almoçar comigo. Meu neto era educado, com amigos, e eu não sei porque fizeram isso com ele. Mas não estou aqui para julgar ninguém, porque Deus sabe o que faz”, relatou.

Desde o dia 9 de maio deste ano, Ipaba não registrava homicídios. Com o assassinato de Luís Gustavo, Ipaba contabiliza quatro homicídios em 2014, número equivalente ao registrado no mesmo período do ano passado.

Este é o terceiro crime violento contra a vida no fim de semana. Veja notícias do Portal DA sobre os outros dos casos:

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