02 de julho, de 2014 | 12:01
Lei da cadeia
Acusado de chicotear criança até a morte é espancado na cadeia
CARATINGA O homem preso após confessar que ajudou a chicotear até a morte o enteado João Paulo Camilo de 6 anos, até a morte, e espancar outros dois filhos de sua companheira, um de 4 e outro de 5 anos, em Santa Bárbara do Leste, na região de Caratinga, foi agredido por detentos do Presídio de Caratinga.
A informação foi confirmada nesta quarta-feira (2) pela Secretaria de Estado de Defesa Social (Seds). José Mateus da Silva sofreu escoriações leves pelo corpo e um corte da testa.
As agressões foram contidas por agentes penitenciários que perceberam a agitação na cela e retiraram o preso do local. Atendido por um médico, José Mateus foi levado para uma cela isolada e será transferido para uma outra unidade prisional, ainda não definida.
Depois do episódio com o marido, a mãe das crianças, Josina Concebida Moysés, de 36 anos, que também está no mesmo presídio, foi separada das outras detentas.
O caso gerou grande repercussão pela frieza do casal. A mãe de João Paulo é suspeita de ter matado o próprio filho por urinar na cama. Para castigar o menino, a agressora bateu na criança com um chicote usado para açoitar cavalos.
Além de João Paulo, os seus dois irmãos também foram agredidos. O menino de 4 anos apresentava marcas de chicote nas nádegas e testículos. Já o garoto de 5 anos, além das marcas de agressões, estava com o rosto queimado.
Josina disse que bateu nas crianças para que elas respeitassem os pais”. Ela disse em entrevista à TV Supercanal, de Caratinga, que as crianças eram muito bagunceiras, tiram as coisas do lugar e não tinha controle sobre os filhos. Por isso, os castigava.
O crime incomum assustou e gerou comoção social em Santa Bárbara do Leste e Caratinga.
Depoimento e entrevista frios
Na entrevista que deu na segunda-feira, José Mateus da Silva foi indagado sobre o porquê das agressões às crianças, em especial contra João Paulo. Com uma linguagem rudimentar, proprícia de pessoas muito simples, eles apresentaram as suas versões do ocorrido.
O padrasto, relatou o seguinte. "Confesso que bati um pouco também um dia antes dele morrer. Ela continuou a bater mais. Eu não matei. Ela dizia que eu tinha que bater também para a criança aprender a ter respeito. Essa agressão recente foi porque ele tinha mijado e cagado na cama. Ela bateu e deixou ele de castigo pela manhã. À tarde, ele voltou a responder ela mal, foi quando ela o levou para o quarto e bateu mais. Quando percebemos que o menino estava morto eu disse que deveríamos levar para o médico e ela disse que a polícia ia nos prender. Conversamos e chegamos a uma conclusão que se levássemos o corpo para outro lugar, alguém poderia encontrar e a culpa não cairia sobre nós", detalhou José Mateus da Silva.
A mãe que acompanhava a entrevista, ao lado, disse que batia mesmo porque o menino fazia arte e confirmou a versão do marido para os fatos. O menino era impossível e carregava as coisas de casa para jogar no mato”, relatou.
Vítimas permanecem internadas
O Conselho Tutelar de Santa Bárbara do Leste, Eliana Teixeira Gonçalves, as crianças seguem internadas, mas não correm risco de morte. As vítimas estão no setor de pediatria do Pronto-Socorro de Caratinga e não têm previsão de alta.
A conselheira também informou que ainda não foi definida com quem os meninos ficarão depois que receberam alta da unidade de atendimento. Inicialmente as crianças ficariam com os tios, mas a entrega da guarda será uma decisão do Ministério Público e da Justiça da Infância e Adolescência.
Os tios maternos e paternos demonstraram interesse na guarda das crianças, mas ainda vamos avaliar. No momento, estamos aguardando a recuperação deles”, disse Eliana.
Entenda
O corpo de João Paulo Camilo, de 6 anos, foi encontrado em uma das margens da BR-116, em Dom Corrêa, na segunda-feira, dia 30, perto do restaurante "Coisas de Minas".
O corpo do menino estava enrolado em um cobertor e com diversos ferimentos. Também foram constatadas queimaduras provocadas por cigarro nas mãos, barriga e em diversas outras partes.
As costas e glúteos estavam muito machucados, com ferimentos que, posteriormente, descobriu-se tratarem-se de marcas de chicotadas.
No mesmo dia, o padrasto, José Mateus da Silva, de 35 anos, e mãe do menino, Josina Concebida Moysés, de 36 anos, foram apontados como suspeitos pelo delegado de Polícia Civil, Luiz Eduardo Moura Gomes.
A família morava no Córrego Barra Alegre, na zona rural de Santa Bárbara do Leste. O caso veio à tona depois que a Polícia Militar foi chamada para registrar o desaparecimento de João Paulo Camilo, de 6 anos - o terceiro filho de Josina Concebida.
Ao chegar ao local, os militares se depararam com as crianças muito machucadas. Conforme relatado por soldado William Toledo, a primeira providência foi acionar o Conselho Tutelar.
Levados para a Delegacia de Polícia Civil, mãe e padrasto prestaram depoimentos. A mãe alega que o padrasto era em quem provocava as lesões e que batia nas crianças de forma constante. O padrasto alega que bateu, mas a mando da mãe, diante da teimosia dos meninos.
O padrasto negou. Alegou que a mulher é uma pessoa muito nervosa. No início, ela agredia os meninos, mas aí eu fui falando com ela que não podia agredir. Perto de mim ela agrediu uma vez, começou a querer bater no menino com o correão e eu falei que não podia, porque ela poderia até ir presa. Pelo menos perto de mim, nunca mais eu agredi", alegou José Mateus.
Tanto padrasto quanto a mãe serão indiciados por infanticídio contra o menino de seis anos e de agressão e abusos contra as ouras duas crianças. Se ficar comprovado que era o padrasto quem agredia, a mãe ainda será indiciada por omissão no caso.
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