05 de junho, de 2014 | 10:01

Do Facebook ao estupro

Encontro marcado por rede social terminou em acusação de estupro de uma jovem de 16 anos


IPATINGA – Uma jovem moradora do bairro Caravelas, em Ipatinga, acusa um jovem do bairro Cidade Nova, de agressão e estupro. O caso ocorreu na noite de quarta-feira, e o suspeito de cometer o crime ainda é procurado para apresentar sua versão dos fatos.

 

O crime foi registrado pela Polícia Militar por volta de meia noite. A vítima foi uma adolescente de 16 anos. Ela acionou a polícia para relatar que, mantinha contato via página de relacionamentos pessoais, Facebook com um jovem morador do bairro Cidade Nova.

 

Na noite de quarta-feira, o jovem a pegou na porta da casa dela em um veículo de cor escura. Ela não soube definir nem a marca, nem o modelo e placas do carro. Em seguida, o rapaz a levou para um local ermo no bairro Parque Caravelas, onde fez  uso de entorpecentes e, logo após, tentou manter relação sexual com ela.

 

“Beijou e tentou passar as mãos pelo meu corpo, contra minha vontade”, relatou a adolescente à Polícia Militar. Diante da negativa, o jovem saiu com o veículo em alta velocidade e a jogou para fora do carro quando se aproximaram da casa da vítima.

 

Na saída do carro, o condutor ainda passou com o veículo sobre os pés da adolescente e fugiu em seguida. A vítima foi socorrida e levada em uma viatura da Polícia Militar para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do bairro Canaã, onde ela foi atendida com escoriações pelo corpo.

 

O suposto autor já foi identificado e é procurado pela polícia para prestar esclarecimentos. Embora não tenha consumado o ato, casos dessa natureza quase sempre são qualificados como estupro.

 

Alerta 

A delegada Lívia Athaíde fez um alerta aos pais, que devem ter conhecimento dos sites acessados pelos filhos. “Os pais não tem que proibir, mas precisam dialogar mais com os filhos, procurar ter conhecimento do que eles acessam na internet, com quem eles conversam. É uma relação de proximidade, um vigiar educando, e não reprimindo. Todo cuidado é pouco nesses casos”, afirmou.

 

A delegada explicou que o caso da adolescente ainda esta em investigação e só com a conclusão do inquérito será possível constatar se houve ou não estupro. “Não há presunção de violência sexual, se analisarmos pela idade da vítima. Só consideramos estupro de vulnerável quando a vítima tem 13 anos ou menos e, nesse caso, ela tem 16 anos. Aos olhos da lei ela possui discernimento da sua própria conduta. Mas caso ele tenha colocado algo na bebida dela ou drogado a vítima, podemos considerar como estupro”, detalhou.

 

Lívia Athaíde acrescentou que, no Vale do Aço não são comuns as ocorrências em que as pessoas são agredidas após marcar encontros pelas redes sociais. “O mais frequente são mais casos de término de namoro em que uma das partes expõe fotos íntimas. Mas esse caso ainda será investigado”, concluiu.

Bruna Lage


Lívia


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Pesquisa polêmica
 

No mês de março uma campanha intitulada “Eu não mereço ser estuprada” gerou uma grande celeuma. A campanha foi criada pela a jornalista Nana Queiroz, como resposta a uma pesquisa do Instituto de Pesquisas Econômicas Aplicadas, ao revelar que 65% dos entrevistados concordavam com a afirmativa: “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”.
 

Depois, o Ipea corrigiu os dados da pesquisa e esse índice caiu para 26%, mas a campanha já tinha sido deflagrada e foi mantida por cerca de 30 dias no noticiário.
 

Os dados da pesquisa foram exibidos na reunião e concluiu também que, para 58% dos entrevistados, teria menos estupro se "as mulheres soubessem se comportar".
 

A campanha da jornalista Nana Queiroz insiste que a culpa não é da mulher que sofre o abuso. Nana reuniu, por meio de um evento em uma rede social, gente do país inteiro que, às 20h do dia 28 de março  passaram a publicar fotos com a frase: “eu não mereço ser estuprada”. Daniela Mercury, Malu Verçosa e Valesca Popozuda estão entre os nomes de famosas que aderiram à campanha.
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