
18 de dezembro, de 2013 | 00:12
Inquérito indicia três pela morte de camelô em 2007
Vendedor de CDs e DVDs piratas foi atraído para suposto negócio em Cava Grande, mas era uma emboscada fatal
TIMÓTEO A Polícia Civil concluiu o inquérito de um intrincado homicídio ocorrido em 30 de junho de 2007 e que vitimou o vendedor de CDs e DVDs piratas, Paulo Silas Gomes dos Santos, de 41 anos. Três pessoas foram indiciadas pelo crime, Dione Aparecido Ribeiro, 27 anos, a mulher dele, Samara Cristine Ferreira Ribeiro, 26 anos, e Jhunior Piter Machald Alves.
A PC acusa Dione Aparecido de tramar a morte de Paulo Silas, armar uma emboscada e atrair o vendedor ambulante até o distrito de Cava Grande, em Marliéria, onde ele foi executado com três disparos de arma de fogo. Jhunior Piter, que está foragido, foi indiciado como o autor dos tiros. O caso se arrastava na Delegacia da PC em Timóteo havia seis anos devido a complexidade do caso.
Ao confirmar o resultado da apuração, nesta terça-feira, o delegado Gilmaro Alves acrescentou que outros três homicídios serão concluídos e relatados nos próximos trinta dias. O trabalho conta com a atuação dos investigadores Wendel Valério, Thiago Euzébio e Paulo Sérgio Lima Ferreira.
Execução
O corpo de Paulo Silas Gomes foi encontrado sem vida no Córrego da Cumprida, na saída do bairro Ana Rita para a área rural de Timóteo. O carro da vítima, o Fiat Tempra, placas GPU-8987, foi localizado no acesso ao Córrego do Machado, em Marliéria. Paulo Silas não possuía contas em banco, mantinha o hábito de carregar dinheiro em sua carteira e exibir grandes quantias, relatam amigos da vítima.
No dia do crime os assassinos levaram R$ 2 mil em CDs e DVDs piratas, R$ 800 em dinheiro e dois telefones celulares. Entretanto, outro fator apontado como determinante para o crime, foi o envolvimento do camelô com uma mulher casada.
As investigações indicaram que a vítima comercializava CDs no centro comercial de Timóteo e mantinha um relacionamento com Samara Cristine, ciente de que ela estava em fase de separação por causa de conflitos conjugais. A mulher trabalhava em uma lanchonete, perto do camelódromo de Timóteo, onde os dois se conheceram.
Todas as testemunhas, ouvidas no inquérito, confirmaram que sabiam do relacionamento de Paulo com Samara Cristine e, igualmente, sabiam que o marido dela, não aceitava o caso e fazia ameaças constantes a Paulo.
Outra testemunha relatou que também se relacionava com Paulo Silas. No dia em que o camelô foi assassinado, os dois iriam se encontrar novamente. Mas o encontro foi desmarcado. Paulo avisou que recebeu uma encomenda de grande quantidade de CDs e DVDs para ser entregue em Cava Grande, Marliéria. No dia seguinte ele não apareceu e, ao procurar pelo namorado, a mulher descobriu que ele fora assassinado em Cava Grande. A irmã dele me contou, na época, que ele mantinha relacionamento com outra mulher, casada”, disse a testemunha.
Outra pessoa, que depôs no inquérito, mencionou que o principal suspeito da morte do vendedor ambulante, Dione Aparecido, colocou à venda um equipamento de som automotivo com as mesmas características do som que equipava o Fiat Tempra de Paulo.
Negativa
Samara Cristine Ferreira negou de forma veemente, em depoimento na Delegacia de Polícia Civil, que mantivesse um relacionamento íntimo com Paulo Silas e insistiu que os dois eram apenas amigos. A versão não convenceu os investigadores porque o relacionamento entre ambos era de amplo conhecimento no círculo de amizades de Paulo. Samara também negou envolvimento no assassinato.
Por sua vez, Dione Aparecido de Souza afirmou durante interrogatório que mantinha um relacionamento normal com Samara Cristine, apesar das brigas corriqueiras de casal” e somente tomou conhecimento da relação da mulher com Paulo após a morte do comelô. Ele negou ter feito ligações telefônicas para a vítima e atraído Paulo para a emboscada fatal. Tanto Dione quanto Samara desabilitaram a linha telefônica celular depois do crime. A PC acredita que o fizeram com o propósito de evitar um rastreamento de ligações telefônicas.
O terceiro suspeito de envolvimento no crime, Jhunior Alves, nunca foi encontrado pela Polícia Civil, mas também acabou indiciado. A Polícia Civil pediu a prisão preventiva dos três. Tanto Dione quanto Jhunior respondem a outros inquéritos na PC.
As investigações indicam que Dione Aparecido comercializava gás de cozinha sem alvará em sua residência e uma testemunha o aponta como autor de uma tentativa de homicídio, ocorrida em 2011, em frente a Escola São Sebastião, no bairro Santa Cecília, ocasião em que um indivíduo foi alvejado em uma das mãos, por disparos de arma de fogo. O caso ainda está sob investigação.
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