04 de setembro, de 2013 | 17:25

Maníaco da Bolsa volta preso depois de 12 anos foragido

Irene Franco avalia que a soma de todos os processos em aberto contra Marques gera perspectiva que ele pegue até 120 anos de prisão.


IPATINGA – Com a cabeça baixa a maior parte do tempo, Marques Alves dos Santos, de 38 anos, acusado de cometer estupros em série em Ipatinga, foi apresentado à imprensa na tarde desta quarta-feira, na sede do 12º Departamento de Polícia Civil (DPC), no bairro Iguaçu. Marques foi recapturado pela Polícia Civil em uma operação denominada Cerco ao Marquês, concluída no dia 29 de agosto, depois de quatro meses de investigação. Marques estava foragido há 12 anos do Vale do Aço e foi localizado em Salvador, na Bahia.

Conhecido como o Maníaco da Bolsa, Marques estava foragido do Vale do Aço desde 2001, quando fugiu da cadeia de Timóteo. Ele foi preso após ser condenado pelo assalto seguido de estupro de quatro mulheres. Fugiu antes da conclusão de outros casos. A delegada Regional de Polícia Civil e chefe Interina do 12º DPC, Irene Franco, comandou diretamente a equipe que atuou na investigação e relembrou o caso. “Ele aterrorizou a cidade em 1999 e mais de 15 crimes vieram à tona. Por algum tempo, mulheres, principalmente as moradoras dos bairros Cariru, Bela Vista, Bom Retiro e Horto, ficaram com medo de andar pelas ruas, devido aos constantes ataques do Marques”.

Conforme explicou Irene Franco, na época dos crimes, uma equipe comandada pela então Delegada de Mulheres, Vera Almeida, se empenhou em elucidar a identidade de Marques, que foi localizado na empresa que trabalhava. “Uma equipe da PC se deslocou até a empresa e, quando o armário do suspeito foi revistado, as bolsas de todas as vítimas caíram. Além de roubar as mulheres, ele ainda guardava as bolsas, como se fossem troféus. Por isso, foi chamado de Maníaco da Bolsa”.

A delegada informou que Marques foi acusado de 12 crimes de roubo e quatro estupros, alguns deles marcados pela violência. “Algumas vítimas ficaram com graves sequelas, como foi o caso da adolescente abusada por ele dentro da própria residência”.

Nos crimes, Marques atacava suas vítimas, que sempre eram mulheres. Em condições fossem favoráveis ao estupro, ele complementava o crime. Quando o local não era favorável ou se a vítima gritasse a chamasse a atenção de possíveis testemunhas, ele apenas levava a bolsa e algum outro objeto. Em 1999, Marques foi condenado a 29 anos de reclusão. Dois anos depois, fugiu da cadeia de Timóteo.

Na apresentação, Marques falou pouco na entrevista à imprensa. Limitou-se a declarar que está arrependido dos crimes cometidos e que pagará a pena de todas as acusações.

Yasmini Gomes + Reprodução


marques coletiva


Depoimento

Marques informou que, após sair do Vale do Aço, foi para o estado de Pernambuco, onde viveu alguns anos. Depois, mudou-se para Salvador, na Bahia. Na capital soteropolitana ele se casou, teve uma filha e vivia com outra identidade, de Vinícius Marcos da Silva. “Ele declarou que não cometeu novos estupros durante o período em que esteve foragido, porém a PC tem informações que na Bahia, está envolvido em um caso semelhante aos que praticava no Vale do Aço”, enfatizou Irene Franco.

A delegada informou que a prisão de Marques faz parte dos inúmeros casos revalidados pela Polícia Civil. “Paralelamente aos crimes que acontecem hoje em dia, cumprimos antigos mandados de prisão de pessoas envolvidas com crimes relevantes da nossa sociedade. Isso mostra que a PC não está abandonando antigos casos”.

Irene Franco avalia que a soma de todos os processos em aberto contra Marques gera perspectiva que ele pegue até 120 anos de prisão. “Além de cumprir aquela pena de 29 anos, ele tem outros 12 processos em aberto na Justiça”.

A investigação do caso de Marques, informou a delegada, foi feita pela Inspetoria da 1ª Delegacia Regional e coordenado pela titular, Irene Angélica. Os inspetores Jucimar, André e José Valter foram os responsáveis pelo trabalho de campo. “Foi uma investigação trabalhosa, devido à topografia do local em que Marques estava escondido. Descoberto o reduto dele em Salvador, uma equipe coordenada pelo delegado Gilmaro Alves foi encaminhada a Bahia. A investigação foi sigilosa para que não corrêssemos o risco do procurado fugir”. A delegada ainda informou que, na recaptura, o acusado não reagiu e colaborou com o trabalho da polícia.

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Outras vítimas ainda podem procurar a polícia

A delegada regional ressaltou a importância, para a PC, quando suspeitos de crimes são levados a júri e condenados. “Um meio de assegurar a redução da criminalidade é fazer com que a Justiça vá até o final. Gosto de acompanhar os resultados, os júris dos casos investigados pela PC. Embora seja a área da Justiça, a PC tem essa preocupação. Essas condenações mostram para a população que a penalidade existe e é aplicada”.

A delegada apontou que algumas vítimas de Marques já entraram em contato com a Delegacia de Polícia Civil para agradecer pela recaptura do agressor.

Para Irene Franco, outros casos ocorreram, porém as vítimas não entraram em contato com a polícia. “Ainda dá tempo de vítimas que não deram queixa de agressões entrarem em contato com a polícia. O crime de estupro tem prescrição de 18 anos. Mesmo com ele foragido, a contagem do tempo é interrompida e só agora terá continuidade. Até as vítimas da Bahia e do Pernambuco devem entrar em contato com a PC”.

Conforme apontou a delegada regional da PC de Ipatinga, mesmo que Marques tenha declarado que não cometeu outros estupros, a polícia acredita que mais mulheres, tanto na Bahia quanto no Pernambuco, foram agredidas. “Mesmo que ele tenha declarado que não cometeu este tipo de crime mais, é muito difícil acreditar que diante dos fatos graves que ele praticou em série, que a vontade dele tenha passado. É importante que a comunidade faça denúncias e informe a PC sobre pessoas que precisam ser presas, pessoas que cometeram crimes e não estão pagando pelo que fizeram”, concluiu a delegada.

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