26 de junho, de 2013 | 00:05
Cidade do Vale do Aço entre as mais violentas de Minas Gerais
Em alguns meses de 2013 taxa de homicídios supera média estadual
FABRICIANO - Dados apresentados pela Secretaria de Defesa Social de Minas Gerais em maio deste ano apontaram os índices de violência, homicídios e crimes contra o patrimônio em algumas cidades do Estado. A pesquisa foi realizada em áreas com população acima de 100 mil habitantes, abrangendo 29 cidades de Minas Gerais. Coronel Fabriciano, que possui cerca de 110 mil habitantes, está entre as cidades em que as taxas de crimes são consideradas elevadas, considerando-se os grupos de 100 mil habitantes. Em alguns períodos, os índices se aproximaram ou ultrapassaram os índices estaduais.
No período entre janeiro e maio de 2013, por exemplo, o índice de crimes violentos contra o patrimônio da cidade subiu em relação ao mesmo período do ano passado. Enquanto em 2012 a taxa foi de 21,6 casos, em 2013 esse índice subiu para 29,8.
Coronel Fabriciano também se aproxima dos índices médios de crimes violentos em âmbito estadual. No período de janeiro a maio de 2012, por exemplo, a taxas variaram entre 27,5 e 29,3 casos em Minas Gerais, enquanto no mesmo período de 2013 esse índice ficou entre 21,5 e 29,8 casos no âmbito municipal.
Outro índice considerado alarmante apresentado na pesquisa é o relacionado à taxa de homicídios consumados, que em Coronel Fabriciano chega a ser maior que o índice de Minas Gerais. Entre janeiro e maio de 2012, houve um aumento na taxa de homicídios na cidade, que variou entre 4 e 5 casos. No mesmo período de 2013, o número aumentou para 7 casos em maio. A taxa ultrapassa a média estadual, que é de 1,6 caso para cada grupo de 100 mil pessoas entre janeiro e maio de 2012, e que também se repete em 2013.
Além dos dados estatísticos oficiais, que trazem números com um atraso de trinta dias, a Editoria de Polícia do DIÁRIO DO AÇO também faz o acompanhamento estatístico semana a semana dos crimes contra a vida no Vale do Aço. Em Coronel Fabriciano, até o dia 18 de junho, o município já tinha registrados 28 homicídios.
Designação de delegado para conter matança
A Delegacia de Homicídios de Coronel Fabriciano, que desde maio de 2012 funcionava sem um delegado específico, só passou a ter um delegado efetivo a partir de abril deste ano. Por causa da falta funcionários, o setor era coordenado pelo delegado Amaury Tomáz, que, além da Homicídios, era responsável por outras duas delegacias.
O delegado Jorge Caldeira, que assumiu especificamente a Homicídios no dia 9 de abril passado, tem pela frente o desafio de controlar as taxas de crimes contra vida no município, além de concluir crimes que ainda não foram solucionados. Tem apenas dois meses que a Homicídios passou a funcionar sozinha e já temos um saldo positivo. Alguns casos de áreas específicas já foram elucidados, como é o caso dos homicídios no bairro Amaro Lanari ano passado. Ao resolvermos esse crime, solucionamos outros dois. E é possível perceber que a população está ficando mais otimista com o trabalho da Polícia Civil”, avaliou.
Sobre os índices de crimes de Coronel Fabriciano, Jorge Caldeira também considera a situação preocupante, quando a situação é comparada à de outras cidades mineiras. Uma cidade como Coronel Fabriciano jamais poderia ter índices tão elevados. São números equiparados a regiões que classificamos como zonas quentes, que é o caso de cidades próximas da capital, como Contagem e Esmeraldas, por exemplo”, relatou.
Como ação prática para enfrentar esse quadro de violência, o delegado explicou que a polícia realiza diversas operações em bairros em que os índices de criminalidade são elevados. Nosso efetivo é pequeno, mas de toda forma estamos fazendo uma seleção de áreas com altos índices de criminalidade e atuando nessas regiões primeiro. É o caso dos bairros Amaro Lanari, Alipinho, Frederico Ozanan e Caladão. Em parceria com a Polícia Militar, por exemplo, já cumprimos cerca de 15 mandatos de busca, apreensão e prisão nessas áreas”, pontuou.
É como se fosse uma roda da morte”
O auxílio da população, como apontou o delegado, tem sido fundamental na elucidação dos crimes em Coronel Fabriciano. No entendimento do titular da Delegacia de Homicídios de Coronel Fabriciano, Jorge Caldeira, a população não suporta mais a violência e não tem medido esforços no sentido de denunciar os criminosos. O trabalho da Polícia Civil é lidar com as informações, e elas, em grande parte, vêm da população, que são as pessoas que vivem nos locais onde os crimes ocorrem”, enfatizou.
Jorge Caldeira apontou que, além do disque-denúncia unificado 181, que é uma ferramenta essencial para encaminhar denúncias 24 horas por dia, as pessoas também têm se dirigido à delegacia para repassar informações. Os cidadãos de bem se incomodam com os crimes. É por isso que eles vêm até a polícia com informações. O número de pessoas que vêm até a delegacia fazer denúncias é enorme. São pessoas indignadas com o elevado índice de violência da cidade”, afirmou.
Jorge Caldeira reforçou a ideia de que os crimes contra a vida em Coronel Fabriciano, em sua maioria, estão ligados ao tráfico de drogas e à disputa de território do tráfico. A disputa não é pela droga, e sim pela área. São represálias a homicídios ocasionados por essa disputa. É como se fosse uma roda da morte, em que, se um primeiro mata, outros serão assassinados também”, relatou.
Por fim, Jorge Caldeira relata que todas as medidas necessárias para mudar o cenário de violência na cidade estão sendo adotadas. A população pode ter certeza que estamos trabalhando. O trabalho de combate ao crime não é algo pontual, acontece todos os dias. E nós estamos nos empenhando para tornar Coronel Fabriciano uma cidade tranquila”, concluiu.
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