16 de junho, de 2013 | 00:15
Chefe do 12º DPC explica andamento de investigações
Esse povo pode botar a barba de molho aí porque nós estamos de olho e iremos prender todos aqueles que são culpados”
IPATINGA - Subcorregedor da Polícia Civil de Minas Gerais, o delegado Elder DÂngelo assumiu a chefia do 12° Departamento da Polícia Civil de Ipatinga (DPC) no dia 19 de abril, após o afastamento do antecessor, José Walter, por problemas de saúde.
O atual delegado trabalha coordenando seis delegacias regionais, além de participar da investigação de 14 inquéritos sobre crimes de execução no Vale do Aço, com suspeita de envolvimento de policiais civis e militares.
Entre os crimes em apuração, estão as mortes do repórter Rodrigo Neto e do fotógrafo Walgney Carvalho, a chacina de Revés do Belém e o desaparecimento de adolescentes infratores no bairro Cidade Nobre. Em entrevista ao DIÁRIO DO AÇO, ele fala sobre a presença da Delegacia de Homicídios em Ipatinga, o trabalho realizado nas investigações e a perspectiva da polícia quanto aos resultados.
DIÁRIO DO AÇO Desde a sua chegada ao comando do 12° DPC, o senhor realizou mudanças no sistema interno, principalmente no que diz respeito ao remanejamento de policiais. Como foi isso?
ELDER - A minha figura aqui é apenas como norteadora, e não de decisões. Todas as mudanças que ocorreram aqui vieram da chefia de polícia, da superintendência e com o auxílio da Delegacia Regional, sob o comando da delegada Irene Franco. Mudanças de ideologia e de comportamento após a remoção dos policiais ocorreram sim. Estamos agindo sob a política de manter os bons” e punir os ruins”.
DA Oito policiais foram removidos para outras delegacias, eles ainda podem retornar?
ELDER Alguns policiais foram removidos por cometerem infrações leves. Esses podem ter seus cargos de volta, porque aqui nós usamos a política da lógica e da justiça. Agora, os policiais que foram presos dificilmente retornarão. Principalmente por existirem indícios de participação deles em infrações penais. Apenas o médico-legista está fora da lista daqueles que não retornarão. Infrações graves, que são aquelas que envolvem atendimento ao público, como problema na habilitação, em Trânsito ou Homicídios, não permitem que o policial retorne a atuar no local onde ela foi cometida.
DA E as vagas desses policiais presos ou removidos, já foram preenchidas?
ELDER Elas não foram totalmente ocupadas. Na quarta-feira (12), por exemplo, foi publicada a designação de oito escrivães para a região e autorizado o concurso para 1.500 investigadores da Polícia Civil. As vagas serão preenchidas gradativamente.
DA - Como estão as investigações relacionadas ao caso do repórter assassinado?
ELDER Elas continuam intensas e mais prisões sairão. Esse povo pode botar” a barba de molho aí porque nós estamos de olho e iremos prender todos aqueles que são culpados. A partir de toda essa confusão, o Vale do Aço passou a receber monitoramento intenso e permanente. Mesmo quando a Corregedoria e a Delegacia de Homicídios forem embora, nós vamos continuar monitorando. Voltaremos quando for necessário e, se for preciso remover outros policiais, independentemente do tempo de trabalho deles, nós iremos remover.
DA É intensa a cobrança por informações sobre este caso, e há um silêncio por parte da PC. Por que?
ELDER - Não podemos divulgar tudo, porque isso pode atrapalhar na investigação. O que pode ser divulgado, a gente solta. O crime do Rodrigo Neto, por exemplo, não está estampado, muitas barreiras precisam ser vencidas, testemunhas têm que ser convencidas a falar. E a equipe de homicídios está aqui não é com apenas um inquérito, são 14. Vamos apresentar os resultados no momento certo. Nós temos uma regra pra seguir: os bandidos, não. Então, se sairmos da regra, lá na frente a Justiça pode não aceitar as nossas evidências, alegando provas fracas ou incompletas. Além disso, quando soltamos informações antecipadas, corremos o risco de os envolvidos fugirem.
DA Como o senhor vê a cobrança da população para que o Caso Rodrigo Neto seja apurado pela Polícia Federal?
ELDER A Polícia Federal não está aqui porque o crime não é de competência dela. Os federais só investigam quando são crimes em que a União é vítima, como um assalto à Caixa Econômica, aos Correios ou o assassinato de algum político ou funcionário do governo. E aqui foram jornalistas. Se os federais estivessem aqui eles teriam dificuldades igual ou pior que as nossas. Até porque não há sede da PF aqui. Eles teriam que deslocar pessoal de Governador Valadares, e esses agentes não conhecem a região, não têm fontes, não têm domínio do que acontece aqui. Já a Polícia Civil conhece e tem formas mais viáveis de realizar a investigação. A Polícia Federal não é mágica, ela também deixa de resolver alguns casos. A estratégia que nós usamos, e que a Polícia Federal também usa, é a de apresentação de resultados. Nós, da Civil, investigamos aquilo que a população e o Estado de Minas Gerais são vítimas. Tirar a Polícia Civil daqui e colocar a Federal é a mesma coisa que falar que a Polícia Militar está falhando e, pra solucionar essa falha, colocar o Exército dentro da cidade.
DA O DHPP permanecerá em Ipatinga?
ELDER - A Homicídios não tem condições de permanecer aqui. Ela vem, realiza o trabalho dela, apresenta os resultados. Qualquer coisa que acontecer por aqui, fora do normal, pode voltar. A capital não é tão longe a ponto de os policiais e investigadores não poderem voltar e realizar seu trabalho. Estamos de olho e não adianta o cidadão achar que vai praticar crimes e ficar encoberto, porque não vai.
DA O senhor acredita que a presença da Delegacia de Homicídios tem mudado o quadro de violência na cidade?
ELDER Do dia 24 de maio até o dia 13 de junho, por exemplo, não houve um homicídio em Ipatinga. Essa é a prova de que temos resultados favoráveis, e dentro de alguns dias mais resultados, referentes às outras investigações, vão ser revelados à população. Alguns casos são solucionados aos poucos, devido à sua complexidade, e por isso a polícia está agindo com cautela. A população pode ficar tranquila porque a Polícia Civil vai continuar trabalhando até que todos os culpados sejam presos e todos os crimes sejam solucionados.
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