16 de fevereiro, de 2011 | 00:00
Júri julga aposentado por homicídio de 1999
Acusado é condenado por mando da morte de ex-mulher mas vai recorrer em liberdade, anuncia advogado
IPATINGA - Durou mais de dez horas de julgamento do aposentado Edmilson Eduardo de Oliveira, de 44 anos, na noite desta terça-feira (15). Ele responde como mandante da morte da ex-mulher, a professora Zelândia Laviola Marques Oliveira, 32, ocorrida em 23 de abril de 1999 na antiga rua Alvino Olegário (rua que não existe mais, com a expansão da avenida Magalhães Pinto), no bairro Alipinho.
Ao fim do julgamento Edmilson foi condenado a 13 anos de prisão em regime fechado. No entanto, o seu adovgado, Jayme Rezende, informou que o seu cliente vai recorrer da sentença, em liberdade. Edmilson chegou a ser preso preventivamente durante as investigações desse crime, mas foi solto para responder o processo em liberdade, o que já dura quase 12 anos.
O crime teve muita repercussão no Vale do Aço. Zelândia era professora na Escola Municipal Paulo Franklin, no bairro Santa Cruz. Ela ainda ministrava aulas no Projeto Curumim, no bairro Pedra Linda. Além de Edmilson, Benedito de Oliveira, 59, o Bené”, também era acusado de ser um dos autores do crime, mas o suspeito suicidou-se em 2009.
A Justiça marcou por duas vezes o júri popular. O primeiro, para abril de 2007, e depois em maio de 2008. Nessas duas ocasiões, faltaram jurados para compor o Conselho de Sentença, fato que preocupou a família da vítima, que chegou a procurar a imprensa para pedir o comparecimento das pessoas que compõem o corpo de jurados para não haver novo cancelamento.
A professora foi encontrada sobre a cama. Ela recebeu facadas nas costas e no pescoço. Os assassinos ainda estrangularam a vítima com uma corda de nylon. Os policiais encontraram o cadáver da professora com um pedaço de pano no pescoço e outra tira na boca. Durante o crime, os filhos da professora estavam em casa, na época uma menina com 7 e um garoto de 11 anos.
As crianças ficaram trancadas até serem liberadas por vizinhos. As crianças teriam presenciado a morte da mãe. Eles disseram que dois homens invadiram a casa para cometer o crime. O namorado de Zelândia chegou a ser investigado mas, com base nas informações do casal de filhos da professora, a Polícia Civil chegou ao ex-marido da vítima.
Ele e Bené foram indiciados por homicídio qualificado pelo delegado Alexsander Esteves Palmeira. O aposentado, como o mandante, por não aceitar o relacionamento da ex-mulher. Os suspeitos foram presos, mas ganharam liberdade para aguardar as investigações e o desenrolar do processo na Justiça.
Chegada
Edmilson chegou acompanhada da atual mulher e dos dois filhos, hoje já adultos. Inicialmente, ele se recusou a falar com a imprensa, mas aceitou falar sobre as acusações. O aposentado negou estar envolvido com a morte da ex-mulher. Estava separado dela e já tinha começado um novo relacionamento com minha atual mulher”, disse o réu ao se dirigir para o Fórum.
Ele criticou a imprensa, alegando que as irmãs de Zelândia falaram várias inverdades sobre ele. Estou aqui para provar minha inocência. Falou-se que ouviram meu nome, mas o namorado dela (Zelândia) era Adilson, parecido com Edmilson. Criei meus dois filhos e até resolvi estudar”, resumiu o réu, que formou-se em Direito há poucos meses.
Depoimento de filho revolta a promotoria
O julgamento de Edmilson Eduardo de Oliveira, de 44 anos, começou com 15 minutos de atraso. A juíza Beatriz dos Santos Vailante presidiu o Tribunal do Júri. O promotor de Belo Horizonte, Francisco de Assis Santiago, representou o Ministério Público. O advogado Délio das Graças Gandra trabalhou como assistente da acusação.
O aposentado foi defendido pelos advogados Jayme Queiroz Rezende e Marcelo Martins Barros. Familiares do réu e da vítima compareceram em peso, além de amigos, curiosos e estudantes de Direito, obrigando a distribuição de senhas para o acesso ao Salão do Júri. Um reforço policial foi encaminhado para o Fórum por medida de segurança. As pessoas tiveram que ser revistadas para entrar no local.
O debate e depoimentos foram tensos durante todo o dia. O momento que causou comoção foi o depoimento dado na parte da manhã pelo filho da professora Zelândia Laviola Marques Oliveira. O rapaz, hoje com 22 anos, como testemunha de defesa do pai, deu uma declaração forte e polêmica durante a sua fala no plenário. Ele alegou que a mãe estaria se prostituindo e envolvida com drogas”.
O promotor Francisco Santiago, que tem mais 1,2 mil júris ao longo de carreira, alegou que nunca presenciou isso na carreira e chamou o rapaz de covarde. Já o auxiliar de acusação, advogado Délio Gandra, contratado pela família da professora, comparou o rapaz a um monstro”. Os advogados defesa contra-atacaram alegando que se não fosse a boa educação dada por Edmilson, realmente o menino teria se tornado um monstro mediante a violência presenciada por ele.
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