Movimento em favor da vida

Familiares e amigos de bibliotecária morta em acidente fazem protesto em frente à delegacia pedindo cumprimento da Lei Seca

Fotos: Wellington Fred


Amigos e familiares exibiram cartazes pedindo que a Lei Seca seja aplicada na sua totalidade

IPATINGA - Pelo menos 80 pessoas saíram às ruas de Ipatinga com o objetivo de exigir que a legislação seja cumprida em favor da vida. É o grande apelo dos participantes, grupo formado por amigos e familiares da bibliotecária Raquel Barreto da Silva, de 24 anos. A jovem morreu no último dia 31 de agosto após um acidente de trânsito. A pessoa apontada como responsável pelo acidente estaria com sintomas de embriaguez. O manifesto aconteceu em frente à 1ª Delegacia Regional de Polícia Civil.

Os manifestantes usavam uma camisa com a estampa da foto de Raquel. Eles permaneceram cerca de uma hora em frente à delegacia e, com o carro de som, pedindo às autoridades que cumprissem o que determina a Lei 11.705/08. A conhecida Lei Seca tem a promessa de ser mais rigorosa em relação aos motoristas flagrados dirigindo embriagados. Mas ainda faltam equipamentos para poder punir, como o bafômetro.

A dona de casa Maria de Lourdes Barreto da Silva, de 54 anos, juntamente com o marido, o aposentado Adil Barbosa da Silva, de 60, e um filho, entregaram um abaixo-assinado com mais de cinco mil assinaturas ao delegado regional Leonardo Vieira Dias. “São assinaturas em favor da vida para que nenhuma outra mãe passe por isso que estou vivendo”, desabafou Maria de Lourdes.

Ela lembrou que a filha, a caçula de uma família de três irmãos, era uma pessoa querida por todos: “No dia em que viajou, deixou um bilhete dizendo que voltaria e mandou um grande beijo para a gente. Sempre que ela saía me ligava para contar onde estava e, neste dia, como estava na igreja e meu telefone desligado, Raquel deixou o bilhete. É o último registro dela”, recorda a mãe.


Maria de Lourdes, mãe de Raquel, entregou ao delegado Leonardo Vieira um abaixo-assinado
Conscientizar
Maria de Lourdes, que usava uma camisa com a foto da filha, e na cor rosa, a preferida de Raquel, acrescentou que o manifesto pacífico é para conscientizar os motoristas que mesmo após beberem se arriscam na condução de veículos. “Espero que minha filha seja uma semente que possa brotar e salvar várias vidas. Você, se beber, não dirija. Vá a pé, de táxi, com outros amigos de carro que não beberam. Vamos parar com essa violência no trânsito”, desabafou.

O namorado de Raquel, o metalúrgico Evandro Alves de Souza Júnior, de 23 anos, lembra os momentos do acidente. Ele estava na condução da moto que bateu contra o carro do agente penitenciário Éderson Marques Stocker, de 35 anos: “Ele passou, olhou e fugiu sem dar atenção. Eu não bebo, minha namorada não bebia. Até quando famílias, namorados, vão chorar a perda de uma pessoa por acidente provocado por motorista embriagado?”, perguntou durante o protesto.

Após conversar com os familiares de Raquel, o delegado Leonardo Dias elogiou a forma de protesto pacífico escolhido por eles e os amigos no manifesto. O policial ressaltou que as medidas previstas na lei estão sendo tomadas e lamentou a falta do etilômetro. “Isso transcende até nossa vontade de deixar presa esta pessoa suspeita. A garota morreu 14 horas depois do acidente. No momento dos fatos não havia a noticia de sua morte. O inquérito está em andamento e outros fatos estão sendo levados para os autos”, garantiu o delegado.
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