Preso por porte ilegal de arma morre na cadeia

Família acusa policiais e diz que vítima foi espancada

Wellington Fred


Saulo foi preso por porte ilegal de armas

TIMÓTEO - A Polícia Civil apura uma morte dentro da cadeia de Timóteo durante a tarde de domingo. O pintor Saulo de Aguiar, de 28, morreu na cela 1 reclamando de dores pelo corpo, que a família dele aponta que seja de agressão policial. O rapaz foi preso na última sexta-feira por porte ilegal de arma de fogo ao ser encontrado no distrito de Cachoeira do Vale por policiais militares. Ele portava um revólver calibre 32 e tentou fugir da abordagem policial.

Saulo foi autuado em flagrante por porte ilegal de arma de fogo pelo delegado de plantão Astrogildo Valério. Encaminhado para a cadeia, o rapaz passou mal reclamando de dores na barriga e morreu na tarde de domingo. O corpo dele foi retirado da cela e periciado pela perita Cristina, e apresentava escoriações pelo corpo originadas na sua prisão, fato constado na ocorrência, quando chegou até ser medicado no Hospital Vital Brazil.

O corpo foi ncaminhado para o Instituto Médico-Legal de Ipatinga - o laudo não foi emitido oficialmente -, onde familiares se informaram de que Saulo morreu vítima de agressão. Ele teve o intestino rompido e fezes se espalharam por dentro do abdome, provocando uma grave infecção. “Eu cheguei a vir até a cadeia para vê-lo, mas não pude e trouxe para ele remédio para dor no estômago”, disse a mulher dele, Josiane Conceição Ferreira, de 18, grávida de nove meses do segundo filho do pintor.

O corpo dele foi enterrado ainda ontem no Cemitério Jardim da Saudade, no bairro Santa Maria, em Timóteo. Os familiares prestaram depoimento ao delegado Astrogildo, reclamando da suposta agressão policial sofrida pelo pintor. “Vamos aguardar o laudo e ouvir testemunhas para decidir o que iremos fazer, mas ainda é prematuro falar que policiais militares agrediram o rapaz”, explica o delegado em conversa com o DIÁRIO DO AÇO.

Wellington Fred


Mãe de Saulo, Maria da Penha, pede justiça

Medo
A mãe dele, a dona de casa Maria da Penha Aguiar, de 54 anos, chorando muito, pediu justiça e explicou por que o filho não denunciou a agressão durante o depoimento. “Não se pode matar uma pessoa assim, por agressão. Acredito que ele não entregou os policiais por medo, mesmo estando com o advogado acompanhando-o”, disse logo após prestar declaração à Polícia Civil.

O advogado de Saulo, José Constantino Filho, o Coronel, confirmou que o cliente dele não alegou ter sido agredido. “Ele já estava no final do depoimento quando cheguei e não me contou sobre isso”, disse. O comando da PM em Timóteo adiantou que num primeiro momento vai aguardar os procedimentos da Polícia Civil para decidir se instaura ou não um Inquérito Policial Militar (IPM) para apurar a denúncia.

Apesar de a família de Saulo alegar que ele não tinha passagem pela polícia, ele já havia sido preso em 8 de novembro de 2006 por furtar armas de fogo na casa de Geraldo Magela Campos, de 58. O acusado, juntamente com Ricardo Souza, o ‘Cipó’, 22, teria furtado algumas armas longas na casa onde ele trabalhava.
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