Pai que matou filho é encontrado morto

Wellington Fred


Corpo de Rafael é retirado do presídio após os trabalhos da perícia

FABRICIANO - O ajudante Rafael Ricardo Lucindo, 22 anos, parece ter cumprido a promessa feita anteontem ao DIÁRIO DO AÇO, quando ainda estava na delegacia. Acusado de matar o filho Rafael Ricardo Lucindo Júnior, de um ano e quatro meses, ele disse que tentaria se matar e reencontrar o garoto. O corpo foi achado enforcado dentro da cela do presídio de Coronel Fabriciano. Ele estava sozinho e teria usado as faixas retiradas da própria cabeça, faixas essas que envolviam o ferimento sofrido ao tentar fugir após matar o menino.

A descoberta do corpo ocorreu na manhã de ontem pelos agentes penitenciários. Pouco antes de ser encontrado morto, por volta das 8h, Rafael recusou o café da manhã levado até ele na cela de triagem da recém-inaugurada cadeia. Minutos depois chegaram os policiais civis que iriam encaminhar o ajudante para exame de corpo delito no Instituto Médico Legal de Ipatinga.

O delegado Adson dos Santos Camargos, que instaurou inquérito policial para apurar a morte do detento, informou, após os trabalhos dos peritos, que num primeiro momento a tese é de suicídio. “Todas as medidas de segurança foram tomadas no caso dele. O rapaz ficou isolado na cela e estava bem pela manhã, conforme me informaram os agentes”, comentou o policial civil.

Adson acrescentou que as faixas dos ferimentos do preso não foram retiradas porque o procedimento policial não permite. “Quem colocou foi um médico e apenas outro poderia retirá-las. Se algum agente ou policial as retirasse, vindo a infeccionar o ferimento ou causar qualquer problema, esta pessoa poderia ser responsabilizada. O certo é que todas as medidas de segurança no caso foram assumidas”, reforçou o delegado.

Ao lado do delegado Adson, o colega Francisco Pereira Lemos também frisou a questão da segurança no caso. “Ele já estava falando em se matar. O certo é que, ao final do efeito da droga, ele deve ter se arrependido, a ficha caiu e ele cometeu suicídio. Rafael sabia que a vida dele na cadeia não seria fácil, devido ao crime que cometeu ser repudiado até mesmo entre os presos”, lembrou Lemos.

 O suposto suicídio foi descoberto pelos agentes penitenciários praticamente no mesmo momento que familiares do menino Rafael Ricardo Lucindo Júnior providenciavam o sepultamento do corpo do garoto, no Cemitério Municipal Senhor do Bonfim, em Coronel Fabriciano.

Homicídio
Rafael foi preso pela Polícia Militar após cometer uma seqüência de crimes violentos na rua Inglaterra, no bairro Santa Cruz. Ele chegou desorientado e, conforme ele mesmo declarou posteriormente, sob efeito de drogas. Ao chegar à casa, passou a discutir e agredir a namorada, uma adolescente de 16 anos. O filho deles acabou acordando com o choro, indo até a mãe. Nervoso, o ajudante teria pegado a criança e jogado o corpo contra a parede da residência.

A menor saiu correndo para providenciar socorro com a vizinha, Cidenira Alves de Jesus, de 18 anos, que acabou atingida por uma paulada na cabeça, desferida pelo rapaz. A violência não acabou por aí. Ele tentou furtar a moto de Marcos Caetano de Oliveira, 27 anos, e o dono do veículo recebeu uma paulada na boca ao evitar o roubo. O ajudante se feriu ao pular de uma ponte e sofreu um profundo corte na cabeça. Ao ser medicado ele teve a cabeça enfaixada, faixas essas que seriam as armas usadas por ele para cometer suicídio.
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