Polícia indicia comerciante por crime bárbaro

ACS/PMT


Lemos comunica aos vereadores, prefeito Geraldo Nascimento, deputado Durval Ângelo e familiares da vítima a apuração do crime

TIMÓTEO - Um comerciante de Timóteo é apontado como o autor da morte da estudante Fernanda Tamara da Silva Rosa, de 15 anos, ocorrida em 12 de dezembro do ano passado. A revelação foi feita ontem pelo delegado Francisco Pereira Lemos durante audiência da Comissão de Direitos Humanos da Assembléia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) realizada na Câmara Municipal de Timóteo. O objetivo discutir os crimes violentos no município. A polícia pediu que o nome do indiciado não fosse divulgado para evitar que ele deixe a cidade.

O delegado repassou ao DIÁRIO DO AÇO uma cópia do relatório do inquérito policial com onze páginas remetido para a Justiça na última segunda-feira. No relatório, o delegado Lemos pede ao Judiciário a prisão preventiva do acusado. Nas investigações feitas pela Polícia Civil, realizadas em conjunto com a Polícia Militar, o comerciante teria coagido testemunhas para fornecerem um álibi e tentar se safar da acusação do assassinato de Fernanda.

Para Lemos, o acusado tem um vício sexual de sair com adolescentes. “Foi levantado que há casos em que este indiciado teria envolvimento com menores. Ao refazermos as investigações, descobrirmos que ele teria montando álibis para confirmar seu depoimento na delegacia”, revelou o delegado, reafirmando que o Ministério Público poderá até denunciá-lo por esta farsa.

Os policiais ouviram testemunhas que apontaram o acusado como freqüentador assíduo do Novo Tempo em busca de adolescentes. Ele teria chegado a pagar R$ 15 a uma mulher para “arranjar” menores com interesses sexuais. “Após a morte de Fernanda, ele não apareceu mais no bairro Novo Tempo. O que é estranho, pois ele ficava rodando (sic) por lá direto”, declarou uma testemunha nos autos.

Um dos álibis do comerciante caiu diante das pistas apontando que ele esteve no bairro Novo Tempo. O indiciado pediu para que falasse à polícia que esteve em sua casa no dia 11 de dezembro, noite que Fernanda desapareceu. As investigações foram assumidas no dia 12 de março pelo delegado Lemos com a aposentadoria do delegado Nivaldo Antônio da Conceição. Os policiais conseguiram que duas jovens revelassem que mentiram no depoimento por temer pela vida diante da situação do suspeito, por ser uma pessoa influente.

Carona
Lemos ainda ressaltou no relatório que o comerciante deixou as duas após dar carona para elas, e depois pegou Fernanda, que já o conhecia. O indiciado tentou manter relações com a garota, a agarrou pelo pescoço e, num momento emocional, a estrangulou. Ele atirou o corpo de Fernanda na rua Rio Grande do Sul, no bairro Novo Tempo, próximo ao Cefet-MG. O acusado levou os chinelos da garota, além de uma caixa de bombons.

Como ele tinha certeza de que não teria vestígios no corpo da estudante, não relutou em fornecer material genético para o exame realizado no Instituto de Criminalística da Polícia Civil, em Belo Horizonte. Os exames não apontaram material masculino nos genitais da garota, dando negativo em comparação ao colhido do suspeito. “Tenho convicção de que é ele o autor do crime. Agora está nas mãos da Justiça em acatar ou não o pedido de prisão preventiva”, disse o delegado, que indiciou o comerciante por homicídio e atentado violento ao pudor.

Audiência aponta a integração da comunidade na solução de crimes

A Audiência realizada na Câmara Municipal contou com familiares de Fernanda Tamara da Silva Rosa. Pai, mãe e amigos acompanharam a divulgação do encerramento do caso. O encontro foi realizado em Timóteo após uma intervenção dos vereadores Beto Poeta (PPS) e Willian Salim (PPS), que estiveram em Belo Horizonte há três semanas quando solicitaram do presidente da Comissão de Direitos Humanos da ALMG, deputado Estadual Durval Ângelo (PT), e do Deputado João Leite (PSBD) a intervenção para elucidação do caso.

Durval Ângelo elogiou o trabalho da polícia que esteve empenhada em solucionar o crime. “Diante de uma injustiça como esta é de suma importância cobrar a apuração do crime. Fico feliz ao saber que este caso está elucidado”, revelou, destacando a mobilização. “Nós, da comissão, e da Câmara de Vereadores, nos mobilizamos junto à comunidade para pressionar e apurar este crime. Lutamos ainda por uma comunidade que tenha paz”, acrescenta Durval Ângelo.

Presente à audiência, o prefeito de Timóteo Geraldo Nascimento de Oliveira (PT) frisa que o Legislativo e Executivo sempre estarão empenhados por justiça. “Vamos lutar sempre por políticas públicas buscando melhorar a questão da sociedade”, destaca. Inconformado, Geraldo Nascimento se solidarizou com a mãe. “Se fosse uma morte natural seria mais fácil se entender, mas não, a vida da adolescente foi tirada de forma brutal”, analisa.

Emocionada, Maria Aparecida Rosa, mãe da adolescente assassinada, disse que a justiça tem que ser feita. “Minha filha não volta, mas só de saber que o assassino foi descoberto já vai amenizar minha dor”, declara. Aparecida Rosa reforça que o apoio da comunidade e do Legislativo foram fundamentais para que a luta tivesse resultado. “Não podemos ficar de braços cruzados diante de uma situação como esta. Não somente pelo que ocorreu em minha família, mas por qualquer crime que ocorra”, explica.

Debate
O presidente da Câmara Municipal de Timóteo, Keisson Drumond (PT) destacou a importância do encontro, lembrando que o Legislativo exerceu mais uma vez o seu papel que é de promover o debate para buscar soluções para os problemas de Timóteo. “Unindo o Legislativo estadual, o Executivo Municipal, as Polícias Militar e Civil”, contou.

Presente na audiência, o prefeito de Timóteo Geraldo Nascimento de Oliveira (PT) frisa que o Legislativo e Executivo sempre estarão empenhados por justiça. “Vamos lutar sempre por políticas públicas buscando melhorar a questão da sociedade”, destaca. Willian Salim (PPS) lembra que a luta é por interesses comuns, por isso é importante a mobilização.

Beto Poeta (PPS) diz que muito se pode fazer quando se trata de direitos humanos. “Fomos à Comissão certa em busca de auxiliar uma mãe que clama por justiça”, declama. Beto Poeta agradeceu a vinda da comissão de direitos humanos da Assembléia Legislativa e ao Delegado Lemos, ainda, pelo esforço em apurar o crime.

Comunidade
Emocionada, Maria Aparecida Rosa, mãe da adolescente assassinada, disse estar mais tranqüila em saber que o crime foi apurado. “Minha filha não volta, mas só de saber que o assassino foi descoberto já vai amenizar minha dor”, declara. Aparecida Rosa reforça que o apoio da comunidade e do Legislativo foram fundamentais para que a luta tivesse resultado. “Não podemos ficar de braços cruzados diante de uma situação como esta. Não somente pelo que ocorreu em minha família, mas por qualquer crime que ocorra”, explica.

Ao final da audiência a Comissão de Direitos Humanos da ALMG fez três encaminhamentos, sendo que estes documentos serão entregues na Secretaria Estadual de Defesa Social e na chefia de Polícia Civil do Estado. Um dos pedidos é que o Estado melhore as condições de infra-estrutura e o efetivo das polícias civil e militar na cidade. Um outro encaminhamento será feito à promotoria e à Vara Criminal da Comarca de Timóteo, relatando o conteúdo da audiência pública, para que os mesmos constem no processo.
Encontrou um erro, ou quer sugerir uma notícia? Fale com o editor: falecomoeditor@diariodoaco.com.br

Comentários

Aviso - Os comentários não representam a opinião do Portal Diário do Aço e são de responsabilidade de seus autores. Não serão aprovados comentários que violem a lei, a moral e os bons costumes. O Diário do Aço modera todas as mensagens e resguarda o direito de reprovar textos ofensivos que não respeitem os critérios estabelecidos.

ENVIE O SEU COMENTÁRIO