Família de carroceiro morto cobra justiça

Wellington Fred


Maria Aparecida, ao lado da irmã Luciana, mostra a carroça com a qual o pai José Onofre sustentava a família

IPATINGA - O enterro do carroceiro José Onofre Bitencourt, de 61 anos, foi acompanhado no fim da tarde de ontem, no cemitério do bairro Bom Jardim, por vários amigos. Ele havia assumido recentemente a Associação dos Carroceiros e foi morto na quarta-feira. Para a família, o autor do crime é mesmo um outro carroceiro, que foi ouvido pela polícia e negou a autoria do assassinato.

O DIÁRIO DO AÇO esteve na casa da família, na rua Zúnia, no bairro Bom Jardim, onde aconteceu o velório. A dona de casa Maria Aparecida Bitencourt, de 30 anos, disse que o pai estava sendo ameaçado. “Na terça-feira vi meu pai na praça e ele estava com medo de ser morto por este rapaz, o que acabou acontecendo”, desabafou a mulher.

José Onofre deixou seis filhos, além de 11 netos, um deles criado como um filho. “Ele criava o menino e o chamava de filho. No dia do crime, antes de ser morto, ele saiu dizendo para o neto que iria trabalhar para ganhar dinheiro e trazer comida para casa. Vi o assassino na delegacia e ele riu quando falei da morte do meu pai”, lembra Luciana Alves Bitencourt, de 22 anos, outra filha do carroceiro assassinato, e que chegou a ver o pai caído junto à carroça após ser baleado.

Maria Aparecida disse que o pai já havia formulado na Polícia Civil uma queixa de ameaças de morte, proferidas pelo suspeito do crime. “Meu pai não tinha inimizades, era muito conhecido na praça do Bom Jardim. O único problema é que este rapaz estaria o ameaçando por causa de um ponto para carroça”, desabafou a dona de casa.

Negou
O suspeito chegou a ser detido pelos policiais do Grupo Integrado de Intervenção Estratégica (GIIE). Encaminhado para a delegada Adeliana Xavier Santos, da Delegacia Adjunta de Crimes contra a Vida, ele negou a autoria do crime. “Confirmou a desavença com José Onofre, mas negou ter envolvimento neste homicídio. Vamos investigá-lo e outras hipóteses serão levantadas”, afirmou Adeliana.

José Onofre foi baleado na rua Angélica, no bairro Bom Jardim, quando carregava areia numa carroça, equipamento de seu trabalho. O crime ocorreu por volta das 13h de anteontem. O assassino atirou pelas costas, atingiu a região da clavícula esquerda e o projétil saiu no peito. Uma unidade de resgate do Samu levou a vítima ao Hospital Márcio Cunha, porém ela morreu pouco depois.

A vítima assumiu recentemente a Associação dos Carroceiros e acabou homenageada com um minuto de silêncio durante uma solenidade na Prefeitura de Ipatinga. Na tarde de ontem, a administração municipal repassou uniformes e subsídios para os catadores de materiais recicláveis e donos de carroças.
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